A frase não está longe de ser polêmica, mas de um ponto de vista conceitual acredito estar correta. Se uma das vistas públicas de uma casa, como a que gerou a ação contra o Google retratada na matéria, é esta (a que aparece na foto), teoricamente não há porque a lei impedir mais de uma pessoa de tê-la (a vista). Se McLuhan está certo, a Internet é uma das maneiras de termos mentes mais amplas, braços mais longos e olhos de maior alcance. Assim, o Google Street View seria um olho virtual remoto de longo alcance, que, em termos legais, poderia ver tudo aquilo que qualquer um está permitido a ver publicamente. “The view of which Paintiffs complain simply is not private”, diz o Google na sua alegação.
Sim, a privacidade é um direito universal (ou deveria ser), e, mais que isso, uma necessidade básica em diversas circunstâncias da vida humana. Mas há uma obsessão patológica nos nossos tempos pelo isolamento, pela garantia de direitos individuais rigorosos e espaços privados — mesmo quando os direitos e os espaços são públicos. Mais do que individual, o homem é um ser social. E, mais do que isso, é um ser espiritual, com talento e vocação para a doação e o compartilhamento.
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