“Há de chegar a hora em que com alegria, você vai se cumprimentar ao chegar à porta de casa”, o amor após o amor, de Derek Walcott

“Há de chegar a hora em que com alegria, você vai se cumprimentar ao chegar à porta de casa, em seu próprio espelho,
e cada um sorrirá diante da acolhida do outro, e dirá, sente-se aqui. Coma. Você amará de novo o estranho que era si mesmo.
Dê vinho. Dê pão. Devolva seu coração a ele mesmo, ao estranho que amou você desde que você nasceu, que você ignorou por outro; que o conhece de cor.
Tire as cartas de amor da estante, as fotografias, os bilhetes desesperados, tire sua própria imagem do espelho.
Sente-se. Celebre sua Vida.”
~ Derek Walcott, Prêmio Nobel de Literatura (1992)

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Foto por Simon Blackley (licença de uso BY-ND)
Compartilhado por Gloria Salviano.

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Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo capital.

12 Comentários

    • Andréia,

      Gostaria que você sorrisse diante da tua capacidade de sentir e se emocionar.

      Boa Sorte!

      Em tempo: Tudo passará. Acredite.

      ++++++++++++++++++++++++++++++++

      Nando,

      O gancho que me pegou foi o “descasque” a sua própria imagem do espelho (literal). O descascar não é um ato (visualmente falando) que se faça de pronto. Não para mim. Não faz sentido agir descuidadamente ‘ferindo’ o que se quer sacar. Há uma tradução para o espanhol onde traduziram(quem ???) “peel” como ‘desapega’.
      Enfim, declaro-me não confiável, pois Poesias são vistas por mim sob a mais ampla subjetividade, o que me torna uma “expert” rasa como um pires – rs.
      +++++++++
      “Mas o espírito fundamental do poema está no que vc falou, está naquele que traz em si as próprias condições que busca” (sic)

      “Tanta gente iluminada já falou isso, de Buda a Rumi” (Nando)
      Vejo um link aí: Entre a ‘busca’ e a gente iluminada citada.
      Como a musa da síntese já virou o meu retrato para à parede, fica para uma próxima um Conto Budista entre um Mestre e seu Aluno sobre a iluminação, que recordei qdo li o acima, super adequado.

      Boa Sorte!

      ++++++++++++++
      P.S.: Nando, vc notou que a energia dos comentários do Blog ganhou uma contribuição saudavelmente marciana, de uns tempos para cá, com a presença (INDISPENSÁVEL)do aumento do ‘pensamento’ da ala masculina? Eu senti e gostei muito. Caso negativo… não me desiluda. Gosto do equilíbrio. Pisc*
      (Sacar Rumi falando de Amor – é golpe não permitido pela Federação! rs.)
      ++++++++

      ESTÚDIO REALIDADE (Rodrigo Garcia Lopes)

      “Storm the Reality Studio, and retake the universe” (“Assaltem o Estúdio Realidade, e retomem o universo”) WILLIAM S. BURROUGHS

      http://estudiorealidade.blogspot.com.br/

      AMOR DEPOIS DE AMOR (Derek Walcott. Tradução: Rodrigo Garcia Lopes)

      Vai vir o tempo
      em que você, exaltado,
      vai saudar a si mesmo chegando
      à sua própria porta, em seu próprio espelho,
      e vão trocar sorrisos de boas-vindas,

      você vai dizer, sente-se. Coma.
      Vai amar o estranho que um dia você foi.
      Dê vinho. Dê pão. Devolva seu coração
      pra ele mesmo, o estranho que o amou

      por toda a sua vida, e a quem você ignorou
      por outro alguém, que o conhece de cor.
      Pegue da estante as cartas de amor,

      as fotografias, as anotações desesperadas,
      descasque seu reflexo do espelho.
      Sente-se. Sirva-se da vida.

  • Ah, Que bom o Dharmalog ter trazido esse lindo poema!
    A semana vai ser boa. Grata.

    Esse sentimento (a descoberta no espelho seria Ágape = aquele que vem para revelar? e o posterior – Philia?), que deveria ser comum a todos e que por vezes, temos a sutil sensação de ‘sua presença”, jamais poderia ser embotado, por nada nem ninguém.
    Ele é o “como a TI mesmo”.
    Está além do ego e é mais que auto-estima, ao meu ver.

    ++++
    Há algumas traduções dele. A de Rodrigo Garcia Lopes (que como tradutor, publicou Sylvia Plath – Uau! – rs.) me passa a ideia de um processo para se chegar ao âmago, ao cerne do SER – a sua essência.

    (…)
    “peel your own image from the mirror.
    Sit. Feast on your life.”
    (…)
    descasque seu reflexo do espelho.
    Sente-se. Sirva-se da vida.

    É esse ser sentado, banqueteando-se da vida, que vai torna-se um ima para o AMOR, devidamente capacitado pela sua condição de amável, gostável, adorável (no sentido daquele que desperta tais ‘inspirações’ nos outros, porque AS traz em si).
    Sendo assim,penso que devemos tentar ficarmos perdidamente apaixonados pela mais ‘certa’ pessoa jamais encontrada em nossas vidas e com a única que viveremos (felizes?) para sempre, pois não? Nac.

    • Só você mesmo pra fazer uma adição dessas, Norma. Agradeço muito – e acho que em nome de todos.

