A sabedoria cômica de Louis CK: “as pessoas não largam os celulares porque não querem ficar um segundo sozinhas”

Já tá ficando batido o discurso que a atenção escapista que damos aos celulares está aloprando nossa presença física nos ambientes, mas ainda está, e agora temos um discurso cômico e espirituoso a esse respeito: o do comediante americano Louis CK, em entrevista esta semana ao programa Conan, do apresentador Conan O’Brien (Louis CK Hates Phones). Louis CK faz uma comédia “não apropriado para todas as audiências”, digamos assim, mas nesse trecho ele se mantém razoavelmente civilizado e, no meio de ótimas tiradas e risadas, toca com certa seriedade sobre o problema do uso escapista dos celulares (um tema que ele mesmo já havia tocado numa entrevista mais antiga com o mesmo Conan). “As pessoas dirigem e digitam no celulares e arriscam a vida das outras e suas próprias porque não querem ficar um segundo sequer sozinhas“. No meio do seu hilário pessimismo sobre a existência humana, o exemplo que Louis dá de ouvir a música de Bruce Springsteen no carro e não correr pro celular, de deixar o momento de tristeza e da solidão existir (“deixe-o atingir como uma caminhão”), não é só comédia, é a aceitação sem escapismo que ele acabara de falar – e que de certa forma viemos falando aqui com posts sobre desejo e apego. “Temos que ter a capacidade de sermos simplesmente nós mesmos, sem ter que fazer mais nada. De apenas sentar aqui, assim. Isso é ser uma pessoa. Certo?”.

Apenas para ganhar um pouquinho mais de contexto, imediatamente antes da parte que começa abaixo no vídeo, Conan O’Brien havia perguntado a Louis CK como fazia com as filhas que nessa idade sempre querem celulares e com todos os aplicativos etc. Louis respondeu dizendo que “simplesmente dizia que elas não teriam, fácil assim”. E continua: “Digo que é ruim pra elas. ‘Mas eu quero’. Não me importo com o que você quer. (risos). Não estou aqui para fazê-las felizes. Estou aqui para ensiná-las a ser os adultos que serão. Então tenho que educá-las com as ferramentas para atravessar uma vida terrível”. A partir deste momento, o vídeo prossegue abaixo.

A parte da entrevista segue abaixo (4min) com legendas em português (caso não estejam ativadas, clique no controle logo abaixo do vídeo). A íntegra está em inglês no site do Conan. Divirta-se:

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Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

5 Comentários

  • kkkkk Hilário. É bem oque Marshall Mcluhan falou: A “Aldeia Global”.
    Acaba causando um desejo muito forte de se conectar com alguem, chegando até a negligenciar a realidade e o tempo presente. Eu acho que uma melhor compreensão das tecnologias que nos rodeiam ajudaria e muito as pessoas sacarem isso.

    Acompanho o seu blog a pouco tempo mas estou adorando, continue com esse trabalho maravilhoso.

  • Gostaria de aproveitar para fazer algumas recomendações de livros e filmes, os quais possuem não só estreita relação com relacionamentos como também com a dinâmica do funcio?a?ento dos eventos desta vida. Li os livros e pela sua relevância desejo compartilhar com todos.
    Há um ótimo livro, referência em matéria de relacionamentos, o qual se chama: “Por que amamos de autoria de Helen Fisher”.
    Este livro pode ser encontrado nas principais livrarias e também no site: http://www.estantevirtual.com.br.
    Outro livro, referência no assunto Mecânica Quântica”, denomina-se “O UNIVERSO CONSCIENTE de AMIT GOSWAMI, editora Aleph”. Trata da mecânica do universo, ou seja, ajuda a entender como os fenômenos de nossas vidas funcionam na prática.
    Outro livro bem interessante é o “O caminho Infinito de autoria de Joel Goldsmith”. Trata da espitualidade no mais alto nível de consciência.
    Um filme que ajuda a entender a importância deste assunto é: “QUEM SOMOS NÓS”, o qual pode ser encontrado no site: http://www.youtube.com.br
    Ats.

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