Psiquiatra explica a “neurobiologia da maldade”

Ainda que ele não esteja definindo a maldade em si, ou nossa percepção dela, essa explicação do Professor de Psiquiatra Clínica Michael Stone, da Universidade de Columbia, em NY, mostra quais as áreas do cérebro atuantes (ou falivelmente atuantes) nos processos de julgamento que envolvem casos de “crimes maldosos”. Numa entrevista para o projeto BigThink, intitulada “A neurobiologia da Maldade” (“The Neurobiology of Evil”, em inglês), Stone fala de três regiões do nosso cérebro que processam emoções e fazem esses julgamentos: a amígdala, no sistema límbico, o córtex orbitofrontal e o córtex cingulado anterior. Ainda que não possamos fazer muita coisa para garantir a saúde ou desenvolver essas áreas, pode ser útil conhecer o processo.

Segundo Stone, a amígdala é responsável por processar emoções e, no caso da maldade, de reconhecer se uma pessoa está expressando facialmente medo ou vontade de brigar ou chateação. Quando a amígdala não funciona direito, esse reconhecimento falha. “No caso dos assassinos a sangue frio, eles não tem a preocupação que eu ou você teríamos, vamos dizer, com uma criança que se perdeu da mãe numa loja de departamento. Eles sabem que ela estaria perdida, mas poderiam se aproveitar e raptá-la, por exemplo”.

Outra região associada ao processo é o córtex orbitofrontal, responsável, segundo Stone, pelo processo de decisão, pela análise do que é bom ou ruim em cada situação. “Pense nele como freios. Se ele não está funcionando direito, a pessoa não gasta tempo analisando, simplesmente vai em frente e faz”.

Por fim, a terceira importante região do cérebro associada à maldade é o córtex cingulado anterior. “É um tipo de juri“, diz Stone. A região analisa a situação como se tivesse uma mente separada, como se votasse em favor ou contra alguma decisão. “Se a mensagem final é fraca ou não chega direito ao córtex frontal, o córtex frontal pode simplesmente ignorar e ir em frente, sem saber qual a mensagem”.

Esse estudo, assim como boa parte de outros estudos que possuem o cérebro como objeto, foi feita usando MRI e fMRI, ou ressonâncias magnéticas. Essas imagens mostram atividade nas regiões do cérebro, e no caso das ressonâncias funcionais, mostra o que acontece quando a pessoa olha para figuras que representam algumas coisas, por exemplo. Mas esse processo ainda não tem como dizer o que exatamente está acontecendo no cérebro, apenas que está acontecendo, que há atividade elétrica naquela região. Particularmente, com todo o devido reconhecimento ao trabalho desses cientistas que usam o que temos de mais avançado para estudar o cérebro, considero necessário relativizar essas conclusões, pois são medição “materiais”, que não traçam necessariamente conexões consistentes com os conceitos (ou realidades) de “mente” ou “consciência“, que parece subentender que o cérebro é o “causador” ou “único responsável” por toda essa atividade, o que não é aceito por várias escolas de filosofia e auto-conhecimento.

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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