Byron Katie responde: “o que você diria a alguém que acabou de ser diagnosticado com câncer?”

byron-katie-cancerNossos problemas de saúde, principalmente as doenças graves como o câncer e as condições que deixam o corpo humano com risco de morte, costumam trazer fortes questionamentos existenciais, sobre o viver, o morrer, o sentido, sobre o que está acontecendo ou deveria acontecer. A terapeuta e autora americana Bryon Katie, criadora do método de auto-conhecimento que leva o nome de “O Trabalho” (em inglês, The Work), é conhecida por sua visão profunda e pelo elucidativo confronto com a verdade das experiências humanas, e falou algumas vezes sobre as doenças graves e terminais. No seu livro de 1998 “Losing The Moon“, ela responde a uma pergunta específica sobre o câncer, que segue mais abaixo, traduzida para o português, e estende o terreno da compreensão do que fazer a respeito. Para abrir mais o mesmo tema, com a mesma autora, logo depois do texto há uma gravação de uma parte do Trabalho com um paciente que traz o tema do câncer e diz que “quer que a doença pare de crescer”. Ao que Katie indaga de volta, “Isso é verdade?“.

Mas, voltando à primeira questão, o que você diria a alguém que acabou de ser diagnosticado com câncer?

O que diríamos a nós mesmos, se estivéssemos nessa situação?

O que estamos confrontando exatamente nessa experiência? Ou no que pensamos a respeito dessa experiência? O que está implícito, ou achamos que está implícito?

A mente em paz, a mente “curada”, a mente sem apegos a conceitos é o caminho, diz Katie. “Até a mente estar em paz, nada está curado“, diz ela.

Como diria o monge sábio budista do Século VIII, Shantideva, “além de domar a mente, o que há?“.

Segue a resposta de Katie à pergunta sobre o diagnóstico, e logo depois o vídeo de 6 minutos com uma pessoa que traz uma questão parecida.

Amigo: O que você diria a alguém que acabou de ser diagnosticado com câncer?

Byron Katie: “Trabalho com a mente porque o corpo vai morrer de qualquer maneira, seja câncer ou não câncer. Não há um conceito mais poderoso do que outro. É o apego que nós colocamos nele — esse é o engano que está colocado. Se você estiver trabalhando com a mente e tiver clareza, então você sabe que se você ingerir grama de trigo, o pior que pode acontecer é um conceito. E você sabe que se você não ingerir grama de trigo ou quimioterapia, o pior que pode acontecer é um conceito.

Então, apenas lide com os conceitos e vá em paz. Você consegue o melhor médico do mundo e o remédio não funciona — às vezes parece funcionar — às vezes não funciona. Mas o pior que pode acontecer em ambos os casos é nada ser curado. Você percebe? Até a mente estar em paz, nada está curado.

Para usar uma outra metáfora — quebrar minha perna quando eu quero ir esquiar pode ser mais doloroso do que seu cancer. E não estou falando sobre a dor da perna sendo quebrada. É meu desejo de esquiar. O que isso poderia me trazer pode ser mais doloroso do que seu câncer no momento, porque eu poderia contar a história do que eu perdi, e a história do que eu perdi pode ser igualmente tão dolorosa no momento. Então o pior que pode acontecer em qualquer momento é uma mente não-curada. E uma mente não-curada para mim é uma que simplesmente não foi percebida com compreensão, compaixão, amor. Encontre o que aparece desse jeito. E então tudo mais tem que seguir porque não é real; é uma imagem refletida. Exatamente como os conceitos, que não são reais.”

— Byron Katie, em “Losing the Moon”, pgs 61-63

Abaixo, o vídeo, originalmente em inglês. Para ativar as legendas, use as configurações de Closed Captions (CC), acionando também a tradução para Português.

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Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

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