Vida sem “to-do-list”: acreditar no mais importante e ter seu entusiasmo de volta

Tantos afazeres, aplicativos e serviços que ajudam a organizar nossas tarefas, agendas, alarmes e lembretes que, de repente, a melhor coisa a se fazer parece ser viver uma vida sem listas. É possível? No blog ZenAtPlay.com, a escritora Lisa Baldwin diz que virou “listless”, ou seja, não faz nem carrega mais nenhuma lista na vida. “Acabei com as listas. Vou confiar que o mais importante vai aparecer naturalmente – na cafeteria, no trabalho e em mim mesmo”, diz ela, que ainda está no que chama de “experimento” com esse modo de lidar com o que precisa ser feito.

Leo Babauta, autor de ZenHabits, foi além de apenas experimentar: “Mate sua lista de tarefa” (Kill Your To-Do List) foi a sugestão que publicou num post ano passado, chamando a atenção para algo que é muito mais importante que qualquer organização: “Essas listas sugam seu tempo e drenam sua motivação. Quem tem listas de tarefas geralmente as gerencia constantemente, e se não faz isso acaba se sentindo constantemente culpado”. No mesmo post, Leo sugere o que chama de “Uma Coisa” (One Thing), que seria uma única tarefa para o dia em que você está vivendo, que você está se sentindo realmente a fim de fazer, se comprometendo a realizá-la por ser essa coisa mais importante. “Se você ainda precisar fazer uma lista de tarefas pequenas, recorrentes, faça, mas tente eliminá-la se possível. E não chame de lista de tarefas, chame de lembretes ou algo assim”.

Apesar de parecer uma idéia mais romântica do que prática, acho que viver sempre com uma lista de tarefas desumaniza o dia e pasteuriza o trabalho. Já tentei usar, e hoje ainda uso algumas listas, mas elas tem apenas o objetivo de mapear projetos em grandes momentos e não de servir de guia de tarefas diária. Essas listas dão de fato um senso de que “tudo está anotado e encaminhado”, mas, ao mesmo tempo, minimizam o papel da criatividade, bloqueiam nossa espontaneidade (e dos outros) e transformam rapidamente o trabalho em uma roda de hamster.

Como diz Lisa, se você não consegue se livrar de listas, ela tem uma pra você, pra que carregue sempre no bolso e cheque constantemente:
LIVE
LIFE
NOW

“Se você é um escritor, você sabe o que quer escrever, normalmente. Se você é um designer, você tem uma idéia do que está empolgado pra fazer. Você não precisa de uma lista. Você só precisa esquecer a lista e ir ao trabalho”.
~ Leo Babauta, Kill Your To-Do-List

[ Imagem: psfk @ FFFFOUND! ]
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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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