9 Atitudes de Mindfulness, a atenção plena sem julgar no momento presente, por Jon Kabat-Zinn

O cultivo da mindfulness – a percepção atenta não-julgadora no momento presente – soa muito simples, mas é na verdade o trabalho mais difícil do mundo para os seres humanos“, diz o médico americano Jon Kabat-Zinn, um dos responsáveis pela divulgação e ensino de mindfulness (traduzida muita vezes por “atenção plena“) nos Estados Unidos e outras partes do mundo ocidental, e também fundador da Clínica de Redução do Stress e do Centro de Atenção Plena em Medicina, na Escola Médica da Universidade de Massachusetts (EUA). Num vídeo gravado pela Mindfulnessgruppen, da Suécia, ele explica brevemente 9 atitudes que integram a prática de Mindfulness como ele a ensina nos Estados Unidos, que podem beneficiar e desenvolver tanto a prática de meditação quanto a vida diária.

A primeira delas segue traduzida abaixo, o “não-julgar“. O próprio Kabat-Zinn diz no vídeo que a parte do não-julgar é que é “o verdadeiro desafio“. Em apenas 4min ele dá uma idéia introdutória interessante e útil para quem busca uma vida mais atenta, aberta e mais presente, percebendo sem julgar como as coisas acontecem.

Antes do vídeo, porém, há o vídeo introdutório sobre as nove atitudes – ambos traduzidos e legendados em português.

Apesar de sua ligação direta com o Budismo (com mestres como Seung Sahn e Sogyal Rinpoche, com quem escreveu o livro “The power of meditation and prayer”) e o Ioga, Jon Kabat-Zinn não toma nem ensina sua prática de mindfulness como algo religioso nem sectário, e sim médico e abertamente humano. Ele é o criador do programa MBSR, Mindfulness-Based Stress Reduction (Redução do Estresse Baseada na Mindfulness), que é ensinado em várias partes do mundo, inclusive no Brasil; é autor do livro “Full Catastrophe Living: Using the Wisdom of Your Body and Mind to Face Stress, Pain, and Illness (1991)”, e é membro do Mind and Life Institute, o instituto que reúne cientistas e o Dalai Lama para discussões de pesquisas na área da meditação e neurosciência.

Segue o vídeo com a introdução (3min):

 

E o vídeo com a explicação sobre a atitude de não-julgar (4min):

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Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo capital.

18 Comentários

  • Bacana! Ideias bem similares às do Eckahart Tolle, né?

    Obs: não sei se foi problema só no meu computador, mas o vídeo não está aparecendo. Acabei conseguindo achar no youtube.

    • Sim, Luiza, bem similares. Apesar disso, e apenas a título de curiosidade, o Eckhart Tolle já demonstrou uma certa insatisfação com esse termo “”mindfulness”, porque considera que a mente não está cheia e sim aberta e vazia para o que chega.

      O vídeo está sendo reproduzido normalmente aqui. Se alguém mais não estiver conseguindo vê-lo, por favor, peço que se manifeste.

      Obrigado.

  • eu consegui assistir aos 2 videos.
    Também acho as idéias dos 2 semelhantes e tenho encontrado ultimamente muitos cursos e sites com essa abordagem. Coisas boas e ruins. :)

  • Os vídeos estão visíveis e gostei muito da publicação; gosto sempre de ouvir e ouvir essa sequência de passos que nos leva à percepção de onde devemos dedicar nossa atenção. Ainda mais quando são bem ditas. Muito bom mesmo.

  • Gostei do post. Já vi várias traduções para mindfulness, mas a que mais me traz um significado próximo às descrições é “plenitude mental”. Em geral tenta-se usar “atenção” mas isso remete a um estado de concentração, o que muito genérico.

    • É uma idéia interessante, Gustavo. Realmente “atenção” sozinha, é genérico, até equivocado. O Eckhart Tolle também considera “mindfulness” uma tradução equivocada, pois para ele significaria uma mente cheia, enquanto quer significar um estado de percepção aberto e vazio de (pre)conceitos.

      Mas acho que mindfulness como plenitude mental também tem problemas. Me parece que no estado de sono e sonho pode haver plenitude mental, mas não mindfulness, por exemplo. No estado de vigília, alguém pode estar sendo extremamente criativo, como num cálculo matemático complexo, mas sem consciência de suas emoções ou motivações, ou pode mesmo estar sendo criativo sobre um problema no futuro, sem consciência do que se passa ao seu redor. Ou seja, de um certo ponto de vista pode estar subindo a ladeira da plenitude mental, mas não necessariamente de mindfulness.

      Na verdade, mindfulness seria a atenção sobre a própria atenção, de si mesmo e do seu redor, com as características de abertura, não-julgamento e no momento presente, como Kabat-Zinn define.

      Recentemente vi uma definição que é a seguinte: Atenção ao prestar atenção sobre a atenção é atenção” (Sri V Ganesan). Leva uma meia hora pra capturar o significado, mas depois capta, faz sentido. Há uma aura de conscientização nessa atenção plena que seria também uma definição válida de “mindfulness”.

      É um assunto que traz boas reflexões.

      Nando

    • Oi Fernanda, por favor, peço que tente novamente agora. Por algum motivo que ainda não identifiquei, um código de reprodução dos vídeos estava desatualizado.

      Obrigado,
      Nando

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