O mundo como um sonho, por 5 mestres: Osho, Sri Nisargadatta, Dogen Zenji, Helen Schucman e Khenpo Tsultrim

A idéia da “vida humana como um sonho” ou do “mundo como ilusão” não é nova, mas é renovada de tempos em tempos, vindo de épocas antigas como dos Vedas indianos e seu conceito de “Maya” até teorias mais modernas, de apenas algumas décadas, como a de Um Curso em Milagres, de Helen Schucman. Se a idéia do sonho lhe parece um tanto absurda, afinal como poderíamos estar sonhando com coisas tão sólidas e reais como as que temos nessa existência aqui, talvez a idéia da ilusão seja de mais fácil compreensão: quando sofremos ou vemos alguém sofrendo por extremo apego, por intenso desejo, por fantasia mental, entendemos que ali pode estar sendo “vista” uma realidade que não existe. Ou que existe apenas como um sonho, como uma ilusão. Como projeção, sem solidez.

Algumas escolas de sabedoria afirmam que a existência do ser humano ou o mundo é um sonho, outros que a vida ou o mundo é como um sonho, afirmações diferentes mas que apontam (incomodamente?) para um mesmo estado aparentemente irreal ou não-verdadeiro que experimentamos. Para explorar um pouco isso, e provocado pelo post de ontem, seguem abaixo cinco afirmações breves que falam dessa situação, de cinco fontes diferentes em tempo e origem. O objetivo não é trazer preocupação nem à pressa de compreensão da vida e do mundo, mas sim oferecer uma sugestão de reflexão para ser incluída no caminho, se assim se apresentar como passo.

Boa leitura.

“Não há necessidade de uma saída!
Você não vê que uma saída é também uma parte do sonho?
Tudo que você tem que fazer é ver o sonho como sonho.”
Sri Nisargadatta Maharaj (1897-1981), sábio indiano de Advaita Vedanta

“Auto-libertação é como estar preso em correntes de ferro em um sonho. Se você não sabe que está sonhando, seu cativeiro parece real, você acha que é real, e sua experiência parece confirmar que é real. Mas se você sabe que está sonhando, você sabe que as correntes não existem de verdade, e por isso você não está verdadeiramente preso por elas. A prisão de fato não existe. No sonho, nada precisa ser feito ou libertado — você é livre como você é. A experiência do sonho, mesmo que se pareça com uma experiência de prisão, está de fato auto-liberada”.
Khenpo Tsultrim Rinpoche, mestre tibetano de meditação budista (ktgrinpoche.org)

Dream

“Cada clara e cristalina manifestação do mundo inteiro é um sonho; esse sonho não é nada mais do que todas as coisas que são absolutamente lúcidas. A dúvida de uma pessoa sobre isso é em si mesma um sonho; a confusão da vida é um sonho também. Neste preciso momento, todas as coisas são um sonho, estão dentro de um sonho, ou expõem um sonho. Conforme estudamos as coisas, raízes e caules, ramos e folhas, flores e frutos, luzes e cores – todas são um grande sonho. Nunca confunda isso com o estado de sonho da mente.”
Dogen Zenji (1200-1253), mestre japonês do Zen-Budismo

“O segredo da salvação é esse: que você está fazendo isso sobre si mesmo. Não importa a forma do ataque, isso continua sendo verdade. Quem quer que assuma o papel do inimigo e do atacador, ainda é esta a verdade. Qualquer que parece ser a causa de qualquer dor e sofrimento que você sente, isso continua verdade. Porque você não reagiria aos personagens em um sonho se soubesse que você estava sonhando. Deixe-os ser tão odiosos e viciados quanto possam ser, eles não podem ter nenhum efeito em você a não ser que você falhe em reconhecer que são seu sonho”.
Helen Schucman (1909-1981), co-autora de Um Curso em Milagres, Cap. 27

“A vida é um sonho, então desfrute dela: mas não peça mais porque então você só vai perturbar o sonho e não vai ter nada mais que uma noite perturbada. Seja uma testemunha da mente sonhadora, e então virá a transcendência: então você vai além do sonho e além da própria mente.”
Osho, em “A Cup of Tea”

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo capital.

3 Comentários

  • Eu não queria começar, então não vou Rs
    Afinal, bilhões de pessoas vivem por aí, muito do bem, ignorando solenemente um monte de coisas que você jura que é, mais do que o Jeito Certo, o Único Jeito de ver o Mundo.
    E… Surpresa!

    O Dharmalog ao mesmo tempo em que presenteia com 5 gemas para que algo seja feito com elas, tranquiliza: O objetivo não é trazer preocupação nem à pressa de compreensão da vida e do mundo, mas sim oferecer uma sugestão de reflexão (…). Sinto, também, que a direção é realmente mais importante que a velocidade. Vamos devagar, mas vamos!
    (Que seja para economizar corpos, né não, Malu?)

    A escolha dos textos está primorosa: O do UCEM, por exemplo, pode estar entre muitos, depois de certa intimidade, vc sempre vai saber qual é ele. Seu livro de exercícios ajuda a vc a entrar em forma, de tantas vezes que vc vai jogá-lo contra à parede e buscá-lo, em seguida, arrependida … (só) até o próximo exercício.
    Osho é uma unanimidade. ‘Palatável’. Eu mesma sou fã de carteirinha. Leia-o (o mesmo texto) uma segunda, terceira vez. Ele nunca foi ‘fácil’. Eu é que não o entendia toda a extensão da sua profundidade. Nadava no raso. Num pires.
    Pulando p/o Mestre Dogen Zenji: Dizem que apenas 6 (ou serão 8?) cabeças coroadas (católicas) têm autorização para se vestirem de branco na presença do Papa Francisco. Tá colocada a relação. No momento, apenas frequentando o mesmo quarteirão, mas como eu mesma disse há uns 2 anos: É o OLHAR que ‘qualifica’ o objeto olhado. É o “observador”. (E até posso estar melhor do que imagino :) ) ‘My Rainbown Race’).
    Nac

    • Norma, obrigado pelo comentário, que não tem excesso nenhum, é generoso e traz mais coisas pra pensar. Se você tiver sugestões de partes do UCEM para “uso geral”, melhor ainda se houver comentários de um dos principais representantes, como o Gary Renard ou o próprio Kenneth, eu gostaria muito de ver.

      Namastê,
      Nando

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