“O que a busca realmente é pra você?” Adyashanti e a autenticidade para dançar sua própria dança (VÍDEO)

A pergunta que Adyashanti faz no trecho do vídeo abaixo é uma das questões mais fundamentais (eu acho, né) que todos nós – que estaríamos em nossas “jornadas espirituais” – podemos nos fazer a qualquer momento da caminhada: o que buscamos realmente? Isso que buscamos é o que sentimos profundamente que temos que buscar, que descobrir? Ou é uma mistura de conceitos e objetivos que foram adicionados à nossa busca pelo ambiente “exterior”, por exemplo, de outros buscadores, autores, mestres e livros? O quanto nosso questionamento original está afetado, ou mesmo intoxicado, pelos conceitos e textos e ensinamentos de outras pessoas, mesmo que as consideremos elevados e esclarecedores?

Nesse contexto, ele pergunta diretamente: “o que é o acordar espiritual pra você?“. A resposta é que em parte é um conceito positivo, porque ajuda a definir o início de uma nova direção na vida das pessoas. Mas por outro é prejudicial, porque cria uma entidade que não fazia parte originalmente das buscas particulares dessas mesmas pessoas.

Ele pergunta isso como quem quer, na verdade, perguntar: é isso que você realmente quer fazer? É isso que você realmente está impulsionado a descobrir? Ou isso é o que você passou a querer depois que viu outras buscas, outros mestres e outros caminhos?

As buscas particulares de cada um podem ser tão nobres quanto o que acham que é o “acordar espiritual” e ainda sim serem diversas coisas diferentes, em diversas etapas diferentes. Como, por exemplo: saber se existe vida após a morte; saber o quanto do que experimentamos da realidade é criado pelo cérebro ou pela mente; saber o que é a consciência; saber se existe algo como um Deus; saber qual o propósito de estarmos vivos; saber se temos alguma missão na existência; entender o que é a morte; entender porque existe dificuldade em um relacionamento; entender a natureza da violência e da paz; descobrir porque há sofrimento no mundo; e por aí vão diversas questões que fazem parte do espectro do caminho da busca pela verdade e do “acordar espiritual”. E que mudam de acordo com o tempo, as respostas que vão sendo encontradas e a bússola da curiosidade interna de cada um.

O vídeo é um trecho da entrevista de Adyashanti, autor de livros como “True Meditation” e “The End of Your World”, no evento “Science and Nonduality Conference 2010“, que está no DVD trip “Science and Nonduality Anthology Vol.2”.

Para ativar as legendas em português, clique em “Select Language” abaixo do vídeo (caso o vídeo não apareça, atualize esta página ou tente este link alternativo).

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

11 Comentários

  • O que é a SUA busca pra ti?
    Não a de nenhum outro buscador e sem modelo para imitar? Uauu!
    Partida, trajeto e chegada totalmente seus? Só sua bússola interna guiando? Faz sentido.
    Mas, prevejo (para mim) mais correções de rumo do que tudo…e um caminhar caudicante, ou não.(rs).
    Grata.

    • Norma, tudo é válido, PRINCIPALMENTE correção de rumo!

      A pergunta do Adyashanti é ou pode ser também uma perfeita correção de rumo: pra dentro, pra real busca que temos. Às vezes, é para aquilo que originou nossa busca, e não para aquilo que passou a ser por motivos que não falam diretamente ao seu coração.
      Na minha visão, seguir conceitos e palavras dos outros pode servir até certo ponto, mas serve menos do que percorrer o caminho dos nossos próprios anseios de descoberta — ainda que ele pise ou coincida, durante boa parte do tempo, com os passos e caminhos de outros.
      Grato a você! Belos questionamentos.

    • Desculpa, mas neste mundo dual, onde as forças estão constantemente em conflito, infelizmente sem ajuda, sozinhos, não somos mais capazes de percorrer o caminho. Precisamos da ajuda daqueles que já estão trilhando à mais tempo e que já visualizaram melhor o destino. Nossa busca é fruto da reminiscências que temos do verdadeiro lar. Viemos de lá e para lá temos que voltar, sob pena de uma petrificação total, já que nesta dimensão cósmica tudo se petrifica.

  • A que se referem esses mestres, esses seres despertos e iluminados? Referem-se a algo implicito na minha vida? Alguma coisa que faz parte da minha própria natureza e que é o meu ser autentico e original? Se assim é, então não faz sentido buscã-lo! Isso já se manifesta na minha vida, na fidelidade ao meu próprio ser, no ser autenticamente eu mesmo. Se assim não for, se é algo alheio à minha vida, algo que tenho que obter, então também não faz sentido buscà-lo, pois faz parte do campo do impermanente. E o que é impermanente não pode ser realizado, pois o que se obtem, sempre se perde. Só no ser autenticamente eu próprio posso encontrar seja lá aquilo que for que os mestres me possam prometer. Nada de humano me é estranho!

    • Em palavras, parece ser isso, Pedro. Mas a realização disso é um desafio de vida. Se você vive isso, a pergunta de Adyashanti provavelmente é passado pra você.

      Para todo o resto, há ainda um paradoxo a ser compreendido, como se fosse preciso buscar para se saber que não é preciso buscar. Acho que tuas perguntas e inferências são inspiradores, ajudam a realizar esse paradoxo. Aliás, os textos do teu site também. Obrigado!

  • Essa é a primeira e fundamental de todas as questões. Krishnamurti costumava dizer que se já conhecemos nosso alvo, então não é a Realidade ou Deus… pois este é o Desconhecido. Significa dizer que a própria busca condiciona e altera o meu objeto de busca. Por conseguinte, a busca por Deus como algo que já sei o que é- de antemão. Constitui-se uma grande ilusão! Obrigado pelo vídeo e pelo post! Namastê!
    Alsibar : http://alsibar.blogspot.com

    • Que maneiro seu blog, Alsibar. Sobre a busca de algo conhecido, talvez existam situações que não condicionem a busca dessa maneira, em um alvo objetivo. Porque a busca pode surgir a partir da percepção de que o que se vive ou percebe aqui não é exatamente a realidade, que vivemos a partir de algo equivocado, ou que há “algo mais” ou “algo além”, e isto não necessariamente se torna um alvo objetivamente conhecido. Faz sentido?

      Namastê!

    • Peter, “comece onde você está”, como diz o título daquele livro da Pema Chodron.

      Qual é a sua busca? Ou… que faz você querer “buscar essa busca”? Você precisa de uma? Ou acha que precisa porque tem gente dizendo que precisa? O que lhe falta pra ter que buscar?

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