“O Zen de Steve Jobs”: novo livro mostra relação de Jobs com Budismo e com monge Kobun Chino Otogawa

Nem todos sabem, mas a influência que o ex-CEO da Apple, Steve Jobs, recebeu do Zen-Budismo, da sua prática no centro budista Tassajara, nos Estados Unidos, e da sua amizade de 20 anos com o monge japonês Kobun Chino Otogawa (1938-2002), foram enormes e causaram grande impacto na vida e na obra de Jobs — e também nos lançamentos da Apple. Um livro lançado semana passada tenta descrever em forma de quadrinhos, misturando discursos reais com diálogos inventados (inspirados na vida real), essa relação entre Jobs e o Zen: “The Zen of Steve Jobs“, de Caleb Melby (escritor) e JESS3 (ilustrador).

É difícil saber o quanto o Zen foi importante ou mesmo definitivo para que Steve Jobs desenvolvesse vários produtos, seus designs e suas campanhas da Apple. Uma delas, “the journey is the reward” (a jornada é a recompensa), slogan do time original do Mac, parece bastante inspirado, por exemplo, no livro “Zen Mind, Beginner’s Mind“, de Shunryu Suzuki-roshi, mestre de Kobun. Mas além das campanhas, o minimalismo e o foco atencioso que alguns (ou muitos) produtos que a Apple produziu, como o iPod e o iPhone, parecem ter ligação direta com alguns valores-chaves do Zen.

O livro “The Zen of Steve Jobs” é centrado na remontagem da amizade entre Steve Jobs e Kobun Chino Otogawa, e cobre histórias que vão de 1970 a 2011, mas está focado no período em torno do ano de 1985, quando Steve estudou intensivamente com Kobun após sua saída da Apple (antes de voltar, nos Anos 90). Jobs fez vários retiros e sentou diversas vezes em Zazen no San Francisco Zen Center de Tassajara (CA), e não era apenas um estudioso ou apreciador amador da escola budista. A mais recente biografia de Steve Jobs, de Walter Isaacson, também contém passagens importantes contando a influência e a vida de Steve Jobs com o Zen-Budismo, e é útil para quem tem mais interesse nessa ligação.

Abaixo, um vídeo onde o autor e outros colaboradores da obra falam sobre o livro. Para ativar as legendas em português, clique em “Select Language” (caso o vídeo não apareça, recarregue esta página ou use este link alternativo).

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O vídeo original em inglês, sem legenda, está no YouTube.

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Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

2 Comentários

  • Uma das distorções do budismo no ocidente, utilizar seus conceitos e práticas para obter selvagemente o lucro em empresa através de executivos e diretores obcecados pelo poder e dinheiro!
    Lendo isto que Jobs, o famigerado e obcecado explorador de seus empregados que não media esforços em sua doença de lucro, poder e glória utilizou além de seus conhecimentos sobre tradições indianas a budista nos mostra como o ser humano pode desvirtuar totalmente um caminho trazido para liberar o ser humano da escravidão, utilizando este mesmo caminho para escravizar todos que estejam sob o julgo de uma empresa ou grupo em particular! Só realmente não conhece a biografia de Jobs acredita que ele seja algum modelo a se seguir… Explorava seus empregados, humilhava, criava rixas entre grupos de desenvolvimentos, obrigava a trabalhar por dias sem dormir os programadores até encontrar a solução de um problema, etc…
    Realmente lamentável esta ligação do budismo com Jobs…

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