A renúncia da desigualdade: as experiências e as compreensões de Eduardo Marinho, no TEDxDaLuz [VÍDEO]
Há alguns anos rolou na Internet o vídeo de um artista de rua colando suas pinturas e desenhos na parede de um casarão, num bairro do Rio, e explicando sua realidade num discurso político social intenso sobre igualdade. O nome dele era Eduardo Marinho e ele foi um dos convidados, em 20 de novembro passado, do TEDxDaLuz, em São Paulo, realizando uma palestra de 17 minutos contando sua experiência quase-franciscana de abandonar tudo o que tinha para viver em igualdade com quem não tinha nada (em termos de posses materiais educação convencional), rejeitando o que chama de hipocrisia vigente e seguindo sua intuição.
Numa conversa ao final da palestra, ele reagia aos cumprimentos dizendo que “o pior é que o que eu falei não é nenhuma novidade“. Não é, e algumas vezes parece ser um discurso utópico antigo, quase ingênuo, mas o que chama a atenção é a verdade que se sobressai dele, e a trajetória de vida que Eduardo percorreu pra encontrá-la. Com as impressões intuitivas, as observações das diferenças e até mesmo com as representações de sonho, ele não criou o caminho perfeito, mas criou o caminho genuíno dele mesmo.
O vídeo da palestra – “O que a razão não alcança” (17min15seg) – foi publicado pela organização do TEDxDaLuz e segue abaixo:

Fico com o coração cheio de presença com palavras e experiencias como a de Eduardo Marinho. São palavras necessárias no nosso dia-a-dia para nos reconectar com algo que há muito perdemos … mas está voltando. Espírito humano é mais poderoso do que condicionamentos, conceitos e o desamor. A busca é dos seres, a intuição é possível, e a graça é sentida por pessoas como Eduardo.
Até onde pude sentir, parece ser sincera e satisfatória (p/ele) essa vivência/verdade escolhida para trilhar, compatível com o seu sentir e pensar.
Senti que falta menção a situações de desafios/obstáculos próprios (não considerando a função de terceiros para suprir a necessidade de abrigo & alimento), que qualquer escolha traz em seu bojo, por si só e, que ele também enfretaria se tivesse seguido qualquer uma das carreiras que iniciou, principalmente num centro urbano. Viver ‘preso’em um condomínio não significa, necessáriamente, que se tem ampla “liberdade” dormido sob uma marquise. Ambos implicam e regras e normas a serem seguidas. (Sendo que os chamados desvalidos ainda ‘precisam’ de 3ºs, para suprir sua alimentação, já que não existe autosuficiência nesse quesito).
Pedir por comida é uma ação de risco, já que poderá ser dada ou não. A escolha não é de quem pede…)
Em um certo momento…maniqueísmo (oi?) – Lembrei-me da máxima: “Nem todos os pobres são honestos e nem todos os ricos são ladrões.”
A posição que ele chegou (nclua aí o TEDxDaLuz), a bem sucedida experiência de sobrevivência nas ruas, seu português perfeito e suas ideais organizadas e concatenadas que levaram a essa versão atualizada do Eduardo de 20/11/2011 deve-se a um somatório da bagagem de conhecimentos/experiências/valores agregados a ele desde da tenra infância e custeada por alguém, porque se assim não fosse: o resultado seria outro…
Gostei bastante da sua linha de pensamento, porém para mim, o resultado ‘feliz” que ele consegui, constitui a excessão e não a regra, porque ele já partiu de uma patamar bem acima da maioria e que, felizmente, permitiu que ele compartilhasse o seu pensamento com todos nós. Que bom! Grata.
Norma,
Que tal se começarms a somar as exceçoes? Quem sabe se elas existem mais do que pensamos? Temos que escutá-las já que as maiorias não estão oferecendo mudanças. Acredito no abraçar as esperanças, a possibilidade de mudanças para todos e de tods– ricos e pobres, homens e mulheres.. uns e outros.
Muito boa ponderação, Norma. Fiquei pensando em várias questões aqui.
