“O que usamos pra resolver nossos problemas é, na verdade, a fonte dos nossos problemas”, David Bohm e o pensamento

“Qual a fonte de todo esse problema? Isso é o que nós estamos preocupados em todos esses diálogos que estamos tendo nesses últimos anos. Estou dizendo que a fonte está basicamente no pensamento. Muitas pessoas pensariam que essa conclusão é insana, porque o pensamento é uma das coisas que temos para resolver nossos problemas. Isso é parte da nossa tradição. Ainda assim, parece que a coisa que usamos para resolver nossos problemas é a fonte dos nossos problemas. É como ir ao médico e ele lhe fazer doente. Na verdade, em 20% dos casos médicos aparentemente é isso que acontece. Mas no caso do pensamento, é muito mais que 20%.

Estou dizendo que a razao pela qual nós não vemos a fonte dos nossos problemas é que o meio pelo qual nós tentamos resolvê-los é a fonte. Isso pode parecer esquisito para alguém que ouve isso pela primeira vez, porque toda nossa cultura se orgulha e tem no pensamento sua maior conquista. Não estou sugerindo que as conquistas do pensamento são negligenciáveis; are conquistas muito grandes em tecnologia, na cultura e em vários outros campos. Mas há um lado disso que nos leva para nossa destruição e temos que olhar pra isso.”

~ David Bohm (1917-1992), físico quântico anglo-americano, em “Thought as a System

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Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

5 Comentários

  • Nando,
    Pegando do título original da matéria a palavra ‘sistema”:
    Só no terreno das hipóteses (e sem fundamentos científicos p/apoiar). Só com elocubrações com nuances religiosas:

    E SE todos nós não tivésemos pensamentos próprios e sim capacidade de captar/selecionar todos os tipos de pensamentos e linhas de raciocínios de uma grande Mente, na qual todos estivéssemos mergulhados?
    Não haveria mentes individuais, só a nossa capacidade de pescar os pensamentos. (Grata pelos peixes! – oi?)
    Sabe quando você encontra uma ‘solução’ captada aparentemente do nada e até se cumprimenta admirado/surpreso com a conclusão? Ou surge um pensamento que não tem muito a ver com você? Tipo, algo desagradável que até assusta? E se essa sintonia fina pudesse ser burilada/aperfeiçoada (sem determinar a via), trabalhada sem elementos químicos?
    Vou tentar dar um exemplo simples para que possam acompanhar e quem sabe desenvolver(gostaria – Pisc*):

    Lembra-se da cena das caravelas que estão fundeadas perto da praia e que os índios não as vê, em “Todos Somos Um”? (É o caso de o cérebro não vê o que não conhece?).
    O Pagé da Tribo (*) começa a observar à orla e analisar as modificações recém existentes dejetos oriundos das embarcações que chegavam até à areia, sujando-a).
    Aqui, cabe (ao meu ver) a visão Budista de Causa & Efeito. O Pagé analisou os ‘efeitos’ e descobriu a ‘causa’. Quando levanta a vista, ele as enxerga. (**)
    Que o pagé era O ‘mais preparado’, o mais consciente/desperto do grupo a descobrir o novo – é certo, afinal era ele que lidava com o ‘sagrado’.
    Agora, há um ‘protocolo de capacitação’ a ser obedecido que refine a sensibilidade e assim permita a fazer as melhores escolhas, selecionar os melhores pensamentos?

    (*) – Ouvi numa palestra sobre a importância do Pagé para comunidade, o seguinte: O Pagé é tão importante para à existência (sobrevivência)da sua comunidade que em caso de sua morte e sem ninguém apto a substitui-lo, o Cacique busca (importa) em tribos amigas alguém capacitado para a função. O lugar não pode ficar vago.

    (**) – Já faz bastante tempo que o assiti, mas creio que essa era a cena.

    Grata pela postagem.
    Boa Sorte, Norma

  • Me lembrei de Raul Seixas quando ele canta ‘meu sofrimento é fruto do que me ensinaram a ser’.
    Sendo assim, como é possível resolver problemas fazendo uso do pensamento, um equipamento ainda imperfeito e falho?

  • ue tocamos o Indivisível, a “Mente Criadora”, da qual emanam todas as soluções. O cérebro físico, por estar submetido às construções psicossociais da humanidade, fica refém de conceitos e preconceitos tidos como certos e, dessa forma, torna-se entrave para encontrarmos as soluções melhores. Concordo com David Bohm:” O que usamos para resolver nossos problemas, é na verdade a fonte dos nossos problemas”.
    Nando, desculpe… esbarrei na tecla errada e o comentário ficou bipartido. Obrigada.

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