“6 Passos para Viver neste Momento”: dicas da Psychology Today para nossa era da distração

Um dos ensinamentos mais simples de entender e um dos mais desafiadores: viver no momento presente. A revista americana Psychology Today criou uma reportagem especial intitulada “A Arte do Agora: Seis Passos para Viver Neste Momento
(“The Art of Now: Six Steps to Living in the Moment“) listando medidas essenciais para se livrar das inúmeras diversões e ocupações do mundo tecnológico e midiático contemporâneo e conseguir viver, enfim, aqui e agora. “Vivemos na era da distração. Ainda assim um dos paradoxos mais agudos da vida é que seu futuro mais brilhante está na sua habilidade de prestar atenção no presente“.

Os passos foram elaborados pelo jornalista canadense Jay Dixit, aparentemente embasado nos escritos sobre “mindfulness” (“atenção”) do Budismo, Taoísmo, Yoga e muitas tradições nativas americanas. “É o motivo pelo qual Thoreau foi para o Lagi Walden; é sobre o que Emerson e Whitman escreveram em seus ensaios e poemas“, diz Dixit.

“Todos concordam que é importante viver no momento, o problema é como”, diz Ellen Langer, psicóloga em Harvard, autora do livro “Mindfulness” e uma das entrevistadas da matéria.

Abaixo, um resumo dos seis passos, traduzidas para o português. A matéria completa em inglês está aqui.

1. Para melhorar seu desempenho, pare de pensar sobre ele (não-consciência-de-si-mesmo).

“Pensar demais no que você está fazendo faz com que você faça pior o que você está fazendo”, diz a matéria, citando o exemplo de como ficamos nervosos ao entrar numa pista de dança, preocupados demais com como estamos dançando, e prestando atenção de menos na própria música.

Pra conseguir dançar com a música, você é obrigado a entregar sua atenção para o ritmo dela. Ao fazer isso, seu foco muda automaticamente de você e de seu desempenho para a música.

2. Parar evitar ficar se preocupando com o futuro, foque no presente (degustação).

A matéria lembra o livro “Comer, Rezar, Amar”, de Elizabeth Gilbert, que cita uma amiga que, sempre que vê um lugar bonito, exclama alto: “É tão bonito aqui! Quero voltar aqui um dia!”. Gilbert diz que “isso exige todas as minhas energias persuasivas para convencê-la que ela já está aqui”.

Diz a matéria: “Frequentemente nós ficamos tão emaranhados em pensamentos do futuro e do passado que esquecemos de experimentar, e ainda menos de curtir, o que está acontecendo agora. Nós tomamos um gole de café e pensamos, ‘Não está tão bom quanto o que tomei semana passada’. Comemos um biscoito e pensamos, ‘Espero que o biscoito não acabe’.

3. Se você quer ter um futuro no seu relacionamento, habite o presente (respire).

Whitney Heppner e Michael Kernis, da Universidade de Georgia (EUA), dizem que “a atenção neutraliza os impulsos agressivos nas pessoas”, informa a matéria. Reduz o envolvimento do ego, aumenta o auto-controle e “faz você perceber o que os budistas chamam de ‘reconhecer a faísca antes da chama'”.

4. Para aproveitar ao máximo o tempo, perca a noção dele (fluxo).

Esse é um tema meio esotérico, mas que os psicólogos estão tentando explorar cada vez mais: o que chamam de fluxo (flow). “O fluxo acontece quando você está tão compenetrado numa tarefa que perde noção de tudo que está em volta de você”, diz a matéria. “O fluxo incorpora um aparente paradoxo: como você poderia estar vivendo no momento se você não está nem consciente dele?”

A matéria não responde a esse paradoxo, mas é uma questão interessante. Talvez exista uma mistura na interpretação dessa pergunta, entre atenção e uma quase-obsessão na ação de uma tarefa. Tema para outro post – ou talvez para algum discurso já pronunciado que nos ajude a entender melhor (se alguém tiver uma fonte e puder compartilhar, o Dharmalog agradece).

5. Se algo está lhe incomodando, mova-se em direção a ele e não para longe dele (aceitação).

Esse é um dos mais interessantes, pois ajuda a desbloquear padrões mentais e emocionais que certamente iriam voltar para lhe incomodar no futuro. A matéria aconselha “estar aberto para o modo como as coisas são em cada momento sem tentar manipular oumudar a experiência – sem julgar, se apegar ou evitar”.

6. Saiba que você não sabe (engajamento).

Essa lembra o conhecido adágio do filósofo grego Sócrates: “Tudo que sei é que nada sei”. Ellen Langer, aquela psicóloga entrevista pela matéria, diz que “a melhor maneira de evitar blackouts é desenvolver o jábito de estar sempre notando coisas novas em qualquer situação que você esteja”.

E completa: “Nós nos tornamos indiferentes porque uma vez que achamos que sabemos algo, paramos de prestar atenção a isso”.

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Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

17 Comentários

  • Realmente o que há de mais concreto é o PRESENTE o PASSADO já foi vivenciado da maneira que você estava disponível – preparado para deixar ou não deixar “mas” aconteceu. O FUTURO é uma ilusão – idéia poderá acontecer ou não portando o que temos de concreto é o momento PRESENTE. Será uma benção estarmos INTEIRO – CONSCIENTE – LÚCIDO, ou buscar este ESTAR.