O caso dele é de fato particular, uma experiência que serviu pra ele e que não traz, como vc bem disse, a liberdade e a consciência para qualquer um que tente a mesma coisa. O q me parece importante e indispensável é a “motivação-mestra” dele, e também que nós não usemos desculpas pra ignorar o que ele vê e sente, que é muito verdade, só porque ele construiu uma trajetória que não tem vocação pra regra. Não precisamos sair de onde estamos nem concordar nem negar nem evitar. Talvez apenas não ser conivente seja um bom começo, tem potencial criativo de igualdade. Mudar por dentro é uma boa missão, não?
Oi, Nadja:
B.Tarde. Eu tb vi com os teus olhos a palestra do Eduardo. Eu tb gosto do que ele fala. E sei que ele não é o único. Tem gente que parou de falar. Tem gente que hoje só corta unhas de velhinhos abandonados em Asilos, tipo “Eu faço o que posso fazer!” – saindo do conforto de sua casa para pegar em pés cascudos dos esquecidos pelas suas pp famílias, coisa que ninguém sabe que ela faz e que ela chama de trazer conforto a quem já “camelou” tanto nessa vida, exceto eu,e volta de lá cheia de sabedoria…há muito “conhecimento” em vias de se perder.
Apenas não poderia deixar de notar (olha, eu falo por mim – ponha na coluna dos ‘achismos’ – não há embassamento algum) que ele VIVE uma filosófia PRÓPRIA. Que desenvolveu a partir de dados que foram fornecidos/armazenados lá atrás e que lhe deram um grande handicap para superar a fase inicial “do vou sair para mundo”. A logistica de morar/viver sem nenhum $$$ não é fácil e não tem nenhum glamour em ter piolhos. E só perguntar a quem a três gerações habita uma calçada sem nunca ter exercido essa escolha. Ser invisível é muito dolorido.
N., é que na hora eu me lembrei de uma palestra que assisti no Pedro II – sede (sou do RJ),aos 14 anos, dada por um sobrinho-neto da Indira Gandhi, na qual ele disse e eu guardei juntamente com a sua belíssima figura: Só se vence uma ideia com uma idea melhor.
A ideia do Eduardo é a ideia melhor, mas ao desenvolvê-la não corremos o risco de criar um outro sistema parecido do que fugiu? A mudança dele se concetizou porque foi de dentro da fora. Fazia parte dos seus (dele) quereres.
Vc me honrou com o seu comentário.
Grata, Norma
Nando,
(no agora do AGORA – estou olhando para vc com extremo respeito).
É ISSO!
A gente não precisa aprender a ser IGUAL. A GENTE PRECISA A NÃO APRENDER A SER DIFERENTE.
Que começa a ser estimulado aos 3/4 anos, porque até então …não faz a menor diferença. Somos bombardeados por todos os lados a notar as diferenças. Eu tenho/sou….você não tem/é!!!
A ação adotada pelo Eduardo funcionou com ele(aquele é o processo dele. que serviu para ele com as FERRAMENTAS que ele já trazia em sua bagagem cultural/emocional). Ele agiu como um revolucionário – as ideias ‘cozinharam’ em sua mente, por um bom tempo – e não como um rebelde sem causa); o meu começa em mim. Tem um viés “brabo”, meio “casca grossa” nesse caminho (viver sem $$$ = ser sem teto) que combinamos não ver: uma mente em (perfeito ?) equílibrio e a necessidade de anestesia para ‘fugir’ do mundo que renego (drogas como gerador do caos pessoal) e que rola em grande escala e que eu vejo como tentativa para aplacar Dores de Alma.
Grata.
P.S.: Sim, sim – pode se ter flash de liberdade e/ou iluminação até dentro do Shopping ou no Metrô às 18:00 hrs… talvez não seja tão fácil, mas é possível! (rsrsrs).
Belíssimo relato, Leopoldo. Reflexões importante sobre o que o Eduardo Marinho falou.
Sobre as 4 alternativas, gostaria de acrescentar uma visão um pouco diferente. Entendo que o “sistema” exista, mas acredito que falar dele todo o tempo como algo sempre gigante, mastodôntico, e inflexível é contraproducente – e às vezes simplesmente não verdadeiro. Algumas vezes realmente batemos a cara numa mega estrutura maléfica e poderosa, mas às vezes encontramos realidades maleáveis e até passíveis de ruptura e transformação.
