“A paz não é uma experiência, é ausência de confusão em relação ao que você está vivendo”: o que é a paz, por Lazy Yogi

A frase do título já é um ótimo insight se conseguirmos realmente percebê-la por experiência direta, mas abaixo segue o texto completo traduzido do autor do blog Lazy Yogi, no post intitulado “O Que é a Paz?” (What Is Peace?), publicado semana passada (18/05/13). Paz não é um relaxamento no fim-do-dia nem um suco na piscina no fim-de-semana nem tirar férias nem receber um bom pagamento para se livrar de dívidas nem se livrar dos afazeres do dia, nem mesmo, como está em alguns posts recentes aqui no blog, algumas práticas espirituais. Como nos seguintes posts:

A paz não é uma experiência isolada, como diz o autor do artigo, e, para além disso, a paz também “não é um pensamento nem um jeito de pensar“. Na definição dele, a paz é “uma maneira de considerar as experiências“.

Apenas uma consideração a respeito do efeito que um artigo desses pode causar, principalmente com nosso background ocidental funcional: ao falar que a paz é “um jeito de considerar as experiências” alguns de nós teremos o reflexo condicionado de transformar isso numa meta de comportamento, um slogan, uma espécie de mandamento psicológico. Como se tivéssemos que viver com esse ou aquele jeito de considerar as coisas. Esse não é o espírito. O “jeito de considerar as experiências” é, como Lazy Yogi deixa claro, um estado nascido da claridade sobre si mesmo: “você não se engana mais como sendo o corpo ou a mente (…); nesta clara consciência, você está em paz, ou melhor, você se reconhecer como o próprio bem-estar e a paz“. O fim das ilusões a respeito de si mesmo é o estado que permite esse “jeito de considerar as experiências”.

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O QUE É A PAZ
Por Lazy Yogi

“A paz não é uma experiência. É ausência de confusão em relação ao que você está vivendo. Em tal claridade, há um contentamento e uma alegria de liberaçao do sofrimento da confusão.

A experiência humana é cheia de momentos de positividade e beleza intercalados com momentos de negatividade e dor. Essa experiência humana é caracterizada pelo corpo seus sentidos e sensações físicas associadas, e também com os pensamentos e humores mentais.

Quando alguns embarcam na jornada de descobrir a paz, ela buscam por ela no mundo da experiência humana. A esperança é que a experiência deste corpo possa se tornar permanentemente feliz e positiva, renunciando para sempre o negativo.

Tal perspectiva é dependente que sua experiência seja de uma certa maneira, e já que as experiências são por si mesmas transitórias, assim também são a felicidade e o prazer que elas trazem.

Você não é suas experiências, e a convicção desta verdade nascida na percepção direta tirará toda a pressão de ficar evitando as experiências negativas e de se esforçar pelas positivas. Você se torna menos obcecado pelas experiências, aproveitando o que vem e não mais lamentando o que se vai.

Mas onde a paz se encaixa nisso? A paz não é uma experiência mas uma maneira de considerar as experiências. Não é um pensamento nem um jeito de pensar mas um lugar de consciência eterna de onde você vive.

Por lugar, quero dizer Você mesmo. Quando você não se engana mais como sendo o corpo ou a mente, onde isso lhe coloca? É a oportunidade de se tornar consciente de sua própria existência sem o contexto da forma humana.

Nesta clara consciência, você está à vontade e em paz. Ou, melhor, você se reconhece como o próprio bem-estar e a paz. Há inúmeras maneiras de se libertar da confusão e redescobrir a claridade, e eu gostaria de recomendar a meditação e a auto-investigação.

Somos muito menos seres individuais e muito mais uma dimensão eterna e sem limites que está permanentemente consciente de si mesma.

Louco mais verdadeiro. :P

Namastê, amigos.”

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Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

16 Comentários

  • “A paz não é uma experiência mas uma maneira de considerar as experiências. Não é um pensamento nem um jeito de pensar mas um lugar de consciência eterna de onde você vive.”

