A única hora em que abandonamos (e treinamos o abandono da) nossa individualidade

No zazen (meditação do Zen-Budismo) nós não nos apegamos ao nosso eu individual – é a única hora em que soltamos nossa individualidade. Enquanto pudermos soltar essa individualidade, nos tornamos o universo inteiro. Se não conseguirmos fazer isso e seguramos nossa individualidade, nos vendo como esse corpo de carne e osso e se perguntando quanto dinheiro temos, quanta educação, quanto tempo estamos praticando zazen, não vai servir pra nada.
– KODO SAWAKI

Abandonar a individualidade causa calafrios na maioria das pessoas, ou em todas. É tipo uma experiência de quase-morte pro ego. Mas é interessante que o mestre Zen Kodo Sawaki fale em abandonar a individualidade, ou soltá-la, se desapegar dela, e não destrui-la ou matá-la.

Não é curioso que basta “soltar” a individualidade para ela ir embora, ou deixar de ser, pelo menos nesta hora da meditação? Como algo que percebemos ser tão fundamental para nós pode simplesmente sumir num instante? Não é intrigante como ela depende de que a “seguremos”?

E que nós não exatamente morremos com essa soltura, com esse abandono?

Meditemos.

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Este post foi escrito por

Sobre o autor Psicoterapeuta Gestalt e jornalista, Nando Pereira é autor do livro "Para Abraçar a Prática" (240pp, 2019) e coordenador da Mentoria de Meditação, "30 dias para transformar sua prática".

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