Rubem Alves e o que a gente ama: “É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.”

O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você…” A gente ama não é a pessoa que fala bonito. E a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.
Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção. Todos reunidos alegremente no restaurante: pai, mãe, filhos, falatório alegre. Na cabeceira, a avó, com sua cabeça branca. Silenciosa. Como se não existisse. Não é por não ter o que dizer que não falava. Não falava por não ter quem quisesse ouvir. O silêncio dos velhos. No tempo de Freud as pessoas procuravam os terapeutas para se curarem da dor das repressões sexuais. Aprendi que hoje as pessoas procuram os terapeutas por causa da dor de não haver quem as escute. Não pedem para ser curadas de alguma doença. Pedem para ser escutadas. Querem a cura para a dor da solidão. (…)”
~ Rubem Alves, em “Se Eu Fosse Você” (do livro “O Amor Que Ascende a Lua”)

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

10 Comentários

  • “A solidão não significa ausência de pessoas à nossa volta, mas sim o fato de não podermos comunicar-lhes as coisas que julgamos importantes, ou mostrar-lhes o valor de pensamentos que lhes parecem improváveis” – Jung

    (Rubem Alves- sempre tão sensitivo)
    b^.^d

  • É isso tudo sim.Muitos são afoitos em falar, escutar lhes parece enfadonho…Mas isso, a abertura de ouvir é um aprendizado…calmo e silencioso…visto ás vezes como sem importância …!Entretanto, a experiência de ouvir calmamente, é uma curtição…

  • Ouvir é escutar o segredo guardado no coração do outro sem fazer julgamento, quem guarda segredo definha em sua própria solidão, quem ouve empaticamente não tem resposta imediatista apenas ouve calado em sua interioridade.

  • Sou fã de Rubem Alves.

    Para mim, uma das maiores virtudes do ser humano espiritualizado é ouvir o outro em silêncio, com o devido respeito que o outro merece e só se pronunciar se lhe for pedida uma sugestão.
    Hoje o mundo moderno fala demais e escuta de menos, não só o outro como seu próprio interior. Portanto não se conhece, não se deixa conhecer e não conhece o outro. É o individualismo matando o eu pessoal e coletivo.

    • Pôxa moça, aki do meu canto, não vejo diferença alguma entre vc e o R.Alves. Ambos demonstraram interesse em se auto conhecer, em algum momento de suas vidas.Só.
      Talvez exista uma diferença. Ele brinca. Ele assina o “A” de Alves fazendo olhinhos e nariz… E você?

      Boa Sorte,

      P.S.: Desculpe-me ‘a colher’, mas pulou aos meus olhos que vcs 2 compartilham o mesmo sobrenome…Pisc*

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