33 pensamentos e reflexões de Kahlil Gibran sobre o coração da vida, o tempo, a natureza e o Nirvana, de “Areia e Espuma”

Em 1927, a poetisa norte-americana Bárbara Young, que assessorava o poeta e filósofo libanês Gibran Kahlil Gibran (1883-1931), propôs a ele reunir num volume os pensamentos que não haviam sido incluídos em outros livros seus, ao que ele respondeu, desfavoravelmente: “Haveria aí somente areia e espuma“. E daí mesmo se fizeram areia e espuma: “Falando assim, viu nesta própria expressão um título feliz. E começou a interessar-se pela obra”, explica a introdução biográfica da versão em português de “Areia e Espuma“, lançado naquele mesmo ano e traduzido algumas décadas depois por Mansour Challita (edição Associação Cultural Internacional Gibran, 1976). Desta obra, com 322 pensamentos e reflexões a respeito da vida, da morte, do ser humano e do universo, 33 foram selecionados e estão abaixo, desta mesma edição e tradução.

Que afirma que este “é um livro de profunda ternura humana“. Escrito quatro anos depois da sua obra-prima, “O Profeta” (1923), “Areia e Espuma” marca a transição de Gibran do ‘vírus Nietzschiano’ para a bondade evangélica. “O escritor que proclamava em As Tempestades que todos os homens são cadáveres pútridos, que é urgente enterrar, afirma agora: ‘Quando alcançares o coração da vida, não te achareis superior ao criminoso nem inferior ao profeta.'”.

Essa coleção me chegou através de um dos aforismos, pequeno mas bem grande, que dizia: “As tartarugas conhecem as estradas melhor do que os coelhos“. Compartilhado ontem na página do Dharmalog no Facebook e Google Plus.

As 33 frases selecionadas estão abaixo:

“AREIA E ESPUMA”, Aforismos Selecionados
Por Gibran Kahlil Gibran (tradução mansour Challita)

— Vi, uma vez, o rosto de uma mulher, e contemplei todos os seus filhos ainda não nascidos. E uma mulher olhou para minha face, e conheceu todos os meus antepassados, mortos antes que ela nascesse.

— Tive um segundo nascimento quando minha alma e meu corpo se apaixonaram e se casaram.

— A lembrança é uma forma de encontro.

— O esquecimento é uma forma de liberdade.

— Medimos o tempo pelo movimento de incontáveis sóis; e eles medem o tempo com pequenas máquinas em seus pequenos bolsos. Agora, diga-me: como poderemos jamais nos encontrar no mesmo lugar e na mesma hora?

— Não podemos atingir a aurora sem passar pela noite.

— Coisa estranha, o desejo de certos prazeres é uma parte de minha dor.

— Minha solidão nasceu quando os homens elogiaram meus defeitos faladores e censuraram minhas virtudes silenciosas.

— Quando a vida não encontra um cantor para cantar o seu coração, produz um filósofo para falar a sua mente.

— O real em nós é silencioso; é o adquirido que fala.

— Se o Inverno dissesse: “A Primavera está no meu coração”, quem acreditaria no Inverno?

— Toda semente é um anseio.

— Muitas doutrinas são como a vidraça da janela. Vemos através dela, mas ela nos separa da verdade.

— As árvores são poemas que a terra escreve sobre o firmamento. Derrubamolas e transformamo-las em papel para registrar nosso vazio.

— Até o espírito mais alado não pode escapar da necessidade física.

— Nunca concordei inteiramente com meu outro Eu. A verdade parece estar a meio caminho entre nós dois.

— Se não compreendes teu amigo em todas as circunstâncias, nunca o compreenderás.

— Eu também sou visitado por anjos e demonios, mas livro-me deles. Quando é um anjo, rezo uma velha preçe, e ele fica entediado; Quando é um demônio, cometo um velho pecado, e ele vai-se embora.

— Quem te dá uma serpente quando pedes um peixe, talvez não tenha senão serpentes para dar. É, então, uma generosidade de sua parte.

— Quando alcançares o coração da vida, não te acharás superior ao criminoso, nem inferior ao profeta.

— A luta na natureza é a desordem ansiando pela ordem.

— Não fosse por nossa concepção dos pesos e medidas, sentiríamos o mesmo deslumbramento ante o vagalume e o sol.

— A morte não está mais perto do idoso do que do recém-nascido. Nem a vida.

— O óbvio é aquilo que ninguém enxerga, até que alguém o expresse com simplicidade.

— Uma raiz é uma flor que despreza a fama.

— Se enchesse a mim mesmo com tudo o que sabes, que espaço ficaria para tudo o que não sabes?

— Um fanático é um orador completa mente surdo.

— Quando chegares ao fim do que deverias saber, estarás no princípio do que deverias sentir.

— Um exagero é uma verdade que perdeu a calma.

— Sim, o Nirvana existe: está em conduzir teu rebanho a um verde pasto, e em pôr teu filhinho na cama, e em escrever a última linha de teu poema.

— As tartarugas conhecem as estradas melhor do que os coelhos.

— Quando tens prazer em amar teu próximo, teu amor deixa de ser uma virtude .

— Todo homem é o descendente de todo rei e de todo escravo que já viveram.

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Foto de mschellhase (licença de uso Creative Commons BYlink)

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Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

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