Imperfeição vs perfeição: o que uma bactéria pode ensinar à nanotecnologia

Se o “ótimo é inimigo do bom”, como diz o ditado popular (atribuído a Voltaire), o “perfeito pode ser inimigo do melhor“, segundo um recente insight de dois professores americanos de nanotecnologia da Universidade de Vanderbilt, no Tennessee, EUA. Pelo menos em escala microscópica (nanoscópica, na verdade). Numa notícia intitulada “Nanotecnólogos aprendem lições com a natureza“, o site da universidade sintetiza o paper dos professores Peter Cummings e Michael Simpson dizendo que talvez a nanotecnologia tenha que se mirar no exemplo da popular bactéria E.Coli que, segundo eles, tem uma performance excepcionalmente melhor que as elaborações “perfeitas” da nanotecnologia.

Esforçar-se tanto para fazer algo perfeito nesse nível pode ser, no fim das contas, e por mais paradoxal que pareça, contraproducente. Com o que chama de “ruído”, que seriam movimentos contrários aos primariamente desejados em qualquer população, a bactéria Escherichia Coli, uma das mais comuns no homem (cada pessoa evacua em média, com as fezes, um trilhão de bactérias E.coli todos os dias, segundo a Wikipedia), consegue gerenciar esses fluxos contrários, bancar o “prejuízo” e conseguir realizar as tarefas que precisa. “A simples bactéria E. coli pode computar 1000 vezes mais rápido do que o chipe mais poderoso de computador, sua densidade de memória é 100 milhões de vezes mais alta e necessita um milionésimo da força pra operar”, diz Michael Simpsons, um dos pesquisadores.

“Essa é a lição da natureza, onde uma reles célula bacteriana supera os melhores chipes de computador por um fator de 100 milhões, e faz isso em parte porque é menos do que perfeita“.

PS: Fiquei pensando… isso deve ser aplicar à vida também, em alguma escala. Acho que o esforço para evitar o erro e pela busca da perfeição exige astronômicas quantidades de energia e de estresse e de não-aceitação, enquanto o não-perfeito poderia deixar a vida um pouco melhor.

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

4 Comentários

  • Adorei!
    Minha mente e coração,conseguem aceitar essa explicação tão simples e ao mesmo tempo complexa, pois,acredito que tenha sido preciso algum tempo de observação para se chegar a essa conclusão.
    Soluções simples, aparecem quando nos disponhos a esperar de uma mente superior, as dicas de como desvendar seus mistérios.(Sua Obra). O fato de ter tantos equívocos se dá justamente porquê pensamos ser donos de nós mesmos e saimos com tantas teorias, e experiências confusas…
    É simples, conectando-se com o Dono do mundo,O Criador de todas as coisas existentes e as que ainda vão surgir, ele com certeza indica o caminho certo, a fórmula certa e como seguir em frente.
    Eisten sabia disso, mas no seu tempo se calou… receio talvez…
    As idéia de querer concertar o que pensamos estar torto deve-se ao desconhecimento da importância daquilo que pensamos estar errado.Quando na verdade é um universo, de diversidade.
    Exemplos disso os grandes pensadores que até determinada idede eram tidos como loucos ou retardados.E depois com algum direcionamento Bum deixaram coisas maravilhosas pra humanidade.

    Att,

    Maria de Lourdes.

  • Adorei!
    Minha mente e coração,conseguem aceitar essa explicação tão simples e ao mesmo tempo complexa, pois,acredito que tenha sido preciso algum tempo de observação para se chegar a essa conclusão.
    Soluções simples, aparecem quando nos disponhos a esperar de uma mente superior, as dicas de como desvendar seus mistérios.(Sua Obra). O fato de ter tantos equívocos se dá justamente porquê pensamos ser donos de nós mesmos e saimos com tantas teorias, e experiências confusas…
    É simples, conectando-se com o Dono do mundo,O Criador de todas as coisas existentes e as que ainda vão surgir, ele com certeza indica o caminho certo, a fórmula certa e como seguir em frente.
    A.Einstein sabia disso, mas no seu tempo se calou… receio talvez…
    As idéia de querer concertar o que pensamos estar torto deve-se ao desconhecimento da importância daquilo que pensamos estar errado. Quando na verdade é um universo, de diversidades.
    Exemplos disso os grandes pensadores, que até determinada idade, eram tidos como loucos ou retardados.E depois com algum direcionamento, bum, deixaram coisas maravilhosas pra humanidade.

    Att,

    Maria de Lourdes.

  • Inspirado comentário, Maria.

    Não sei ao certo a respeito do “dono do mundo”, mas também acho interessante o retorno ao exemplo da natureza. Um dos objetivos da nanotecnologia é, de uma certa maneira, o alcance de uma maneira do homem se livrar das “impurezas” dos materais encontrados no mundo como ele é (sic), e produzir coisas mais puras, consistentes, fortes e “certas”. Mas, ainda assim, ele se inspira na fórmula que a evolução encontrou “sozinha”.

    Um abraço,

  • Gosto muito da idéia do simples…
    Acredito, que quando olhamos a natureza, vemos a criação a céu aberto! E isso é tão simples… Nosso processo evolutivo, seja ele físico ou da nossa consciência, também abre as portas para observarmos e natureza. Quando estudamos a biologia de uma célula, sinto-me perplexa de tanta informações e insights a respeito de nossa Criação X Evolução. Gostei muito desta matéria que exemplifica a teoria de que o Simples pode responde tudo…

    Ana

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