“E nos demos conta do que era importante”: um texto renovador sobre o apocalipse viral

O texto a seguir foi compartilhado nas redes do Dharmalog com a fonte informada de Abuela Gloria Gonzalez, mas pesquisando um pouco chegamos à autoria original de Edna Rueda Abrahams, que publicou no seu Instagram há 4 dias (da postagem desse texto) — ela pode ser lida em @wrongedna. Intitulado “Empatia Viral”, é uma reflexão consciente e renovadora sobre os efeitos da pandemia do Coronavirus (COVID-19) no mundo inteiro, na “ordem” estabelecida das coisas (até então) e das esperanças de um mundo melhor.

EMPATIA VIRAL
(ou E NOS DEMOS CONA DO QUE ERA IMPORTANTE)
Por Edna Rueda Abrahams

“E assim, um dia, o mundo se encheu da desastrosa promessa de um apocalipse viral e, de repente, as fronteiras que foram tão defendidas com guerras se quebraram com gotículas de saliva, houve equidade no contágio que foi distribuído igualmente aos ricos e pobres, as potências que se sentiam infalíveis viram como se pode cair ante um beijo, ante um abraço.?
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E nos demos conta do que era importante, e então uma enfermeira se tornou mais indispensável que um jogador de futebol, e um hospital se tornou mais urgente que um míssil. As luzes foram apagadas nos estádios, os filmes pararam de ser filmados, as missas e os encontros em massa. E então, no mundo, houve tempo para refletir sozinho, e esperar em casa que todos chegassem para se reunirem em frente as fogueiras, mesas, cadeiras de balanço, redes e contar histórias quase esquecidas.?
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Três gotículas de ranho no ar nos levaram a cuidar dos nossos anciões, a valorizar a ciência acima da economia, nos disseram que não apenas os indigentes trazem pragas, que nossa pirâmide de valores estava invertida, que a vida sempre veio primeiro e que as outras coisas eram acessórios.?
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Não há lugar seguro, na mente de todos nós cabem todos, e começamos a desejar o bem ao próximo, precisamos que se mantenha seguro, que não fique doente, que viva muito, que seja feliz, e junto com uma paranóia fervida em desinfetante, nos damos conta que se eu tenho água e ele de mais distante não, minha vida está em risco.?
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Voltamos a ser uma aldeia, a solidariedade se tinge de medo e com o risco de nos perdermos isoladamente, há apenas uma alternativa: sermos melhores juntos.”?
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— Edna Rueda Abrahams
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Foto: @wrongedna

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Escrito por

Psicoterapeuta, jornalista, autor de "Para Abraçar a Prática".

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