A prática milenar da “Meditação Sufi do Coração”: instruções para meditar usando o Amor

Um dos valiosos e simples métodos que os sufistas usam para a meditação, especialmente os da ordem Naqshbandi, é a imersão no sentimento do amor, que, segundo as instruções clássicas, dilui a atividade mental no mais potente sentimento que existe. O autor e místico Sufi Llewellyn Vaughan-Lee (Working With Oneness, Alchemy of Light), explica (veja abaixo) como funciona a “Meditação do Coração“, que pode ser praticada sem muito rigor físico, por cerca de meia hora diária (“mas não deveria ser forçada, pois como em todas as práticas Sufis, quando há esforço demais não é espiritual”), e preferencialmente nas primeiras horas da manhã, quando “há menos formas-pensamento no ar e nós não estamos saturados pelas atividades do dia. A ordem Naqshabandi tem cerca de 1.300 anos de existência e, segundo a Wikipedia, é a única que clama ser uma linha espiritual originária diretamente do profeta Maomé. Esta meditação do coração é considerada uma das duas principais práticas dos Naqshabandi.

A meditação do coração abaixo é uma tradução para o português do artigo de Llewellyn Vaughan-Lee para o Golden Sufi Center, “The Sufi Meditation of the Heart” (artigo na íntegra em inglês), que vi anteriormente no blog do Célio Leite, myzentado.com.

MEDITAÇÃO SUFI DO CORAÇÃO

“Para a meditação do coração, desde que o corpo esteja relaxado, a posição física não importa: pode ser sentado ou mesmo deitado.

O primeiro estágio nesta meditação é evocar o sentimento do amor, que ativa o chakra do coração. Isso pode ser feito de várias maneiras, a mais simples sendo pensar em alguém que se ama. Pode ser Deus, o grande Amor. Mas geralmente no começo Deus é mais uma idéia do que uma realidade viva dentro do coração, e é mais fácil pensar em alguém que se ama, um(a) namorado(a), um(a) amigo(a).

O amor tem muitas qualidades diferentes. Para alguns o sentimento do amor é um calor, ou uma doçura, uma suavidade ou maciez, enquanto para outros tem o sentimento da paz, tranquilidade ou do silêncio. O amor também pode vir como uma dor, uma mágoa no coração, uma sensação de perda. Seja como vier, nós mergulhamos nesse sentimento; nos colocamos por inteiro no amor dentro do coração.

Quando nós invocamos este sentimento de amor, os pensamos vão vir, entram em nossa mente — o que fizemos ontem, o que vamos fazer amanhã. As memórias flutuam, imagens aparecem perante os olhos da mente. Temos que imaginar que estamos pegando cada pensamento, cada imagem e sentimento, e afogamo-lo, fundindo-o no sentimento de amor.

Cada sentimento, especialmente o sentimento de amor, é muito mais dinâmico que o processo de pensar, por isso se fizemos a prática bem, com a concentração impecável, todos os pensamentos desaparecem. Não sobre nada. A mente fica vazia.”