“A vida parece tão simples e clara que ela é levada pelo desejo de ajudar toda a humanidade”: Amélie Poulain (CLIPE)

Após seu primeiro “pequeno grande evento” de ajuda a uma outra pessoa, ao entregar uma caixa perdida de objetos de infância do personagem Bretodeau, de 50 anos, Amélie Poulain começa a percorrer seu fabuloso destino e realiza essa cena do vídeo abaixo (1min), onde anda um quarteirão de Paris guiando um cego e descrevendo pra ele tudo que vê e ouve, ajudando-o a definir tudo ao redor. É uma das várias cenas inspiradoras do filme francês “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001), de Jean-Pierre Jeunet, e que lembra a máxima do Dalai Lama, que diz: “se você quer que os outros sejam felizes, pratique compaixão, se você quer ser feliz, pratique a compaixão”.

Esse momento, e essa narração que nos informa que a personagem Amélie “de repente se sente em perfeita harmonia com si mesma“, é uma experiência extremamente valiosa e, poderíamos dizer, de grande luz espiritual. Um momento onde a personagem resolve agir e depois sente os efeitos surpreendentemente benévolos da ação. Uma atitude que lembra um dos maiores ensinamentos de duas grandes figuras espirituais que conhecemos, a lição do karma yoga (ação altruísta) de Sri Krishna, considerado a encarnação de Deus pelos hindus; e o mandamento maior de “amar uns aos outros” de Jesus Cristo, o profeta do Cristianismo.

Ajudar um velhinho cego a atravessar a rua e a conhecer mais do seu redor parece uma boa ação clichê do mundo da bondade, mas nesse trecho ele deixa de ser sermão para ser uma hipótese vívida, pra ser realidade e inspiração — ainda que cinematográfica.

O trecho abaixo é do original em francês. A parte do roteiro que contém o trecho está em português e em inglês logo abaixo.

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Roteiro original da cena acima, do filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, traduzido para o português:

“De repente, Amélie sente-se em perfeita harmonia consigo mesma.
Tudo é perfeito: a maciez da luz, o suave perfume no ar, os sons pacíficos da cidade.
A vida parece tão simples e clara que ela é levada pelo desejo de ajudar toda a humanidade.
– Vou lhe ajudar. Vamos para baixo e então em frente!
Lá está a viúva do baterista da banda de metais.
Hey, o cavalo perdeu uma orelha!
O marido da florista está rindo.
Tem pirulitos na janela da loja!
Você consegue sentir o cheiro?
Este homem está oferecendo melões para seus clientes provarem.
Presunto no osso custa caro!
Aqui estamos no mercado do queijo.
para um Picodon d’Ardèche! No açougue, um bebê está olhando prum cachorro, que está olhando prum frango.
Aqui está você, agora na estação do metrô.
Vou lhe deixar aqui, tchau!”

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Em inglês:

“Amélie suddenly feels in perfect harmony with herself.
everything’s perfect: the softness of the light, that little scent in the air, the peaceful sounds of the city .
Life seems so simple and cristal-clear that she’s swept by this desire to help the all mankind.
– I’ll help you. We go down and there we go!
There’s the widow of the drummer of the brass band.
Hey, the horse’s lost one ear!
The husband of florist is laughing.
There’s lollipops in the shop window!
Can you smell his scent?
This man is offering melon to his clients to taste.
There, they make wonderful ice-cream!
We’re passing in front of the butcher’s.
Ham on the bone costs!
Here we’re at the cheese merchant’s.
for a Picodon d’Ardèche ! At the butcher’s,
a baby’s looking at a dog, that’s looking at the chicken.
Here you are, now we’re at the metro station.
I’ll leave you here, goodbye”.

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Jornalista autor do Dharmalog, terapeuta na Hridaya Terapia (São Paulo) e proprietário do Dharma Office.

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