    Jamais vi outra definição mais ajustada e nem por isso menos linda. Achei-a o máximo, tipo: É isso!
    Muito grata ao Lazy (Humor é fundamental e passa pela ‘Rede’) Yogi e a ti, por a trazeres.
    Boa sorte, Norma

    • :) Oops! A “Rede” que me refiro acima é a de Indra e é por essa que ele reverbera.

      Em tempo: Nem “o inferno são os outros” ~ Sartre, nem “Eu vos dou a minha Paz” (lindo isso! A Igreja Católica Romana tem o mais bonito ritual), no entanto, é sugerido, no texto:
      “Há inúmeras maneiras (…), e eu gostaria de recomendar a meditação e a auto-investigação.”

      Frequente-se, pegue intimidade e torne-se habitué das suas paisagens internas. Muitos podem ensinar diversas técnicas, mas ninguém pode fazer por você o trajeto.
      Bjo Nac?

  • A paz é essa presença constante e imutável que é anterior a todas as experiências e que continua após todas as experiências e que nenhuma ideia de limitação pode perturbar. Estando presente no agora poderá ser quem nunca deixou de Ser.

  • Grato pela possibilidade de poder reformular o conceito.Estamos evoluindo certo?
    – permita-me uma contribuição- onde se lê relaxamento,sugiro substituir por relaxação.Considerando tratar-se dos três sistemas envolvidos, ou seja; digestão=> digestório,circulação=>circulatório e por fim o sistema respiração=> respiratório. A idéia é para não se perder a dimensão cognitiva integradora, por isso sugiro a reformulação da aplicação do conceito.Paz e bem para todos.

  • “A paz é nosso estado natural”, por traz de toda a onda de emoções,sentimentos e percepções esta esta experiência magnífica e indescritível que é a base da experiência, sempre lá, sempre viva, sempre nova. Pode ser chamada de varias coisas, Natureza Primordial, Natureza de Buda, Vacuidade.

    ||Na vacuidade não há forma nem sensação, conceituação, discriminação e conciencia……e então o bodisattva vive “esta sabedoria” sem nenhum obstáculo na mente, sem obstáculos portanto sem medo. Inteiramente afastado de sonhos ilusórios, isto é nirvana.|| Prajnaparamita-Sutra do Coração.

    Maravilhoso!!

    Grato amigos!

    Ed.

    • Realmente, é uma lembrança importante. Algumas vezes, como num “lindo momento”, como você fala, parece não haver confusão a respeito do que se está vivendo. Mas como você mesmo assinala depois, pode ter ilusão (“mentira sem fim”). Uma boa adaptação da frase pode ser “ausência de confusão e ilusão”.

      Namastê, Ana.
      Nando

  • Hoje depois de vários meses de busca incansável encontrei a paz…justamente uma “ausência de confusão e ilusão “, isto é muito bom, Maravilhoso!Grato. Vera Lúcia.

  • Penso que a definição de paz proposta pelo filósofo grego Sócrates, tem muito a contribuir no contexto dessas nossas reflexões. De acordo com o notável sábio ateniense, a paz pode ser definida como sendo consciência tranquila, coração apaziguado e conduta reta. Podemos depreender portanto, que a paz é um estado de espírito.

    • Aguinaldo Salomão,

      Teu coment. entrou no meu e-mail no momento certo. Gostei. Como gostei do teu nome, que me lembrou o teu famoso homônimo e uma frase atribuída a ele:

      “Que paz reine entre as tuas paredes e prosperidade nos teus castelos”
      Salomão

      Grata pelo involuntário ‘coffee break” :)
      Boa sorte, Norma

  • Este é um texto que eu leio de tempos em tempos. A cada nova leitura parece haver um novo aprendizado, uma compreensão maior.

    O encontro desta paz é algo tão simples e próximo, único, e algo tão completo, que pode, por vezes, gerar incredulidade. Porém, basta deixar acontecer.

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