      Fiquei curioso pra conhecer a tradução inteira do Rodrigo Garcia Lopes. Se puder, traga pra gente.

      Sobre essa parte que você trouxe, “Celebre sua vida” me parece bastante direto, íntimo, mais imperativo, e também mais comemorativo do que a frase de Garcia Lopes. “Sirva-se da vida” tem algo mais tranquilo e mais opulento, traz a imagem de banquete e de uma certa posição central do ser nessa mesa. Literalmente, há apenas um “your” que o Rodrigo não traduz. Sobra o “feast”.

      Mas o espírito fundamental do poema está no que vc falou, está naquele que traz em si as próprias condições que busca. É uma reconciliação. “Devolva seu coração”.

      Tanta gente iluminada já falou isso, de Buda a Rumi (“Durante muito tempo eu bati na porta…”), mas às vezes o poema tem uma força diferente, uma energia forte, viva, que chacoalha algo muito além do raciocínio cerebral que busca o entendimento de uma verdade. Chacoalha tudo. Como disse a Déia, “não sei se sorrio ou se choro de emoção”. :)

      Namastê!

  • Gente,

    Pelo tema AMOR (com letras garrafais, abordado no post) e pela comemoração da data, gostaria de compartilhar um texto do L.Boff:
    Quote
    Sou muito ingênua, L.Boff, boba mesmo!
    Como ainda posso me surpreender com as pessoas que admiro, pelo simples fato delas, reiteramente, trazerem à tona, as razões porque as amo. O Mestre Jesus, certamente, aplaudiria a forma como você contou a Sua História. Você também é um maravilhoso contador! Obrigada!

    “Todo visionário sofre. A realidade resiste ao sonho. (…) Quanto de humanidade aguenta o ser humano?”
    Boff falando do seu ídolo e exemplo: O Mestre Jesus Cristo.

    “Era visionário e grande contador de histórias.
    Alguém que acha que: Sonho que se sonha só é pura ilusão.
    Por isso queria sonhar com outros.
    (…)
    Fez um dos maiores milagres de sua vida: transformou água em vinho e não vinho em água.
    Para que a festa se desenrolasse alegre até de madrugada. Não admira que pessoas invejosas de sua liberdade o chamassem de comilão, de beberão e de amigo de gente de má companhia.

    Dá para não amar um ‘vivente’ – histórico ou não – , com tal qualificação? E o seu “cronista”? Dá? Nac)

    http://leonardoboff.wordpress.com/2012/04/02/como-irrompeu-na-evolucao-o-homem-novo/

    Leonardo Boff escreveu Jesus Cristo Libertador, Vozes.

    Boa Sorte, Norma

  • Déia,

    Primeiro escute o seu coração. Se ele te pedir para chorar, chore com vontade até esgotar todas as lágrimas.
    Só então, não importando se você vai rir ou chorar, sente e celebre.
    Estou inteiramente com o Nando quanto ao seguinte aspecto: se você chegou aonde o Walcott quis te levar, você pode confiar no seu coração.

  • Olá a todos!
    Pode parecer um exagero, mas senti uma epifania ao ler esse texto e os comentários extasiados de vocês.
    Há muito tempo (ou talvez nunca) não me sinto assim.
    Muito obrigado por esses momentos…

  • Norma,

    Li este post às pressas e dei meu palpite também às pressas pois tinha um compromisso com minha mãe.
    Assim, somente agora estou podendo ler os seus comentários.
    Você é show de bola!
    Obrigada por ser tão generosa.

    • Áurea,
      Nem vou agradecer. É indevido. Porque está ‘qualidade’ não está em mim e sim em você: na sua capacidade de identificá-la e/ou traduzi-la como tal.
      Mas, aproveitando que estou aki, fiquei de repassar um conto do Osho, lembrado pelas palavras do Nando, em seu comentário. É o seguinte:

      QT
      É você que se esconde

      Você pode se encontrar porque é você que se esconde
      A iluminação não é algo a ser alcançado, é algo a ser vivido.
      Quando afirmo que alcancei a iluminação, quero dizer simplesmente que resolvi vivê-la. Só isso! E desde então a tenho vivido. É a decisão de não querer mais criar problemas – só isso. É a decisão de parar com toda essa besteira de criar problemas e encontrar soluções.
      Toda essa baboseira é um jogo que você joga consigo mesmo – você se esconde e você mesmo procura, interpretando os dois papéis. E você sabe disso! É por isso que, quando falo disso, você ri.
      Não estou falando de nada ridículo – você compreende. Está rindo de si mesmo. Observe-se rindo, veja seu sorriso – você compreende. Tem que ser assim porque é seu jogo: você se esconde e aguarda ser descoberto por si mesmo.
      Pode se encontrar agora mesmo, porque é você que se esconde.

      É por isso que os mestres zen batem na cabeça das pessoas. Sempre que alguém diz: “Eu gostaria de ser um Buda”, o mestre fica muito zangado. Pois a pessoa está dizendo bobagem.
      Ela é um Buda.

      Se o Buda vem até mim e pergunta como ser um Buda, o que posso fazer? Bater-lhe na cabeça. “Quem você acha que está enganando? Você é um Buda.”

      OSHO, em “A Música Mais Antiga do Universo”

      Nando, Áurea, Peter e todos os demais:”Quem você acha que está enganando? Você é um Buda.”
      Boa sorte!
      Norma

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