Mais do que isso, só acessamos o “sistema”, na maior parte das vezes, no nosso pequeno alcance local: o supermercado do bairro, a farmácia da rua, os políticos da cidade, os comportamentos dos vizinhos, o trânsito do trajeto casa-trabalho, etc. O sistema mastodôntico se resume a essa dimensão em boa parte do tempo, ainda que ele obedeça ou herde características de algo de outro lugar, ou global. Ainda assim, o supermercado local atende ao público local, e muito dos “comércios locais” se adaptam às demandas específicas de cada lugar. “Lugar”, nesse caso, somos nós.
Só pra dizer que, das 4 alternativas (tomando a 1 como descartada), a 2 e a 4 são impossíveis e, eu diria, possivelmente covardes. Não há como se isolar do mundo quando ele é intrinsecamente interdependente. Você pode tornar sua vida menos conivente, pode se preservar de participações prejudiciais, mas não pode evitar sua parte. Ter consciência não pode significar se abster da sua parte, por mais inefetiva que sua ação possa parecer. Ter consciência não pode significar “só faço se eu ver o resultado hoje”.
PS: Louváveis suas mudanças e sua inquietação. Esse blog tem um pouco dessa receita (e também sou jornalista por formação). Tenho certeza que seu caminho será frutífero e muito mais realizador do que o anterior.
Namastê!
Oi, Leopoldo,
“Escute-me” amorosamente. Porque é assim que estou tentando escrever. E já que não sou dotada de síntese, vou me policiar. Note que, só falo por mim, baseada nos meus ‘parcos’ conhecimentos (leia: vivência).
Aki no Dharmalog (sou récem-chegada)é focado no auto-conhecimento (gosto de hífens)até onde pude constatar. A posição “de centro” que o Eduardo assume (assim como qualquer um que esteja buscando a sua verdade e melhorias para coexistência dos habitantes desse planeta)é MÉRITO pessoal dele. Somatório e análise de suas vivências, no patamar que ele se encontra. O discurso dele me é familiar até certo ponto. A novidade foi trazida pela necessidade que ele sentiu de participar daquele habitat. O Gabriel Pensador pode falar de Cátedra (e fala)e não necessitou de tanto.
1º Para. “Quando a gente vê a favela por fora, vemos uma coisa hedionda,” -
essa frase não é das mais felizes… Para mim.
Eu nesse exato momento posso estar comunicando com você da Favela da Maré,por exemplo.
E que ‘pobre’ é esse que estamos falando? Se nos limitarmos só ao Brasil, aonde ele está?
No Porto de Trombetas – onde 20 anos atrás você levava uma menina impubere de 10 anos para o mato em troca de uma lata VAZIA de leite condensado? No agreste Pernambucano – na época da seca, sendo proibido comer os grãos do feijão propriamente dito, para que dure mais? Ou no interior do Paraná – celeiro de tráfico de crianças? São realidades completamente diferentes. E quanto tempo durou essa vivência do Eduardo? O que ela resultou de concreto, de efetivo além da realização pessoal (Quest) do Eduardo? Ou, o trabalho foca somente em conscientizar um maior número de pessoas? Estou te perguntando porque a mim, você me parecer ter um conhecimento sobre ele mais profundo.
Tornei a ver o vídeo TED – Eduardo, em função do seu comentário. E, confesso que fiquei aberta à leitura de qualquer entrelinha, de qualquer viés, tipo: como ser aceito entre “os pobres” que já trazem impresso em seu DNA a várias gerações o estigma da pobreza (da falta) e não ser considerado tão somente um “vivente” fazendo laboratório para preencher uma lacuna/sensibilidade pessoal. Falar o jargão ou dividir um marmitex, ou batizar um filho…é pouco!
(eu achei bonita a ideia que ele desenvolveu do aumento da ‘sensibilidade’ em função da diminuição da racionalidade (carência alimentar na infância?, como se fosse ‘compensação’de um sentido mais acurado em função de um suprimido). Mas, são teorias.
Ou passando por uma patologia no ramo da psiquiatria. Olhei sob vários prismas (o vídeo e o teu comentário). O caminho de auto- expressão via arte – e os trabalhos dos pacientes da Dra. Nize?, me perguntei…
Quis conhecer o ‘elefante’.
Coloquei-o sob a luz do Marxismo, Maniqueísmo, linha de discursos separatistas (independente do tempo e espaço que ocorreram), tipo Maquiavel, MR8, etc. e te falo assumindo a minha ‘posição centro’ gostava bem mais do vídeo na minha primeira leitura, onde eu via calor humano (que não faz pipoca, mas faz coisa muito melhor….)do que da presente.
