Os 59 slogans de treinamento da mente de Atisha

Atiśa Dipamkara Shrijnana (982-1054) foi um mestre indiano de meditação budista cuja sabedoria foi publicada em livro por Judy Lief, professora na tradição Shambhala (de Chogyam Trungpa Rinpoche), e uma das mais importantes são os 59 lojong slogans (lojong significa “treinamento-da-mente” em tibetano). São afirmações que condensam rico ensinamento de como agir para a evolução espiritual, contendo frases simples como “Sempre medite sobre o causa ressentimento” ou “Seja grato a todos” até outras que exigem conhecimento de alguns conceitos, como “Pratique as 5 forças, as instruções condensadas do coração” ou “Três objetos, três venenos e três sementes da virtude“, todas com grandes comentários explicativos de Judy. Os 59 slogans podem ser lidos gratuitamente (em inglês) no site da revista Tricycle, que criou uma sessão especial com os comentários de Judy Lief e toda sexta-feira dá destaque a um dos slogans.

Como diz o slogan acima, “seja grato a todos”, traduzi um dos slogans comentados e publico abaixo com imensa gratidão ao mestre Atisha, ao professor Geshe Chekawa, que sistematizou os ensinamentos no século 12, ao mestre Jamgön Kongtrül the Great, a Judy que publicou e comentou, e à revista Tricycle, por ter colocado à nossa disposição. “Porque tudo isso ao invés de irmos direto aos slogans? Porque nós nos esquecemos de onde esses ensinamentos vem — de pessoas reais, de dedicação real e de duro trabalho”, diz Judy.

O slogan traduzido é o número 47: “Mantenha os três inseparáveis“. Ele diz:

“É fácil pensar que a prática lojong é só um exercício mental, afinal de contas, lojong é traduzido como “treinamento da mene”. Mas de acordo com esse slogan, a prática lojong deveria reunir nosso completo ser: nosso corpo, nosso falar e nossa mente. A idéia é que nós deveríamos ser tão intrinseca e completamente permeados com o treinamento da mente que não há nenhuma separação.

Quando você pratica de todo coração, aparece no seu corpo. O jeito que você trata você mesmo fisicamente e o jeito que você se relaciona até mesmo com o mais ordinário dos objetos na sua vida reflete de uma maneira muito concreta a profundidade da sua prática. Por isso trabalhar com o corpo é uma forma muito poderosa de praticar lojong. A idéia não é forçar o corpo a uma forma como se você tivesse fazendo yoga ou numa dieta. Ao invés disso, não importa que condição seu corpo esteja, você ainda assim pode manifestar em sua presença física as qualidades da gentileza, atenção e abertura.

Quando você pratica de todo coração, aparece no jeito que você se relaciona com a fala e as emoções. Na frase, “corpo, fala e mente”, a fala se refere ao que você diz ou expressa, mas também ao mundo das emoções. Quando as emoções aparecem ou quando você está prestes a falar, você pode aplicar o lojong. Através do lojong, ao invés de falar compulsivamente e ser dirigido por emoções habituais, você pode se expressar de maneira simples e direta.

Quando você pratica de todo coração, aparece no seu jeito de pensar. Parte do treinamento lojong tem a ver com simplesmente notar como sua mente funciona. O que você faz com sua mente? Em que você pensa com mais frequência? Aplicando lojong à sua mente, você pode começar a reverter hábitos de preocupação e auto-absorção que sugam tanto a energia mental. Como resultado, sua mente se torna menos rígida. Ela começa a relaxar e se voltar pra fora.

Este slogan estabelece que lojong se aplica a qualquer coisa que fazemos, sentimos, pensamos, ou dizemos. É uma forma de trazermos todo nosso sistema para uma harmonia.”

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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