    Sou muito grata por receber Dharmalog, aprendo muito, sempre.

    • Um ótimo habito de hackear a vida, pena que alguns não tenham a capacidade de discernir o quão bom é meditar e se entregar inteiramente para o agora. Pois vivem suas vidas estressadas, com altos níveis de cortisol no sangue, danificando seus neurônio hipocampais, afetando diretamente a glândulas endócrinas, percebe e associa o corpo diretamente com o espirito. Altos níveis de cortisol não permite que você viva no agora, regule ele e mantenha-se presente.

  • A questão do flow que te angustiou, Nando, se resume no estado de Presença. Vc está tão presente com todos os seus corpos – fisico, mental, energetico, emocional, espiritual – que parece um obcecado – operando um paciente, dirigindo uma sinfonica, escrevendo um artigo, dançando uma peça. Como o ego não está engajado, e sim sua integralidade como um SER, não existe a presença do observador/julgador registrando seu processo. Vc é ao mesmo tempo impecavelmente presente e absolutamente não preocupado com os frutos, os resultados da ação. Um estado mindfull dos mais fascinantes e raros, que quando acontece nos parece um satori, uma iluminação, de tão forte e inesquecivel, embora não nos lembremos exatamente de como aconteceu, pois o registro que fica é da experiência…

    • Eu compreendo, Mirna. Mas o que achei interessante, e não especialmente angustiante, é a diferença de uma ação compenetrada mas com a presença do ego, e há vários ações extremamente intensas que fizemos onde o ego está não só presente mas como é o motivador de tudo, com a ação desapegada e pela ação em si. Às vezes a diferença é óbvia, mas às vezes é tênue.

      Talvez tenha a ver com uma confusão parecida que se faz entre o aproveitar o dia, de um modo niilista e/ou hedonista, com o aproveitar o dia estando “simplesmente” impecavelmente presente.

  • Ótimas dicas!
    2. Parar evitar ficar se preocupando com o futuro, foque no presente (degustação).
    Isso me lembra exatamente quando a gente guarda a cereja do bolo pro final. Ou quando as crianças comem o recheio do biscoito por último.

    4. Para aproveitar ao máximo o tempo, perca a noção dele (fluxo).
    Essa atenção pode ser consciente (voluntária) ou inconsciente (involuntária). Mas não exatamente, pq aí vem o paradoxo de que vc falou.
    Isso acontece quando a gente simplesmente esquece do tempo (futuro, aquilo que temos que fazer depois).

    Isso me lembra quando eu tô desenhando e me perco nas minhas ideias (é o que é “estar no mundo da lua”), na minha atenção dedicada quase despercebida, e quando eu me desespero na ansiedade de ver o desenho pronto.

    Muito bom, o blog! Parabéns!!

    • João, quando as crianças comem o recheio do biscoito por último é pq já estão “crescidas”. Criança que é criança mete o dedo no brigadeiro que tem em cima do bolo e come logo o melhor. Sem cálculo. :)

  • Estou descobrindo aos poucos o valor do momento presente, o que eu não consigo administrar é o passado. Sempre me persegue, principalmente neste momento que estou com um problema emocional, por mais que sei que as coisas que irão acontecer e será inevitável, tanto para minha felicidade ou não, o que realmente me atrapalha é meu ego. Sei que posso gostar de outra pessoa, mas insisto em esperar este amor que sei que não é real(no sentido de não ser correspondido), uma ilusão.

    • Francisco, tudo isso é difícil. Muito difícil, dependendo das circunstâncias e de onde a gente começa a ver essas coisas, a realidade e as ilusões. Vá com calma. :)

      Acho que quanto mais valorizamos o momento presente, mais “administrável” fica o passado. Quando seu passado “vencer” a hierarquia na sua mente, é porque você desvalorizou automaticamente o presente.

      Na verdade, isso que estou dizendo é a maior besteira. Não tem porque valorizar ou desvalorizar o presente. Ele é o que há. Nenhuma outra coisa existe aqui e agora. Você nem pode dar valor, porque o que há é a única coisa que há valor, todo o valor, e essa é sua própria medida da realização desse fato, do real. Ou seja, “dar valor” é uma ilusão. É um truque pró-sofrimento.

      Namastê.

  • Eu tenho sindrome do pânico. O exemplo 5 acho que se encaixa perfeitamente na minha vida. Pois eu tento fugir de coisas que me façam ter um crise. A partir de hoje vou até elas, quando meu pensamento disser não saia eu vou sair. Obrigado pelo artigo.

  • Estou passando por uma fase difícil de término de uma relação. “Passando”. Vi o documentário “você pode curar sua vida”, da Louise Hay, no you tube. Fala sobre nossos pensamentos que criam nossa realidade e que esses pensamentos podem ser modificados. Fala sobre o momento do agora. Comprei o livro de mesmo nome. Vale a pena, para quem quiser.
    Que todos nós aprendamos a viver o agora. Que tenhamos paz!

  • A matéria estava fluindo bem até o momento em que li “desenvolver o jábito” por favor, se esta palavra tem sentido me expliquem, se não, que quem escreveu a matéria corrija. Obrigada.

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