A busca da consciência maior, “Crística”, em nós mesmos, como explicada pelo iogue Paramahansa Yogananda

Este é um trecho breve selecionado de um livro onde um reconhecido yogue indiano, Paramahansa Yogananda (1893-1952), fala detalhada e extensivamente sobre a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo, o profeta do Cristianismo, cujo nascimento histórico e/ou simbólico é comemorado no Natal. Não só ele, mas também seu mestre, outro grande yogue chamado Sri Yukteswar Giri (1855-1936), estudaram e penetraram na mensagem da vida do profeta de Nazaré, que fez nascer no Ocidente um movimento religioso e cultural de enormes extensões, e ambos lançaram livros sobre esse assunto: de Yogananda veio a obra cujo trecho segue abaixo, “The Second Coming of Christ – The Ressurrection of Christ Within You“(A Segunda Vinda de Cristo – A Ressurreição de Cristo Dentro de Você), e de Sri Yukteswar veio “The Holy Science” (A Ciência Sagrada).

A mensagem do trecho é bem simples mas é a epítome de uma abordagem de compreender a vida totalmente diferente da que se aprende normalmente no Ocidente (ou que eu aprendi e vi várias outras pessoas aprenderem). Em parte do Cristianismo parece existir uma idéia disseminada de “salvação” (humana ou do espírito) conectada ao que parece uma decisão externa (de Deus), ou julgamento superior  (idem) ou ainda um acúmulo de benfeitorias, embora pareça que o próprio Jesus não tenha ensinado exatamente isso. É esse o ponto que Paramahansa Yogananda tenta mostrar nessa parte do enorme livro que escreveu sobre os ensinamentos de Cristo, que tem um total de 1.688 páginas, vinda do próprio Evangelho canônico de João: que cada um é responsável pelo que faz, e que para alcançar o despertar (“reino de Deus”) é preciso livrar-se de todo mal (em si mesmo). Na suma essência, Yogananda diz que “as consequências do mau agir, assim como as recompensas da virtude, não vem de causas desconhecidas ou de um decreto de Deus, mas são resultados das ações boas e erradas do ser humano”.

Cristo, como está explicado por vários autores, e Yogananda deixa isso explícito várias vezes, é um estado de consciência que Jesus atingiu ou assimilou (ou deixou-se fundir), e por este motivo falou “ninguém vai ao Pai (Reino dos Céus) senão por mim“, ou seja, senão por essa consciência ampla e livre. “Christ Consciousness“, ou Consciência Crística, é o termo que Yogananda usa, várias vezes no livro. O caminho é dentro, onde está o Reino (“o reino dos céus está dentro de vós“, Evangelho de São Tomé versículo 3). Assim, nem Cristo nem Deus seriam juízes externos à espera da finalização da trajetória de vida de cada ser humano, para assim determinar seus destinos, mas dimensões muito maiores de consciência internas e eternas. Os próprios atos e a própria compreensão humana são, assim, caminhos para essa consciência mais ampla, que está justamente aqui — por isso a necessidade de observar os próprios atos e crenças e compreensões, como Jesus alerta ao curado neste trecho que abre o capítulo do livro.

O que estamos fazendo com nossa vida, com nossos irmãos, amigos, esposa, marido, pai, mãe, avós, colegas, conhecidos, desconhecidos, o que estamos pensando, vibrando, sentindo, fazendo, decidindo, isso tudo é o caminho. Ou estamos indo para uma consciência mais ampla ou não estamos.  A consciência do que sou e de cada ato neste momento presente seria o auge sempre permanente disso. Sem mais elocubrações, deixo com você o trecho do livro com a visão de Yogananda, em homenagem à Consciência Crística.

PS: O autor Eckhart Tolle também falou sobre esse assunto aqui.

Boa leitura.

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A SEGUNDA VINDA DE CRISTO: Discurso 21, João 5:15-18
De “The Second Coming of Christ – A Ressurreição de Cristo Dentro de Você”, Vol.1, pgs 347-348.
Por Paramahansa Yogananda.

Depois Jesus encontrou-o no templo, e disse a ele, “Cuidado, sua atitude deve ser íntegra: não peque mais, para que uma coisa pior não lhe aconteça” (João 5:14).

“Jesus estava alertando o homem curado que sua doença tinha sido resultado de suas ações de encarnações passadas assim como comportamento pós-nascimento de sua vida presente; e para que ele não sucumba de novo, ele não deveria continuar nos seus caminhos maléficos. Jesus estava ressaltando a importância de libertar o poder da ação independente de uma pessoa da influência das tendências das ações errôneas do passado. Se as transgressões daquele homem continuassem, o mal acumulado do passado e o mal obtido nas novas ações resultariam numa punição condigna de um desastre ainda pior.

Traços dos malefícios passados ficam escondidos dentro da consciência no cérebro, potencialmente prontos para ser ativados por um estímulo de novas más ações. Essas ações maléficas no entanto podem ser erradicadas com a força eletrizante de sabedoria recém adquirida.

Jesus claramente mostrou que as consequências de pecar, assim como as recompensas da virtude, não vem de causas desconhecidas ou de um decreto de Deus, mas são resultados das ações boas e erradas do ser humano, da leia de causa e efeito, que governa a vida do homem. As pessoas que não levam vidas cientificamente discriminativas atribuem sorte ou azar a um destino inescrutável e lunático. Esse equívoco irracional de uma maneira estranha parece oferecer conforto em seus falso senso de irresponsabilidade. Esse engano deveria ser renunciando corajosamente e substituído por sabedoria. Ao invés de lamentar acontecimentos e culpar o destino, o ser humano deveria adotar um comportamento discriminativo bom, que irá mitigar e contrapor o efeito das ações malignas do passado.

Nesse incidente de cura, Jesus abertamente faz cada homem assumir a responsabilidade por seu próprio sofrimento. Depois afirma que a vida do homem não só é governada pela leia da ação, mas que a reencarnação sozinha pode explicar as diferenças e aparentes injustiças que visitam os seres humanos a partir dos seus nascimentos. O remédio para a doença mental, moral ou física crônica pode ser curada de uma de duas maneiras: ou por intervenção divina direta de um dos intermediários de Deus, e cooperação com seu conselho; ou por adotar boas ações contrárias que irão destruir, ou ao menos reduzir, os efeitos das ações malignas do passado.”

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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