A diferença entre experimentar eventos infelizes e ser infeliz, por Gloria Arieira no Eu Maior [VÍDEO]

Professora de Vedanta e discípula de Swami Dayananda, um dos maiores mestres de Vedanta vivos da Índia, a brasileira Gloria Arieira deu seu depoimento ao documentário “Eu Maior” falando sobre o tema central da filosofia que segue: a necessidade de conhecer (ou esclarecer) aquele que tem a experiência e de parar de se identificar com o efêmero. “Enquanto indivíduo eu me deparo com situações que são agradáveis pra mim e desagradáveis pra mim, mas o que é falso é a identidade aham dukhi (do sânscrito), ‘eu sou infeliz’, isso é uma conclusão errada, é uma conclusão não baseada no eu, mas baseada na experiência, numa experiência que é mutável”, diz Gloria nesse vídeo abaixo, de 4min, que resume o depoimento no filme.

PS: Alguns dos comentários no YouTube consideraram essa fala um pouco confusa, e se você considerá-la também, ou ao menos parte dela, podemos tentar conversar e esclarecer alguma coisa nos comentários. A identificação errada da qual Gloria fala é realmente um problema essencial e central no caminho do auto-conhecimento, e precisa da reflexão individual de cada um.

Segue o vídeo:

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

6 Comentários

  • Apesar de já ter lido (assistido umas 2 palestras) sobre Gita, não sei nada sobre Vedanta. Sinto que a falta de motivação vem de um pensamento anterior (meu) que identifica certas filosofias ligadas a características essencialmente masculinas. Creio ser questão de afinidade por falta de informação mais acurada.

    Cruzei por anos com a Glória (na Rua, nos mercados…) e ela é exatamente o que aparece no vídeo. Ponto para o Vedanta e para ela que encontrou o seu caminho.

    +++++
    Quanto ao tema: Falta-me dados para saber se a informação foi passada claramente ou não, mas se alguém puder me esclarecer o abaixo, desde já, Grata!

    “Vc mede a potencia intelectual de uma pessoa pela capacidade de suportar dúvidas” – Flávio Gikovate

    http://vimeo.com/16453099
    (Eu Maior – Um file sobre autoconhecimento e busca da felicidade )

    1) O ‘ser’ falha quando se identifica com a suas experiências e as usa para se qualificar: exper. infelizes = sou infeliz ?

    2)”O reconhecimento do “ser’ livre de limitações que já sou.” – GA

    A afirmativa gerou uma dúvida: esse ‘ser’ é nato, inerente a ‘entidade’ que sou ou é um estágio a ser alcançado através de processos de auto-conhecimento?. Já trago esse auto-conhecimento latente em mim ou ao conscientizá-lo, desperto-o? A Neditação é a ferramenta?

    Tks Nac.

    Eu JÁ sou esse ser que desejo ser aparte das minhas experiências? E o conhecimento do fato é conseguido via a minha clareza em ver essa minha essência que não é influenciada pelas minhas experiências?

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    • Oi Norma,

      Que curioso você já ter cruzado tanto com ela e nunca ter se aproximado; e falar, você, mulher, dela, mulher, e associar a uma escola masculina. :) Mas acho que entendo, por aparentemente ser mais intelectualista (?), mais concentrada na compreensão, do que ritualista ou de serviço e devoção.

      Sobre suas questões, minhas participação:

      » Não sei se “falhar” é uma boa palavra. Ele se ilude, se toma pelo que não é. E o que ele é não necessita de qualificação. Você qualifica o corpo e a mente, mas não o Ser.

      » Pelo que conheço do Vedanta, e seria bom ter bons conhecedores aqui, não há estágios para o Ser. Existem estágios para essa “entidade” (q vc falou) esquecida para receber a clareza de quem é. Para a mente, por exemplo. Swami Dayananda, o mestre da Gloria, tem um livro chamado “O Valor dos Valores”, onde ele afirma que o conhecimento do Ser só pode ocorrer, em medida relativa, quando a mente se qualifica para tal, quando algumas qualidades específicas da mente estão presentes, e que sem essas qualidades, mesmo com bom professor e ensinamento autêntico, não ocorre auto-conhecimento. É um livro muito bom, recomendável.

      Mas esse teu questionamento do Ser vs algo ou “entidade” é pra mim um das coisas mais desafiadoras do caminho do auto-conhecimento. Aí cada um tem que fazer seu mergulho e ir fundo.

      Namastê!

  • Nando,
    Grata pelo retorno e pela indicação do Livro “O Valor dos Valores.”
    “Falhar” não era a nais apropriada, sei, mas foi a que veio na hora. Que bom que vc. entendeu o sentido.

    Entendi que: o Ser através do auto-conhecimento, meditação, estudo, pratica de mantras e canticos sacros chegará ai exercício da plena consciência.
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    Acho que cabe aqui uma explicação já que não fui suficientemente clara: características que sinto como fortemente masculinas (Arjuna – Krishna) não representam que realmente sejam. Eu assim as sinto. (as sentimarcantes em Kalki do Gore Vidal, também)

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    O meu comentário que GA é a mesma do vídeo, refere-se à aparência física e ao estilo pessoal, no trajar.

    O fato de não ter me aproximado mais da Glória (de quem nada sabia, além de termos residências próximas e filhos),limitando-me a eventuais cumprimentos, com certeza, deveu-se às diferenças de nossas atividades cotidianas. Na época, eu trabalha em média, 10 hrs, no centro da cidade. Mas, nunca a encontrei em lugares que eu frequentava e que proporcionassem uma aproximação, que nos levasse a tal teor de conversa. Eu andava todos os dias com o meu pai, na areia – às 06 hrs, durante anos. Frequentava 3 x p/semana à Unibiótica do Posto 9 – às 07:00, 2 x Tai Chi Chuan do CityBank, na N.S.da Paz – tb às 07 hrs. Nunca a vi em palestras da Sonia Hirsch, nem em cursos da Ana Branco, na PUC e muito menos em Cursos Fitoterápicos do Fernando Fratane. E é óbvio, que ela como adepta Vedanta não participaria de reuniões UCEM ou debates sobre Conversando com Deus, como eu na época, me mantendo dentro do perímetro do bairro e cercanias. Nem em nenhuma atividade que envolvessem as crianças a encontrei, vai daí…(preciso ‘verificar’ o porque de tantas satisfações. rs.rs.rs.
    Está um curriculum).

    Espero ter me justificado – o suficiente – por ter desperdiçado a oportunidade.

    Então…, o meu reconhecimento a você \(^.^)/ que faz desse Blog um belo espaço.
    Boa Sorte! Norma

  • O Vedanta é um caminho dificil, por que vai pela negação, pela Via Negativa, desbastando tudo que não é para chegar ao que É. Nesse depoimento Gloria foi prejudicada pela edição, que ao cortar e editar seu raciocinio com mudanças de planos pode ter confundido as pessoas, mas ela é brilhante ao explicar que posso sim viver situações dificeis mas não significa que minha vida está ou é dificil…
    Abraços Nando querido pelas pescarias cada vez mais profundas neste espaço do Dharma…

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