Ao lado da dessa postagem há uma referência a uma anterior, que diz:
“Apenas 10% do que acontece no “mundo externo” influencia nossa felicidade, diz Shawn Achor – TED Talk [VÍDEO” – que a mim trouxe uma boa sensação de conforto.
(E olha que evitei o aspecto espiritual do ‘problema’: karma e quetals – rs.)
Obrigada e Fique bem,
Norma
É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas.
Oscar Wilde
desculpe-me se abusei de ser a última – NC)
Leopoldo,
Não tinha visto a sua nova postagem.
Eu entendo os seus anseios. Mesmo. E foi caro o resgate da (minha) fatura. Acredite. Boa Sorte, Norma
Nando,
(clap…clap…clap)
Cumprimentos em 1° lugar ao seu Sensei. E a toda família e colegas de reencarne. Ninguém chega a tal patamar de lucidez sózinho.
(clap…clap…clap)
Foi uma aula. Chegou atrasada eons), mas chegou…
Grata (sempre)
Oi Norma,
to conhecendo o blog agora, no mais caí nesse post através do Google, e estou me deparando com um blog de auto-conhecimento. Muito legal. E entendo que, aqui, o viés de interpretação é outro. Pois minha tendência é interpretar o indivíduo através de seu contexto.
Penso que a melhor maneira de olhar o interior é olhar em volta. E entender o que acontece em nossa volta. E quando faço isso… Surpresa! Há uma sociedade vivendo padrões específicos provenientes de um sistema político/financeiro específico. E isso me parece pouco humano, para não dizer desumano.
Outro dia me questionei: Que curioso são os cientistas que provam a existência dos buracos negros sem sequer vê-los. O que se vê é a deformação da luz em sua volta. Da mesma forma, como é curiosa a interpretação moderna da gravidade, que se resume na deformação do tempo e do espaço interferindo indiretamente em outros corpos. Como análises indiretas, percebo o indivíduo e a mim mesmo pelo o que me exterioriza. Dessa forma, tenho a tendência de classificar o auto-conhecimento com o entendimento do que é extensão. A extensão do meu corpo, o espaço em minha volta… E por aí vai uma gama de questionamentos que tendem cada vez mais para fora do indivíduo para entendê-lo melhor por dentro.
Entendo sua análise e talvez vc entenda a minha. Encarar um fato sob o prisma de um Religioso, ou de um filósofo, ou de um marxista, ou de um cientista… Cada um enxerga sob pontos de vista completamente diferentes. E entendo o seu foco sob o discurso do Eduardo Marinho. O meu foco já se resume em pensar no homem como sociedade. O pobre como a classe explorada dessa sociedade… É uma visão pra lá de marxista mas sem levantar bandeiras, apenas um ponto de vista. E se essa entrevista tem algo de simétrico para nós, é justamente a interseção desses dois pontos de vista. Em algum momento dos nossos discursos o homem é: um indivíduo espiritual e social. Casar essas duas idéias não é fácil. É por isso que dou mérito ao discurso desse vídeo, pois é isso que acontece. Enfim…
Acho que não tem ninguém discordando de ninguém aqui, estamos apenas fazendo nossas leituras individuais de um mesmo discurso e utilizando para nossa evolução pessoal e coletiva. E isso é o que importa. :)
Grande abraço!
Outro grande!
Como na respeitar a sabedoria da tua escolha? A tua visão do mundo? A tua forma de criar a tua realidade? No way… (rs)
Boa sorte e grandes oportunidades de vivência. Norma
Ah, e pra quem quiser ver como esse cara surgiu na internet, seguem os vídeos.
Abraços!
1. http://www.youtube.com/watch?v=1hgZKHkG120
2. http://www.youtube.com/watch?v=4pS-EAYoKyY
3. http://www.youtube.com/watch?v=kCMtEpsi2g4

4. http://www.youtube.com/watch?v=RY5WnSqIwWk
É curioso como ficamos confusos com a palestra do Eduardo. Tentamos isolar alguns aspectos do que ele diz pelo fato dele ser um rico que escolheu a pobreza e ao mesmo tempo por não aprovarmos isso como solução prática para todos. E, por outro lado, concordamos que precisamos de uma postura de igualdade interior e exterior.
