A vantagem evolutiva das formigas: 4 olhares recentes sobre o “eusocialidade” de espécies dominantes

Quatro matérias recentes trouxeram abordagens interessantes sobre a evolução das espécies e especificamente sobre o papel dos seres “eusociais“, que agem altruisticamente e generosamente pela sociedade, na evolução de espécies dominantes sobre o planeta – principalmente as formigas (e nós humanos). Um dos trabalhos que está fortalecendo a discussão é a pesquisa que está no livro “The Social Conquest of Earth” (A Conquista Social da Terra), do biólogo de Harvard Edward O. Wilson. Abaixo, os quatro links com uma pequena descrição sobre o que se trata.

✚ “Altruísmo Infeccioso: Como uma Colônia de Formigas Se Torna um Sistema Imunológico Social” (Infectious Selflessness: How an Ant Colony Becomes a Social Immune System), da revista Scientific American. A matéria mostra uma pesquisa do Institute of Science and Technology, na Áustria, que descobriu um comportamento coletivo nas formigas que é eficiente no combate à doenças como infecção por fungos: ao invés de isolarem as formigas doentes, elas lambem umas às outras, cuspindo parte e desenvolvendo imunidade com o resto. O filme compara esse comportamento de contato com o recente filme Contágio (2011), que mostra os seres humanos fazendo exatamente o contrário, isolando todos em quarentena e impedido o contato.

✚ “A Sobrevivência dos Altruístas” (Survival of the selfless), da Harvard Gazette. A matéria fala do novo livro do biólogo de Harvard, E. O. Wilson, “The Social Conquest of Earth” (A Conquista Social da Terra), que mostra como o desenvolvimento dos seres “eusociais”, que se comportam pelo benefício de toda sociedade e não apenas por seu próprio benefício, é hoje um dos fatores determinantes de várias comunidades de espécies que predominam no planeta. “É nessa pequena linha evolucionária que estão as criaturas mais abundantes e ecologicamente dominantes na Terra, ao menos as terrestres”, diz Wilson (as formigas sozinhas possuem biomassa maior do que todas as espécies não-humanas sobre o planeta).

✚ “Animais sociais“, coluna de Helio Schwartsman na Folha de S. Paulo. O jornalista e escritor faz um pequeno compêndio sobre a influência social na evolução das espécies, citando o o conceito de busílis (seleção de grupo) nascido com Darwin, passando pelas visões de cientistas ortodoxos como Steven Pinker e chegando em E. O. Wilson (veja acima), citando o livro recente “The Social Conquest of Earth”. Na pauta, as implicações dessas descobertas científicas “pró-generosidade” na arte, na religião e na filosofia.

✚ “Pergunta Científica de uma Criança: Como as Formigas Evoluem?” (Science Question from a Toddler: How ants evolve), do site BoingBoing. A matéria explora a pergunta simples mas intrigante, “Se apenas a rainha dá filhos numa colônia de formigas, como a seleção natural funciona para as outras formigas?”. Não há uma resposta sólida e única, e sim a apresentação do dilema recente que envolve, de novo, Edward O. Wilson e sua pesquisa sobre seres “eusociais”, falando dos aspectos pró e contra, e como não há ainda consenso sobre que força a seleção de grupo possui para espécies dominantes hoje, como as formigas, as abelhas e os humanos.

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Foto de Luke Elstad (Wikimedia Commons).

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

2 Comentários

  • Biologia bombando (é o novo ‘pretinho’ – reconheço que não a tenho na minha cx de ferramentas, como seria indicado p/ uma maior ‘diversão), munida da minha ‘cordinha’ – quem já acampou sabe da importância -, que é a atávica convicção (certeza) de ‘Que a VIDA tende a dar certo’ e que ‘VOCE (aki já é o EUSOCIAL e não o indivíduo – já que na natureza só sobrevive o que tem função) já é um SUCESSO pelo simples fato de estar aqui (existir), invoquei a sapiência (ciência + sabedoria = conhecimento) do Dr. Seuss (um mentor p/esses ‘desafios’):
    “É melhor saber como aprender do que saber.”. E foi muito bom! Agregei conhecimentos ao que já sabia (pouco, é verdade) sobre a constituição da sociedade das abelhas. Há muito que aprender … em vários sentidos.
    Agradeço ao Dharmalog esse inestimável trabalho de coleta (de ‘formiguinha’ no mais amplo sentido/características, que o atual conceito traz em seu bojo).
    Boa Sorte, Norma

    Catei:
    Membros de grupos que dançam e cantam juntos e cultuam o mesmo deus se sairiam melhor ao enfrentar um povo onde cada um só pensa no próprio umbigo e odeia o vizinho. Hélio Schwartsman – Animais Sociais.

  • Nando,

    O Homem é a glória (o projeto mais ambicioso/sofisticado) de Deus (Vida/Natureza). É a Graça de Deus!

    “Ontem, o CERN anunciou, com 99,9999999% de certeza a confirmação da existência do Bóson de Higgs. Higgs estava presente e chorou.”

    e eu vi e me emocionei, também pela sua alegria.

    A partícula não é de Deus mas a emoção do Homem é inalienável…

    +++++++++
    EeVM3 Bóson de Higgs existe, mas não é partícula de D’us.
    Embora a partícula leve o nome de Higgs, importantes trabalhos teóricos também foram desenvolvidos pelos físicos belgas Robert Brout e François Englert. O bóson de Higgs ficou conhecido como “partícula de Deus”, porque, assim como Deus, estaria em todas as partes, mas é difícil de definir. Mas a eral origem é bem menos poética.

    A expressão vem de um livro do físico ganhador do prêmio Nobel Leon Lederman, cujo esboço de título era “A Partícula Maldita” (“The Goddamn Particle”, no original), em alusão às frustrações de tentar encontrá-la.
    O título foi, depois, cortado para “A Partícula de Deus” por seu editor, aparentemente temeroso de que a palavra “maldita” fosse ofensiva.

    http://noticias.terra.com.br/educacao/vocesabia/noticias/0,,OI5516575-EI8399,00-Qual+e+a+origem+da+expressao+particula+de+Deus.html

    Quer dizer, era Goddamn particle, maldita partícula e o editor mudou o nome do prêmio Nobel para God Particle pra não ofender as pessoas!

    Formigas, Homens, Partículas que “adquirem massa” ou não…Deus ‘olhou’ e ficou satisfeito…

    Fique Bem!

    P.S.: Um post da R.Hermann (tb pós em F.Nuclear) me fez voltar – Pisc*

    P.P.S: Only FYG: – “Resource Limit Is Reached
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    Estás acompanhando?

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