A fadiga que não vem do excesso: Sri Aurobindo e a cura da fadiga no trabalho moderno

“Diz-se que a fadiga vem do excesso de trabalho. Consequentemente, a cura da fadiga é o descanso, quer dizer, não fazer nada. Mas a verdade é que mais frequentemente a fadiga é devida, não ao excesso de trabalho, mas à falta dele, ou melhor, à preguiça ou tédio. A fadiga não deveria ocorrer tão depressa ou tão facilmente se você soubesse como fazer o trabalho. Se estiver interessado no seu trabalho, você pode continuá-lo por muito tempo sem sentir fadiga. E, precisamente, um dos meios para se recuperar da fadiga, é não se sentar e cair em apatia e tamas (desmotivação e depressão), mas assumir um trabalho que desperte seu interesse. Trabalho feito com alegria e entusiasmo calmo é tônico. É descanso dinâmico. Trabalho feito sem interesse, como uma espécie de dever ou obrigação, naturalmente o cansará logo. Assim, o remédio para a fadiga é manter o interesse desperto. Mas há um outro mistério. O interesse não depende do trabalho: qualquer trabalho pode tornar-se interessante, até mesmo a um grau extremo. Não há trabalho que por si sí seja monótono, insipido e desinteressante. Tudo depende do valor que você lhe dá, e compete-lhe torná-lo tão atraente como um romance e tão significante quanto um símbolo.”

(…)

O homem geralmente escolhe seu trabalho ou é obrigado a escolhê-lo por uma preferência vital, um preconceito ou ideia de que seja a espécie de trabalho no qual possa brilhar ou ter sucesso. Esta vaidade egoísta ou este oportunismo podem ser necessários ou inevitáveis na vida comum. Mas quando se deseja ir além da vida comum e aspirar pela vida verdadeira, este apego e esta escolha pessoal tornam-se mais um impedimento do que um auxílio para progredir em direção ao caminho da vida verdadeira. A atitude yóguica em relação ao traba- lho é, pois, aquela de desapego absoluto, de não fazer nenhuma escolha, mas de aceitar e fazer qualquer coisa que lhe seja dada, qualquer coisa que lhe venha no curso normal de sua vida e de fazê-la com máxima perfeição possível. É desta maneira, e apenas assim, que todo trabalho se torna extremamente interessante e toda vida um milagre de deleite.”

~ O Yoga de Sri Aurobindo, de Nolini Kanta Gupta – Partes VI, págs 56 e 57 (tradução de Thalysia de Matos Peixoto Kleinert)

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo capital.

3 Comentários

  • Obrigada por compartilhar esse assunto. Gostei muito.
    O tédio cansa. A inadequação cansa, ou seja, pessoas dinâmicas em funções rotineiras ou vice-versa,a falta de preparo para função cansa, mas cansa muito mais a ideia (errônea)de que se trabalha para terceiros e não para si mesmo… abandonando-se o prazer do exercício e o capricho. ;)*
    ++++++++
    Quem na foto? Sri Aurobindo? Período pós iluminação/despertar kundalini? Interessante notar como se assemlha em postura/aparência (uma atmosfera/pátina) com fotos do Osho, em momento similar, se for o caso. Gostei da foto que entre outros, me remeteu a uma certa representação de Jesus no Monte da Oliveiras. Somos todos um! Uns mais semelhantes aos outros em certos momentos, reflexo de seus caminhar. Fiquem Bem!

    +++++++++
    Ah, sim, em tempo:
    Nando pra ti (e para outros que tem olhos de enxergar o próximo, com gentileza), se ainda não viu, vais gostar. Eu achei espetacular- esse voou (desde cedo) para fora da ‘caixinha’:

    QT
    Homem de 32 anos responde a perguntas feitas por ele mesmo aos 12

    http://oglobo.globo.com/blogs/emcartaznaweb/posts/2012/07/06/homem-de-32-anos-responde-perguntas-feitas-por-ele-mesmo-aos-12-454058.asp

    Quando tinha 12 anos, Jeremiah McDonald tinha muitas dúvidas em relação ao seu futuro – como todo garoto de 12 anos. Mas ele tomou uma atitude que não passaria pela cabeça da maioria dos adolescentes. Pegou uma câmera e gravou uma fita VHS com perguntas para si mesmo, a serem respondidas 20 anos depois.

    Pois hoje, em julho de 2012, o Jeremiah de 32 anos respondeu as perguntas feitas por si mesmo em um vídeo fascinante. O menino questiona se os seus bichos de estimação ainda estão vivos, se o Jeremiah do futuro (presente?) ainda gosta de “Doctor Who” e se ainda desenha. Após ficar alguns segundos pensativo, nostálgico dos seus tempos de desenhista, ele afirma que ficou preguiçoso e virou cineasta.

    Bom, um sujeito que espera 20 anos para fazer um vídeo de menos de quatro minutos certamente não é preguiçoso.

    http://youtu.be/XFGAQrEUaeU

    Unquote
    Boa Sorte, Nac.

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