Sobre “vencer” e “dar certo”, uma reflexão de Lama Padma Samten em meio à pandemia

O ensinamento abaixo foi expressado em um retiro online dado por Lama Padma Samten, um proeminente mestre que coordena vários centros de estudos budistas pelo Brasil — o CEBB, Centro de Estudos Budistas Bodisatva. O retiro foi realizado 100% online devido ao isolamento social em meio à pandemia de Coronavirus, ou COVID-19, nos dias 2 e 3 de maio passados.

“Se a gente olhar com cuidado, ninguém dá certo. Mesmo quem dá certo, ou quem pensa que dá certo, pode ser criticado de vários modos. E não importa qual seja a vitória, antes da morte a pessoa devolve todas as medalhas e desaparece de um modo triste. Se a pessoa tiver a oportunidade de viver longamente, ela vai encontrar o declínio progressivo da sua atividade e capacidade. A pessoa devolve tudo. Ela esquece as coisas que ela sabia. E essas coisas deixam de ser relevantes. Então, não há propriamente uma vitória. Nesse tempo de coronavírus, a gente vê tudo desabando rapidamente. Os símbolos de poder se tornam repentinamente frágeis. Então, é importante entender que as vitórias do samsara são curtas, são sem base, mesmo que elas tenham uma expressão gigantesca”.?
— LAMA PADMA SAMTEN @lamapadmasamten (no retiro online na semana passada “Desafios da Vida e da Morte”)?

Vitórias são conceitos, suas bases são relativas e não tem existência inerente. As coisas desabam rapidamente, como diz o Lama, mas talvez ela só estejam revelando seu estado real a olhos que sustentavam idéias. Pense nessa história de dar certo. O que significa? “Não há propriamente uma vitória”, afirma o Lama.
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Trecho tão sucinto mas tão poderoso para nossa época, tão fundamental para o que pode passar a funcionar daqui pra frente. Vamos voltar ao mundo querendo a vitória, querendo “dar certo”? Qual a relevância, a duração e a realidade dessas coisas??
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Contemplemos essas coisas, devagar e com profundidade.?

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Arte: @takiisbranding

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2 Comentários

  • Olhando com uma abordagem budista para o coronavírus, posso dizer:
    Se tem uma coisa que ficou claro foi a impermanência de todas as coisas.
    Sem nenhum aviso prévio, as aparências externas flutuam. O que era sólido, definido, garantido desaparece. Conceitos arraigados mudam. Costumes, relacionamentos, trabalho, lazer tudo ganha uma nova perspectiva.
    Acho super interessante o momento atual.

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