As 3 coisas que mais temos medo, segundo Ezra Bayda

“Quando alguma coisa nos entristece ou chateia, geralmente pensamos que tem alguma coisa errada”, diz Ezra Bayda, professor do Zen Center San Diego, (EUA). “E nós sentimentos isso mais verdadeiramente quando a experiência é de medo”. Autor de quatro livros, entre eles o mais novo “Zen Heart: Simple Advice for Living with Mindfulness and Compassion“, Ezra explica em artigo na revista americana Tricycle (“As Três Coisas Que Mais Temos Medo“, The Three Things We Fear Most) que acredita que todos os nossos sentimentos negativos vem de três medos mais fundamentais: o medo de perder a segurança ou controle, o medo da solidão e desconexão, e o medo de não ter valor. O artigo é em inglês, se você fala a língua, vale a pena a leitura pois ele dá mais detalhes interessantes.

Vários autores falam do medo como a principal força contra a vida, contra a essência humana. “Medo e amor não conseguem existir juntos. Medo e prazer podem existir juntos, mas não amor e medo”, pregava o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986). O autor Neale Donald Walsch, autor da série “Conversando com Deus”, diz que “nós só podemos viver a partir de um de dois lugares: ou estamos vindo do Amor ou estamos vindo do Medo, para tudo que pensamos ou dizemos ou fazemos”.

Para Ezra, o primeiro obstáculo é perceber como o medo nos influencia. “Geralmente não estamos conscientes da extensão que o medo ocupa nas nossas vidas, o que significa que o primeiro estágio do trabalho com o medo é reconhecer sua presença. Isso pode ser bem difícil, porque muitos dos medos não são diretamente aparentes, como o medo que dirige nossa ambição, o medo por trás da nossa depressão ou, talvez o maior de todos, o medo por baixo da nossa raiva“. Ezra desenvolve sobre os três medos.

1. Medo de perder a segurança ou controle. Como envolve nossa sobrevivência, e está ativado no nosso sistema límbico, a qualquer sinal de dor ou desconforto, esse medo aparece. “Mas, na maior parte das vezes, não há perigo real para nós; na verdade, nossos medos são amplamente imaginários — que o avião vai cair, que seremos criticados, que estamos fazendo errado”.

2. Medo da solidão e desconexão. É um medo tão básico que muitos buscam amigos, relacionamentos e affairs para preencher o vazio de estar sozinho, e essa necessidade acaba por impedir que haja, por exemplo, uma intimidade real. Ezra faz um questionamento fundamental: “Como podemos realmente amar alguém de verdade ou ser íntimo desse alguém se estamos nos relacionando com ela a partir dos nos nossos medos?”.

3. Medo de não ter valor. É um outro medo que toma várias formas e aparece frequentemente, como o medo de não ser percebido, de ser visto como um qualquer, de ser estúpido ao fazer uma pergunta, de não merecer ser amado, etc. “Esse medo se reflete no nosso comportamento, por exemplo, quando discutimos: para uns, o medo impulsiona a continuamente e forçosamente se provar certo, enquanto para outros, direciona para logo desistir pessimisticamente”.

Segundo Ezra, não há antídoto para se sentir sempre seguro, valorizado e conectado. O que se deve fazer é aceitar o medo, senti-lo, “residir” nele — muitas vezes, o esforço para suprimi-lo e evitá-lo é muito maior que o de senti-lo. “Temos que lembrar que o medo não é inimigo nem obstáculo; não é um monstro real. Quando sentimos medo, precisamos nos lembrar que ele é o nosso caminho; e quando verdadeiramente entendemos isso, podemos recebê-lo dentro do grande espaço do coração”.

Pema Chödrön, monja budista da tradição Vajrayana, diz que “quando você aprende a sorrir pro seu medo, a estar com seu medo, você se torna um autêntico amigo de você mesmo, e então ganha confiança para viver”.

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Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

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