Dilgo Khyentse Rinpoche e a lição da Milarepa para a vida: Não ter nada do que se arrepender quando morrer”

Milarepa disse: “Minha religião é não ter nada do que se arrepender quando morrer”. Mas a maioria das pessoas não dá nenhuma importância a essa maneira de pensar. Fingimos ser muito calmos e controlados, cheios de palavras doces, para que as pessoas comuns — que não conhecem nossos pensamentos — digam: “Esse é um verdadeiro bodisatva”. Mas é apenas nosso comportamento externo que elas veem.

 

A coisa importante a fazer é não realizar qualquer coisa que possamos nos arrepender depois. Portanto, precisamos nos examinar honestamente.

 

Infelizmente, nosso apego ao ego é tão grosseiro que, mesmo se tivermos sim alguma pequena qualidade, pensamos que somos maravilhosos. Por outro lado, se temos algum grande defeito, nem mesmo percebemos. Há um ditado que diz: “No pico do orgulho, a água das boas qualidades não permanece”.

 

Então, devemos ser muito meticulosos. Se, após examinarnos completamente a nós mesmos, pudermos colocar as mãos no coração e honestamente pensar: “Minhas ações estão todas corretas”, então isso é um sinal de que estamos ganhando alguma experiência no treinamento da mente.

 

Devemos então ficar contentes que nossa prática tem ido bem e nos determinar a fazer ainda melhor no futuro, assim como fizeram os bodisatvas de outros tempos. Com todos os meios devemos gerar antídotos cada vez mais, agindo de modo a estar em paz com nós mesmos.

~ Dilgo Khyentse Rinpoche“Enlightened Courage”, cap. 5

Do site darma.info (licença de uso BY-NC-SA Creative Commons), precioso trabalho dedicado à divulgação do conhecimento para pessoas interessadas no Budismo, com “trechos de livros e escrituras, principalmente do budismo tibetano”. Há mais de uma dezena de textos específicos de Dilgo Khyentse Rinpoche lá, todos em português.

Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

10 Comentários

  • Oi Nando,
    Obrigada por partilhar conosco, suas descobertas, suas pesquisas.
    Alegro-me quando vejo posts do darmalog na minha caixa.São inspiradores; proporcionam insights preciosos e fortalecem nosso propósito na busca de uma espiritualidade fundamentada na EXPERIÊNCIA pessoal, no auto-conhecimento e auto-transformação.
    Acredito que só chegamos a “Deus” quando nos aproximamos de nós mesmos, de nossa excência primordial.
    A sede do infinito que inquieta nossa alma, só é mitigada , quando enveredamos nessa direção.
    Abraços.
    Graça

    • Adoro o blog Nando. Genial. Gostaria de prover meu sustento nesta mesma seara. O cerne da questão parece ser a confusão entre o eu e o ego. O futuro, passado e o agora (verdade). Intelectualmente creio já ter compreendido os conceitos básicos. Todavia é assustador perceber que 99% das nossas ações diárias estão condicionadas ao ego. Fiz o desafio de ficar 5 minutos deitado de olhos abertos para o teto e me permiti pensar em qualquer coisa, ainda q isso me levasse pra longe do agora. Resultado: não consegui ficar 20 segundos na quietude. Amor a todos e ser verdadeiro. Outro belo conceito. Alguém pode me dar um auxílio prático de como começar a vivenciar isso. Percebo que nada mais tem sentido.. Fico feliz em saber que muitos chegam lá. Obrigado pela atenção de vocês.

  • Oi André, você escreve num post sobre Dilgo Khyentse Rinpoche, grande líder da tradição Nyingma do Budismo Tibetano. Você já conhece ou pesquisou sobre essa escola?

    Há o Instituto no Brasil:
    http://www.nyingma.com.br/

    Em que cidade você está?
    Veja nesta lista se algo lhe está próximo:
    http://darma.info/centros/

    O Lama Padma Santem também é desta tradição e tem várias centros pelo Brasil, e tem grande agenda de práticas e ensinamentos. Em fevereiro ele transmitiu um retiro completo pela Internet (informamos pelo Facebook). Posso estar enganado, mas me parece que você busca uma prática de meditação, que estes mestres certamente tem.

    Espero que você faça contato!

    Um abraço grande,
    Nando

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