Os três estágios da meditação: foco, concentração e transcendência, por Swami Vivekananda

O método e as nuances do processo de meditação é um dos principais ensinamentos do mestre de Yoga e Vedanta indiano Swami Vivekananda (1863-1902), e um deles está contido neste trecho do livro “A meditação e seus métodos“, editado por Swami Chetananda (1976) e integrante do compêndio “A Obra Completa de Swami Vivekananda”. É a explicação dos três estágios da meditação – Dharana, Dhyana e Samadhi (aproximadamente “foco, concentração e transcendência, ou absorção) – e está exposto de maneira simples e suscinta neste breve discurso de Vivekananda. Apesar de curto, essas são etapas que exigem grandiosa disciplina e dedicação prática do aspirante, por tempo difícil de determinar, mas geralmente longo e desafiador. São parte integrante da busca do auto-conhecimento ensinada no cânone do Vedanta por alguns de seus maiores mestres, incluindo o mestre de Vivekananda, Sri Ramakrishna.

No início do livro, há uma história de um encontro entre ambos (Ramakrishna e Vivekananda):

– “Você vê uma luz quando adormece?”
– “Sim, vejo. Todo mundo não vê também?”.
A voz do menino demonstrava admiração. Foi logo após seu primeiro encontro que Sri Ramakrishna fez esta pergunta a Narendra e sua resposta propiciou ao Mestre uma profunda visão sobre o passado, a natureza e o destino deste jovem notável, que mais tarde seria Swami Vivekananda.

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OS TRÊS ESTÁGIOS DA MEDITAÇÃO
Por Swami Vivekananda

“Há três estágios na meditação. O primeiro é chamado Dharana, a concentração da mente sobre um objeto. Eu tento concentrar minha mente sobre este copo, excluindo qualquer outro objeto de minha mente, exceto este copo. Mas a mente está oscilando. Quando ela se tornou forte e não oscila tanto é denominada Dhyana, meditação. E há um estado ainda mais elevado, quando a diferenciação entre eu e o corpo se perde – é Samadhi ou absorção. A mente e o corpo são idênticos. Não vejo mais nenhuma diferença. Todos os sentidos param e todas as faculdades que estavam trabalhando através dos outros canais dos outros sentidos são focalizadas na mente. Então, este corpo está inteiramente sob o poder da mente. Isto deve ser “realizado”. É uma tremenda façanha executada pelos Iogues.

Meditar significa que a mente se volta para si mesma. A mente detém todas as ondas do pensamento e o mundo pára. Sua consciência se expande. Toda vez que medita, você está crescendo interiormente. Trabalhe com mais rigor, cada vez mais e a meditação chega. Você não sente seu corpo, nem coisa alguma. Quando,passado algum tempo, você sair desse estado, terá tido o mais belo descanso de toda sua vida. Esta é a única maneira de você dar repouso ao seu organismo. Nem mesmo o sono mais profundo dar-lhe-á descanso como este. A mente permanece dando pulos mesmo no sono mais profundo. Apenas nesses poucos minutos de meditação seu cérebro quase parou. Somente uma leve vitalidade é mantida. Você se esquece do corpo. Poderá ser cortado em pedaços e nada sentirá. Você sentirá prazer, então. Tornar-se-á leve. Este é o repouso perfeito que obtemos na meditação. (IV. 235)”

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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