Rubem Alves sobre a coragem de mudar nos tempos modernos (e a angústia de alguns pais…)
“Uma coisa boa dos tempos em que vivemos, a despeito de todas as suas confusões, é que as pessoas descobriram que é possível mudar a direção do vôo”, começa o educador, psicanalista e autor Rubem Alves nesse artigo “Sobre a Coragem de Mudar“. Como singelo apoio ao post anterior, “O Dharma das Mudanças de Vida“, de Phillip Moffitt, e inspirado na sugestão da leitora Fabiany, que citou o artigo “Mude“, do mesmo Rubem Alves (mas provavelmente não é o mesmo abaixo), segue esse texto publicado originalmente no site oficial do autor, em rubemalves.com.br (Seção “Quarto de Badulaques”).
//////////
“Sobre a coragem de mudar”
Por Rubem Alves
Em tempos passados o normal era que um jovem escolhesse uma carreira e permanecesse nela até morrer, ainda que ela não lhe desse felicidade, tal como acontecia também com os casamentos. Para sempre, até que a morte os separe. Uma coisa boa dos tempos em que vivemos, a despeito de todas as suas confusões, é que as pessoas descobriram que é possível mudar a direção do vôo. Nada as obriga a voar sempre na mesma direção até o fim. Eu mudei minhas direções várias vezes e não me arrependo. Meu amigo Jether era um próspero dentista na cidade do Rio de Janeiro. Estava ficando rico. Riqueza dá segurança. Segurança dá tranqüilidade à família. Mas enquanto ele olhava para o mundo delimitado pelos dentes dos seus clientes, a sua alma voava por outros mundos! E foi assim que, num belo dia, ele resolveu voar. Chegou em casa e comunicou à esposa Lucília: “Meu bem, vou vender o consultório”. E assim, com mais de quarenta anos, voltou para a estaca zero e foi se preparar para o vestibular… E ele seguiu um caminho feliz! Está com 82 anos, tem cara de 60, disposição de 40 e leveza de criança! Cada profissão delimita um mundo: há o mundo dos advogados, dos dentistas, dos engenheiros, dos professores, dos médicos, dos músicos, dos artistas, dos palhaços, do teatro. O jovem estudante do filme Sociedade dos poetas mortos sonhava em ser artista de teatro. Mas seu pai havia mirado seu arco para a medicina… Dezoito ou dezenove anos é muito cedo para definir o que se vai fazer pelo resto da vida. Esse é um tempo de procuras, indefinições, sonhos confusos. É normal que, ao meio do curso universitário, o jovem descubra que tomou o trem errado e se disponha a saltar na próxima estação. É angústia para os pais. Claro, porque o que eles mais desejam é ver o filho formado, empregado, ganhando dinheiro. Isso lhes daria liberdade para viver e permissão para morrer… Mas não seria terrível para ele – ou ela – se, só para não “perder tempo”, “só para não voltar ao início”, continuasse até o fim? Se não quero ir para as montanhas, se quero ir para a praia, por que continuar a dirigir o carro pela estrada que vai para as montanhas? Pais, não fiquem angustiados. Sua angústia é inútil. E nem fiquem com a ilusão de que o diploma dará emprego ao filho. Não dará. Assim é melhor ir devagar seguindo a direção que o coração manda. O difícil, para os pais, será se o filho, no último ano de direito, lhes comunique: “Descobri que não gosto de Direito. Vou estudar para ser palhaço!” Aí posso imaginar o embaraço do pai e da mãe quando, em meio a uma reunião social, quando se fala sobre os filhos, alguém lhes dirija a palavra e diga: “Meu filho está no Itamarati. Vai ser diplomata. E o seu?” Resposta: “O nosso está no circo. Vai ser palhaço…” Cá entre nós: não sei qual profissão dá mais felicidade, se a de diplomata ou se a de palhaço…

Muito bom! Todos deviam pensar assim! Hoje em dia, é impossível definir o que queremos ser, o que queremos estudar e no que queremos trabalhar com 17 anos!! Tenho 20 e acho que ainda não sei se realmente quero fazer Design, mas vou tentar! ;)
Isso mesmo, Érica. Tente. Só assim vc vai saber.
Boa Sorte no Design ou em qq outra das 1.000 opções que a Vida tem a te oferecer nos teus 20 anos. Esse é o teu momento.
Norma
Ah! Que bom que a Fabiany citou o R. Alves. Ele é um Querido que além de tudo, ainda, desenha olhos e nariz no ‘A’ de Alves e rotula o seu Curriculum de “Curriculum Mortis”. OI!?(rs).
Agora, o texto dele (q.já declaro concordar em nº, gênero, grau e intensidade – eu voto em ser palhaço.), logo após o texto do Moffitt – ainda em processo de assimilação -, me pegou em cheio! Vivi isso com o ‘bonitão’ aki de casa, que passou aos 17 anos p/Estatística da UERJ, num ano em que a cadeira exigia maior pontuação que Eng.de Petróleo, Química e outras,ou seja tinha escolha, sem pré e se declarando apaixonado pela profissão.No sétimo período, num domingo, após ter dormido umas 2 horas, comunicou que iria sair de novo para prestar um vestibular (o amor acabou?) para Administração (forma-se no fim do ano – Como mãe, declaro: OBA!). Cursa uma Faculdade paga, faz estágio com remuneração compatível com o mercado, tem despesas extras com alimentação na rua, etc…etc. Então, já sabemos quem arca com as consequências ($$$) dessa mudança, em busca da real vocação (ainda enamorado por Adm. Financeira – Que bom!), cujo o ‘método’ passou longe do recomendado pelo Morffitt – suavizar as consequências para o ‘entorno’. Daí, o meu comentário no post anterior, que mudanças geram consequências e que elas virão … sejam de que natureza forem e é preciso bastante coragem, mas,também, fique cônscio que a sua ação pode atingir a quem não fez a ‘opção’, nem para ela esteje preparado. Tentar ser gentil/suave em suas mudanças (se possível) é um bom lembrete.
Obrigada pelo post.
Impermanencia das coisas
Bom dia.
Li a essa reflexão por acaso no Site da UFF na parte de Curso de Pré Vestibular achei “Tão Marvilhoso” mexeu no fundo da minha Alma senti que eu apesar de ter 36 anos, estou 11 anos na mesma Empresa e não fiz o minha Faculdade esta na hora de começar.
Obrigada Jesus, por colocar essa pessoa tão maravilhosa em meu caminho chamado Rubem Alves.