Detalhes insignificantes e ordinários da sua vida são significativos: insights de Chogyäm Trungpa e Linji

O parágrafo abaixo é mais um torpedo esclarecedor do grande mestre budista tibetano Chogyäm Trungpa Rinpoche (1939-1987), mirando mais um dos comuns enganos da jornada do auto-conhecimento, que traz essa importante dimensão do “sagrado” para nossas vidas. O problema é que a criacão ou reconhecimento de uma dimensão do sagrado, mesmo que intelectualmente inclua o todo existente, acaba por desprezar o que considera inferior, ordinário e insignificante na prática. O problema é justamente a discriminação, no sentindo de criar coisas superiores ou inferiores, de valor e sem valor, ao se referir a algo que é absoluto. Vários outros filósofos e mestres orientais já falaram desse assunto de várias maneiras, e uma frase curta de um deles que considero de especial força é a do mestre chinês Linji, que viveu há aproximadamente 1.120 anos e era conhecido por seus métodos de impacto. Ele disse:

“Se você vive o sagrado e despreza o ordinário, você ainda está balançado no oceano da ilusão”.
~ Linji Yixuan, mestre zen-budista chinês (?-886 DC)

O trecho onde Chogyäm Trungpa discorre sobre esse tema é o seguinte:

“São feitas tentativas de desenvolver a atenção consciente através da consciência do corpo, da consciência dos arredores, e também através de trabalhos de grupo de vários tipos. Mas há um problema se nós somos incapazes de nos relacionar e apreciar os detalhes insignificantes da nossa vida do dia-a-dia. Realizar práticas especiais de consciência corporal pode parecer extraordinariamente frutífero e liberador. No entanto, ainda há uma dicotomia na sua vida. Você sente a importância e a seriedade da prática de atenção em que você está envolvido, mas, na verdade, quanto mais você sente que essa coisa é importante e séria, mais o seu desenvolvimento da atenção estará sendo destruído. A consciência real não pode se desenvolver se você está tentando fragmentar sua experiência em categorias e colocá-las em compartimentos”.
~ Chogyäm Trungpa Rinpoche, em “Art in Everyday Life,” (True Perception: The Path of Dharma Art, pgs 27-28).

Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

5 Comentários

  • Nando,

    Me repetindo: Os matérias/assuntos estão sendo significativamente aprofundadas (não que tenha sido em algum momento sem significado). Tenho interesse em assimilá-las/importá-las (essas em especial). Creio que levarei um par de dias para ‘senti-la’. (rs).
    Sempre grata.
    Boa Sorte, Norma

  • O “Eu Maior” (Um filme sobre autoconhecimento e busca da felicidade) – continua com o site ativo

    http://eumaior.com.br/

    para captação de patrocínio pessoa-física (já estão quase lá – 91.6%), além de contar com um grande número de entrevistas (preciosas)já gravadas, à disposição dos visitantes.
    Boa sorte!
    Norma

  • Creio que como somos “unos” o sagrado e o humano (ordinário) não podem ser dissociados. Assim como o corpo não pode viver sem o espírito, e este, necessita da matéria para expressar-se,no mundo físico,valorizar o sagrado negando ou desvalorizando o dia a dia,impede nossa visão global, nossa consciência real.Não podemos separar um do outro.

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