Os 10 milhões do Android e os 100 milhões do iPhone

Mais feliz que a comunidade de desenvolvedores de apps para plataformas de telefones móveis está o status do mundo, que assiste a uma plataforma (Android) surgir livre de operadores de celular e com um prêmio de 10 milhões de dólares para as aplicações mais geniais e uma outra plataforma (Apple Touch) dar o primeiro passo para se abrir com um SDK que já nasce com excelência e um projeto de 100 milhões em investimentos para os desenvolvedores mais inspirados – e já tem até Spore e games Wii-like rodando, e é só demonstração. Não só há uma transferência de poder e inovação mais evidente a essas comunidades (que também significa mais proximidade com os usuários), mas há uma maturidade maior nas plataformas e uma comunicação mais direta entre a comunidade e a indústria, através desses softwares.

O iFund de 100 milhões da Apple é inspirada no Google, mas é uma estratégia de “terceirização” de desenvolvedores feita através de um fundo de investimentos (KPCB) para empresas, ou seja, é uma aposta em equipes ligadas à sua plataforma a longo prazo. Embora alguns questionem se os 100 milhões serão algum dia aplicados na sua íntegra, a “fábrica” da Apple está aberta, crescendo e convocando os desenvolvedores. Não é apenas um peso de desenvolvimento, mas é uma parceria aberta de marketing e de grandes cifras, além de uma atitude inédita da empresa que faz o melhor smartphone do mercado atual.

O Android Developer Challenge, o maior impulso financeiro que o Google está dando para atrair desenvolvedores para a sua plataforma de smartphones, é menor em quantia total (U$ 10 milhões), mas é mais prático (qualquer pessoa pode aplicar), de curto prazo, em forma de prêmios – de valores que vão de 25 mil dólares iniciais a 100 mil finais – e possui um foco mais amplo de aplicativos. Inclui “produtividade e colaboração“, “uso de mashups” e “ajuda humanitária“, três itens que o iFund não prioriza. Ainda não sei como vai ser a conexão dessas aplicações pro Android para cada aparelho, mas há esperança de ser tão boa quanto a da Apple, mais livre e sem interferências diretas das operadoras de telefonia. O que é um passo inédito nessas proporções.

Android e Touch podem ser competidores em um nível, mas são simbióticos nessa (empolgante) nova realidade de abertura, inovação e investimento em colaboração.

Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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