Patinando sobre o gelo fino (e tomando a vida como certa): Ezra Bayda e nossos enganos sobre nós mesmos

“A maioria de nós, na maior parte do tempo, está contente em cegamente patinar sobre o gelo fino, tomando a vida como certa. Escolhemos padrões ou estratégias de comportamento para tentar controlar nosso mundo – em parte, para nos ajudar a evitar o tremor de ansiedade em nosso âmago. Todos nós temos estratégias às quais temos familiaridade, como se esforçar mais ou procurar diversões. Usamo-las para patinar pela vida, esperando evitar ter que sentir medos que não queremos enfrentar – como os medos da perda de controle, do fracasso, de não ter valor, de ficar sozinho, e daí por diante. Raramente questionamos nossas estratégias; geralmente apenas as seguimos cegamente. Mas ao segui-las nós nos limitamos e definimos nossas fronteiras. e nossa vida se estreita para um senso de vaga insatisfação.

 

Temos que partir da premissa que realmente não nos conhecemos muito bem. Conhecer a nós mesmos envolve esclarecer todas as maneiras pelas quais somos controlados pela nossa mente auto-centrada. Isso significa que temos que descobrir nossas identidades e crenças mais básicas, observar nossas estratégias típicas de comportamento e talvez, mais importante de tudo, nos familiarizar com nossos medos.”

 

~ Ezra Bayda, em “The Authentic Life: Zen Wisdom for Living Free from Complacency and Fear” (Shambala)

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Foto de Ken_Lord (licença de uso BY-NC-SA, Creative Commons) (link)

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo capital.

10 Comentários

    • senti falta de uma apresentação da autora, quem é e sua idéias principais e também uma contextualização para o assunto; por que vc escolheu publicar isso?
      Um abraço
      Vera

    • OK, Vera.

      Já publicamos aqui um trecho escrito pelo Ezra (é um homem) antes, em 2011:
      http://dharmalog.com/2011/05/24/as-3-coisas-que-mais-temos-medo-segundo-ezra-bayda/

      O Ezra é um mestre Zen, praticante desde 1970, aluno de Charlotte Joko Beck, que vive e ensina no San Diego Zen Center, na California (EUA). Tem alguns livros escritos e o trecho acima é inédito da sua obra mais nova. Ele escreve com mais coloquialidade e menos tradição, o que ajuda muita gente – eu inclusive – a entender algumas idéias.

      A escolha do texto às vezes não tem uma razão muito objetiva. Esse, além de ser um texto novo do Ezra, o que traz a possibilidade de ser uma percepção bem atual de um professor dedicado à Verdade, também tem uma espécie de sutil alerta para que nós continuemos descobrindo nossa mente auto-centrada – e especialmente nesse artigo ele questiona aqueles de nós que pensamos que já nos conhecemos o suficiente. Há termos com insatisfação, “esperando evitar” e outros que são ricos como sinais do nosso auto-centramento.

      Particularmente achei interessante a comparação com o patinar sobre o gelo fino, porque nossas estratégias são frágeis, são uma ilusão pela qual patinamos como se estivéssemos bem certos da sua solidez. Mas patinamos confiantemente, porque queremos mesmo é patinar, achando que o chão é uma coisa que não é.

      O que esse trecho te transmitiu? Antes de ter um pouco dessa pequena apresentação?

      Um abraço,
      Nando

    • Obrigada Nando pela sua resposta e atenção!
      Patinamos no gelo e, como sabemos que é gelo fino e que pode de quebrar, estamos sempre inseguros e com medo.
      namastê

  • Sim.Estamos patinando em gelo fino.Vivemos o risco de viver a todo momento.As estratégias são comuns e naturais, dado que é preciso continuar a viver.Simples assim.

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