“Alma minha! Quando serás finalmente boa e simples, sem dúvidas nem dissimulação? Quando serás mais visível e mais fácil de conhecer que o corpo que te cerca? Quando serás capaz de saborear as delícias que sentimos ao experimentar benevolência e afeição por todos os homens? Quando serás plena de ti mesma e rica de teus próprios bens? Quando haverás de renunciar à louca avidez e ao vão apetite que te levam a desejar criaturas animadas e inanimadas para satisfazer tuas paixões, tempo para desfrutar mais delas, lugares e países mais bem situados, um ar mais puro e homens mais sociáveis? Quando ficarás plenamente satisfeita com tua situação? Quando terás prazer em todas as coisas que te acontecem? Quando haverás de te convencer de que tens tudo em ti mesma…?”
~ Marco Aurélio, “Meditações”, Livro Décimo (tradução Clóvis Marques, em “Imperfeitos, Livres e Felizes”, de Christophe André)

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