Ambient awareness: “a new type of E.S.P.”

Ou: @McLuhan tell us about ambient awareness

O Twitter continua sendo maneiríssimo para algumas pessoas e insignificantemente inútil para algumas outras, mas o objetivo aqui não é a redução e a sim a compreensão mais correta e ampla de um serviço como esse, como a vida do ser humano é alterada, ou foi, ou vai ser, ou está sendo, por tecnologias e serviços como esse. Uma matéria do New York Times da semana passada — Brave New World of Digital Intimacy (registro necessário) — analisa, entre outras coisas, o significado do microblogging e suas repercussões na vida social das pessoas. Embora sempre haja, ao meu ver, pelo menos um pequeno revés social físico trazido pela Internet, há um grande valor de que os cientistas sociais chamam de “ambient awareness“, ou “noção do ambiente”. Como o Twitter.

Veja esse parágrafo da matéria (pág 2):

This is the paradox of ambient awareness. Each little update — each individual bit of social information — is insignificant on its own, even supremely mundane. But taken together, over time, the little snippets coalesce into a surprisingly sophisticated portrait of your friends’ and family members’ lives, like thousands of dots making a pointillist painting. This was never before possible, because in the real world, no friend would bother to call you up and detail the sandwiches she was eating. The ambient information becomes like “a type of E.S.P.,” as Haley described it to me, an invisible dimension floating over everyday life.
~ trecho da matéria “I’m So Totally, Digitally Close to You” @ NYTimes

E.S.P. é a sigla para Extra-Sensorial Perception, ou Percepção Extra-Sensorial. A conexão é direta como a definição de mídia de McLuhan — “The Extensions of Man“. Apesar do Twitter ter uma infinidade de mensagens inúteis e posts de egos em desenvolvimento, há notavelmente também essa maior noção do seu ambiente social, de amigos, de conhecidos, de eventos, de discussões. Em tempo mais real e com expressões menos analíticas ou sérias. Como a mímica de um círculo social mais próximo de fato.

Apenas com os blogs, a Web era mais lenta e menos direta. Os posts eram maiores e tomavam mais tempo, de publicação, de resposta, de “linkagem”. Com o Twitter e serviços parecidos da chamada Web 2.0, a Internet é mais rápida, mais social, mais mobile, ninguém pensa muito antes de escrever (para o bem e para o mal) e o círculo está mais consciente de si mesmo. A imagem da pintura pontilista é muito boa, porque pode ser um pouco difícil de compreender a função do Twitter analisando posts individuais. Mas há uma expressão na expressão de todos os posts: o desejo de se manter conectado aos amigos como se fica no ambiente físico, de expandir esse contato além dos limites geográficos e além dos próprios contatos físicos.

Porque assim, teoricamente, a vida é melhor.

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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