Concordo que a “conscientização é o foco”, Leopoldo. Mas se ela for verdadeira, ela gerará consequências em nosso dia-a-dia, e é sobre isso que estamos confusos.
Não acho possível dizer que “o pobre é muito mais evoluído do que a classe dominante”. Acho que há um centramento semelhante nos recursos materiais – talvez o rico tenha apenas uma obsessão mais patológica e insensitiva. E, como vc bem disse, uma noção de superioridade humana totalmente equivocada (talvez esse seja o tema central que estamos lidando, por mais atrasado que pareça?).
É Nando, as palestras do Eduardo são sempre um soco na cara. Eu sempre fui muito inconformado com esse mundo. Aos 14 anos eu já estava no Movimento Estudantil, depois fui ser de um partido de esquerda, depois me afastei e comecei a mexer com computador e caí na área de Web e consequentemente na publicidade.
Essa divergência entre o meu passado e aquele meu presente (no ano de 2010) me colocou em uma crise forte, porque percebi que os meus valores pessoais sempre foram opostos aos valores da publicidade. Concluí que a publicidade era uma profissão maldita, que só servia para estimular o consumo. E eu não queria participar daquilo, muito menos em ajudar a fuder o mundo. Nessa época, não sabia da existência do Eduardo Marinho, que depois veio a reafirmar pra mim: “A publicidade é uma atitude criminosa”.
Fui cair na fotografia, hoje estudo jornalismo e sei que não quero trabalhar nos veículos tradicionais aqui de Minas, que se resumem em folhetins do Governo do Estado. Estou ruim de grana, porque a publicidade me rendia bem. Mas… em contrapartida me sinto muito mais feliz sendo coerente com os meus princípios. E tenho grande inquietação em fazer do meu trabalho algo útil e benéfico para a sociedade.
Em relação ao rico e ao pobre, cada um evoluiu para um lado, entretanto o que o rico chama de evolução e progresso se resulta na destruição do planeta, e na destruição do que chamamos de humanidade, de atitudes humanas. Um exemplo bom que o próprio Eduardo cita, são os índios. “A independência do índio é incrível, tudo o que ele precisa na vida dele, ele faz, não precisa comprar nada. Então ele é maldito, um péssimo exemplo, ele tem que ser desqualificado.” Isso tudo se resulta em nós, em um grande conflito interno, de inconformidade e impotência diante o sistema. Não se vê crescimento dos movimentos de esquerda, mas ao mesmo tempo existe um aumento ou pelo menos houve a descoberta da possibilidade de organização dos inconformados. Tendo em vista a instauração da internet como meio de transformação.
Hoje em dia é quase impossível sair do sistema, porque o sistema está em todos os lados. (Esse documentário é um bom exemplo disso: http://www.youtube.com/watch?v=bwUXjUzqU6w) Mas você pode virar mendigo, e vc estará às margens do sistema. Podemos listar as seguintes possibilidades:
1. Participar do sistema e ajudar na construção da degradação humana.
2. Participar do sistema e ser indiferente a ele, sendo autônomo.
3. Participar do sistema e se incomodar, ser contra ele, enfrentá-lo.
4. Ficar às margens do sistema, não participar dele, se isolar e descobrir o que há do lado de fora.
Digamos que grande maioria da população está na situação 1. alguns poucos tendo consciência disso e o resto não tendo muita idéia do que estão fazendo. E o que eu aprendi vendo essas palestras e lendo sobre outras coisas e em conversas de bar, é que deve-se dialogar, compartilhar nossas experiências, no buteco, na internet, na favela e buscar aprender em todos os meios, sem menosprezar o conhecimento que o “desinformado” tem. Porque informação não é tudo, há outras formas de conhecimento.
E o que nós estamos fazendo é aquilo que acreditamos ser certo. Se o Eduardo sentiu necessário cair no mundo e aprender, ele fez. Se eu dia você, por exemplo, sentir necessidade de sair do seu emprego, pois vc percebeu que está contribuindo de forma negativa para o mundo, vc sairá. O importante é que, o incomodo, e essa intuição de que “ta tudo errado” é o ponto principal pra gente se mover e semear a idéia de fazer do mundo algo mais humano.