O paradigma da necessidade de mudar a si mesmo quando se quer mudar os outros

Não precisamos conquistar os outros seres sencientes, precisamos conquistar nossa própria mente descontrolada.
– LAMA YESHE

Não precisamos convencer ninguém, de nada. Não precisamos mudar o cônjuge, o vizinho, a cidade, o país, o mundo. Não precisamos cozinhar em raiva e frustração com as pessoas o tempo todo, nem em tristeza, nem em desamor. Precisamos – cada dia mais urgentemente – parar para nós mesmos, relaxar e olhar para nosso próprio comportamento, nossos pensamentos, nossas emoções, a tudo que cremos sem nunca refletir a respeito, sem nunca ver direito.

O ímpeto de conquistar os outros vem de uma agenda rígida interna, uma agenda arrogante que acha que sabe tudo o que é o certo, e que nunca vê os próprios – enormes e decisivos – enganos. E que também – pasme – não vê os outros. Vê apenas parte de seus comportamentos, e os julga, violentamente.

Quando lemos que precisamos conquistar a nós mesmos em vez dos outros, consigo ouvir a negação no ar. “Como assim, eu mudar? E o Fulano, que tem esse e aquela comportamento? Você acha certo que eu mude e eu ele continue assim?”. Há inúmeras variações dessa postura, das mais grosseiras às mais sofisticadas. O que ela faz é manter cada um de nós congelado na ignorância. E essa é uma das características do samsara, nosso reino de repetição condicionada. Todos temos essa negação. Estamos todos congelados, cada qual com sua justificativa e postura.

Assim, não importa o que esteja acontecendo no exterior, é primordial olhar para si mesmo e aprender a controlar a própria mente. Ela está presa. Uma vez livre, talvez ela possa colaborar com o mundo. Antes disso, é necessário exímio cuidado e amor, e constante busca de sabedoria e respeito ao mundo e às pessoas.

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Este post foi escrito por

Sobre o autor Psicoterapeuta Gestalt e jornalista, Nando Pereira é autor do livro "Para Abraçar a Prática" (240pp, 2019) e coordenador da Mentoria de Meditação, "30 dias para transformar sua prática".

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