• _ E o Buda desabou de vergonha — o filme


    Esse filme acontece em uma daquelas vilas do Afeganistão que tiveram grandes estátuas de Budas destruídas pelo Talibã em 2001. (spoiler) A primeira cena do filme é justamente essa, e apesar de rápida e pouco a ver factualmente com a trama do filme, tem um impacto profundo, quase chocante. No fim das contas, é ela que anuncia o tom de pesar de uma história que é por vezes encantadora e singela. “E o Buda desabou de Vergonha” (Buddha Collapsed Out of Shame), é um filme simples, rodado naquela areia seca afegã, sem proezas de edição e sem música na maior parte do tempo (quando tem, é protagonista), mas se mostra uma obra-prima em quase tudo, principalmente na simplicidade “beatle” (sic) de contar a história e transmitir um esclarecimento, e na direção dos atores, todos crianças, e que se envolvem tão realisticamente que você se questiona se está vendo um filme ou um documentário. (spoiler 2) Só como exemplo, o filme consegue criar aquele espírito infantil do medo quando se depara com uma brincadeira que parece séria demais (melhor: consegue deixar na gente a mesma dúvida, se a brincadeira é séria ou não), e traz a ciência da imitação que as crianças herdam dos pais e dos modelos culturais vigentes, criando um ambiente de análise tão ou mais amplo que um documentário poderia criar.

    Mais do que mostrar que a realidade afegã é oprimente e seca, Buda desabou porque a realidade humana é pior. É sobretudo hostil. Me lembrou muito “Dogville” (Lars Von Trier), mas sem a virtude teatral e o darkismo propositado — por outro lado, mais simples, mais direto e humano.

    Enquanto a menina Bhaktay tenta entrar na escola para aprender o alfabeto, a gente aprende quantos obstáculos o homem cria pra si mesmo, quantos jogos sociais e culturais existe em nossa vida como indivíduos e como grupos, e como isso destrói o que temos de melhor.

    E o Buda Desabou de Vergonha” não tem o apelo de filmes mais cults do Festival do Rio, como “Sinédoque, Nova York” ou “Queime Depois de Ler”, mas é uma grata surpresa que vale o espírito do festival — o de ver culturas diferentes e… o de ter gratas surpresas.

  • _ Web Therapy (com Lisa Kudrow), S01E01


    Série com embed: inédito e promissor (quando é bom). À esquerda, no seu Mac iChat, Lisa Kudrow, a Phoebe Buffay de Friends. Mais no Séries ETC.

    Update: Cheguei no 3º espisódio (são curtos, 7min no máximo) e uma ótima sacada da série é, além de ser feita e assistida só na Web, fazê-la como uma tela de computador funcionando com o iChat. Chega uma hora que parece que realmente é o iChat e a conversa está acontecendo no seu computador (e o desejo de que as janelas fossem clicáveis). Mas tem que ser full screen.

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