A entrevista de Aldous Huxley a Mike Wallace, em 1958, sobre as ameaças à liberdade no “futuro breve” [VÍDEO]

Entrevista realizado em 18 de maio de 1958 com Aldous Huxley, o autor de “Admirável Mundo Novo” (1932) e “As Portas de Percepção” (1954), pelo jornalista Mike Wallace, no The Mike Wallace Interview, com o tema do perigo da redução ou supressão das liberdades pelo uso de tecnologia ou outros dispositivos (energia nuclear, por exemplo) com a intenção maligna de conquistar e manter o poder. A entrevista ainda reflete os ânimos da guerra fria, cita o comunismo, fala do rádio, de eleições, e da solução pra isso tudo.
“Bem, isso é obviamente, antes de tudo, é uma questão de educação“, diz Huxley, citando a necessidade dos valores individuais, mais que isso até, dos valores de grupo, e do fortalecimento do poder do cidadão e do eleitor, de uma descentralização de poder em meio aos desafios da indústria e da política.

Num dos trechos, Mike Wallace pergunta:

Mike Wallace – A questão, claro, que continua a voltar à minha mente é a seguinte: obviamente a política em si não é má, a televisão em si não é má, a energia atômica não é má, mas você parece temer que essas coisas serão usadas de maneira perversa. Porque é que as pessoas certas, em sua opinião, não vão usá-las? Porque é que as pessoas erradas usarão esses vários dispositivos e por motivos errados?

Aldous Huxley – Bem, eu acho que uma das razões é que esses são todos instrumentos para obtenção de poder, e obviamente a paixão pelo poder é uma das paixões que mais movimento o homem, e afinal de contas todas as democracias baseiam-se na proposição de que o poder é muito perigoso e que é extremamente importante não deixar qualquer homem ou qualquer pequeno grupo ter poder demais por um tempo muito longo. Afinal, o que são as constituições britânica e norte-americana senão dispositivos de limitação de poder, e todos esses novos dispotiivos são extremamente eficientes instrumentos para a imposição de poder por grupos pequenos sobre as grandes massas.

Segue o vídeo da entrevista (28min34seg), legendado em português:

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo capital.

7 Comentários

  • entra tempo , novos tempos e a busca pelo poder continua da mesma só com mais intencidade a forma violenta para obte-lo…..Nosso caso aqui no Brasil , mas eles tentam perpetuar o´poder essa turma do ” PT “……

  • Um espetáculo de entrevista. Agradecida.

    Em algum dia o mundo todo viverá sob uma terrível ditadura e amará sua escravidão. –
    O ‘profeta’ Sartre ‘performing’ Cassandra. ‘Sim, ele teve a infeliz satisfação” – resposta a pergunta final do vídeo.

    Quando ele mencionou ‘valores individuais’, trouxe-me “o homem está condenado à liberdade”.
    Nada poderíamos fazer, ao ter de tomar qualquer decisão, a não ser criarmos ou inventarmos a nossa própria saída para o possível impasse no qual estaríamos metidos, exercendo assim nossa liberdade e, enfim, nos responsabilizando pelas consequências de nosso ato.

    “Sartre nunca pensou em uma noção de liberdade que não fosse exatamente esta: a liberdade só se faz presente no momento da decisão. Não há o “espírito da liberdade”. A liberdade é o ato de decidir, de negar uma possibilidade e afirmar outra. Este ato é o ato que consubstância a liberdade; seja para qual lado a decisão penda, o ato que faz a própria liberdade ocorrer é o de decidir. Terminado o ato, a liberdade desaparece novamente, para ressurgir no ato seguinte de decisão.”

    · Paulo Ghiraldelli Jr

    Você pode tomar uma decisão que é ruim ou boa para você, mas o que você não consegue fazer é não decidir (não decidir é, afinal, decidir não decidir – lembre-se).
    O auto-conhecimento levaria a ==> melhores escolhas no momento de decisãi (no exercício da ‘liberdade’?)

    E lembrei-me, também, que em 1951 – I.Bergman dirigia comerciais mostrando que sabonete mata bactérias. (o nível da publicidade era alto – rs).
    Esse mundo pode não andar nos trilhos.
    Pode não ser admirável no sentido nobre da palavra, mas por aqui passou e passa muita gente notável, que só o engrandece e me enche de alento.

    Boa Sorte e bom fds, Norma

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