Sinceridade, a virtude fundamental a ser cultivada na vida espiritual, por Mirra Alfassa [LIVRO]

O Caminho Ensolarado – Passagens de Conversas e Textos d’A Mãe” (The Sunlit Path, Passages from Conversations and Writings of The Mother), tradução de Carlos Henrique de Andrade.

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Sinceridade, Vigilância, O Poder da Vontade” [TRECHO]
Por Mirra Alfassa, “A Mãe”

Qual é a virtude fundamental a ser cultivada de modo a nos prepararmos para a vida espiritual?

Eu disse isto muitas vezes, mas esta é uma oportunidade de repeti-lo: é a sinceridade.

Uma sinceridade que deve se tornar total e absoluta, pois apenas a sinceri-dade é sua proteção no caminho espiritual. Se você não é sincero, no próximo passo certamente cairá e quebrará a cabeça. Todas as espécies de forças, von-tades, influências, entidades estão aí, vigiando em busca da menor brecha nesta sinceridade, e elas atacam imediatamente através dessa brecha e começam a lançá-lo em confusão.

Portanto, antes de fazer qualquer coisa, de começar e de tentar alguma coisa, antes de tudo esteja certo de que você não apenas é tão sincero quanto po-de ser, mas que tem a intenção de tornar-se cada vez mais sincero.
Pois esta é sua única proteção.

Fundamentalmente, qualquer que seja o caminho que se segue – seja o ca-minho da auto-entrega, da consagração, do conhecimento – se a pessoa quiser que seja perfeito, é sempre e igualmente difícil, e não há senão um meio, um somente, o único que eu conheço: e este é uma perfeita sinceridade, mas uma sinceridade perfeita!
Vocês sabem o que é a perfeita sinceridade?…

Jamais tentar enganar a si mesmo, jamais deixar que qualquer parte do ser tente encontrar um modo de convencer os outros, nunca explicar favoravelmen-te o que se faz a fim de ter uma desculpa para o que se quer fazer, jamais fechar os olhos quando algo for desagradável, nunca deixar passar o que quer que seja, dizendo a si mesmo: “Isto não é importante, da próxima vez será melhor.”

Oh! Isto é muito difícil. Tentem por uma hora apenas e vocês verão quão ex-tremamente difícil é. Por uma hora apenas, ser totalmente, absolutamente sincero. Não deixar passar nada. Quer dizer, tudo o que se faz, tudo o que se sente, tudo o que se pensa, tudo o que se quer, é exclusivamente o Divino. “Eu não quero nada a não ser o Divino, não penso em nada que não seja o Divino, não faço nada senão aquilo que me conduzirá ao Divino, não amo nada senão o Divino.”

Tentem – tentem, só para ver, tentem por meia hora, e vocês verão como é difícil!

Você se sente inquieto, muito miserável, desanimado, um pouco infeliz: “As coisas não estão muito agradáveis hoje. Elas estão do mesmo modo como esta-vam ontem; ontem elas estavam maravilhosas, hoje elas não estão agradáveis!” –Por que? Porque ontem você estava num estado perfeito de auto-entrega, mais ou menos perfeito – e hoje não está mais. Assim, o que era tão belo ontem já não é tão belo hoje. Essa alegria que você tinha em seu interior, essa confian-ça, essa convicção de que tudo correrá bem e o grande Trabalho será realizado, essa certeza – tudo isto, entende, foi velado, foi substituído por uma espécie de dúvida e, sim, por um descontentamento: “As coisas não são belas, o mundo é horrível, as pessoas são desagradáveis.” Isto chega a este ponto: “A comida não está boa, ontem estava excelente.” É a mesma, mas hoje não está boa! Este é o barômetro! Você pode dizer imediatamente a si mesmo que uma insinceridade entrou sorrateira em algum lugar. É muito fácil saber, você não precisa ser mui-to entendido, pois, como Sri Aurobindo disse no Elementos de Yoga: A pessoa sabe se é feliz ou infeliz, se está contente ou descontente, ela não precisa se perguntar, colocar-se questões complicadas para isto, ela sabe! Bem, é muito simples.
No momento em que você se sentir infeliz, pode escrever embaixo: “Eu não sou sincero!” Estas duas frases andam juntas:

“EU ME SINTO INFELIZ.”
“EU NÃO SOU SINCERO!”

Agora, o que é que está errado? Então a pessoa começa a observar, e é fácil descobrir…”

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Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

6 Comentários

  • Penso que a autora identifica sinceridade com perfeição espiritual e,é claro que isso é profundamente difícil.
    A felicidade é inerente à nossa Essência Divina,mas para que a atinjamos precisamos cultivar, acima de tudo, o amor incondicional,que inclui o perdão sem restrição – algo que exige a meu ver, mais do que sinceridade,do modo que a entendemos.
    Creio que o “orai e vigiai” está embutido no conceito de sinceridade que a autora propõe.Se assim for, concordo com ela que a “sinceridade” leva à ascensão.

    • Sua linha de entendimento está muito ajustada à do Curso em Milagres, você certamente conhece, não Clície? A necessidade do perdão e da aceitação como força-motriz de tudo.

      O que eu entendo dessa visão da Mãe é que a sinceridade seria a ferramenta número 1 na travessia, no caminho. Sinceridade, sinceridade, sinceridade. Profunda.

      Namastê.

  • “Sinceridade, Vigilância, O Poder da Vontade” [TRECHO]
    Por Mirra Alfassa, “A Mãe”

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    Gostei do acima como apreciei o anterior dela (ela nunca passa em branco por mim).
    E continuo ‘sentindo’ essa mentora como extremamente sofisticada, dentro da sua aparente simplicidade. Ela retira o ‘gesso’ e diz: Ei, você aí dentro, comece a evoluir…!Ande!
    Veja o que ela propõe: Vigie para ser Sincero, mas ela sabe que você é um sistema sob constante pressão. Pressão interna = desejos. Pressão externa = social. E pressão gera estresse…

    Então, ela reduz/copacta à:
    “EU ME SINTO INFELIZ.”
    “EU NÃO SOU SINCERO!”

    para que esse ‘ser’ se estabelisse e volte a se ‘auto-trabalhar’, de uma forma quase pueril, leve… (Pisc*)

    Eu não quero estar perto quando ela começar a ‘desembrulhar’ o “Eu não sou sincero!”, aki no Dharmalog – Uiiii –
    Grata, Nando.
    Boa Sorte!

  • Nando Querido,

    Seria muito bom!Na torcida.
    Sempre que leio um texto dela, me pego sorrindo…

    Parece que ela confia em todos, com a certeza, de que ao ensinar os primeiros passos já esteja visualizando nossa capacitação futura, o nosso desembaraço a nossa evolução.
    O seu olhar promete-me isso…

    Gasshô _/\_

    Norma

    (P/fv. desculpe-me: tecla ruim = + erros – rs.)

  • Quando cultivamos a sinceridade, tudo se torna mais fácil, abre nossos caminhos, nada pior do que sentir que estamos nos enganando, insistindo em idéias que no fundo não acreditamos, fabricando hipocrisia.E acho que nessa matéria as crianças são nossos maiores mestres.

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