Quando a ciência descobre a verdade e destrói a fantasia, por Richard Feynman e JBS Holdane

“Existem algumas pessoas não muito brilhantes e/ou mal educadas que reclamam, com aparente sinceridade, que a pesquisa científica destrói as maravilhas e a mágica da natureza. Alguém pode imaginar a reação indignada de poetas como Tennyson or Shelley a essa besteira, e certamente é melhor saber a verdade do que chafurdar em mentiras, não importa quão charmosas elas sejam. Quase sempre a verdade se apresenta muito mais estranha e espetacular do que nossa fantasia mais extrema. O grande J.B.S Haldane disse muito bem quando falou: ‘O universo não só é mais estranho do que imaginamos – ele é mais estranho do que nós podemos imaginar”.
~ Richard Feynman (1918-1988), em “The Pleasure of Finding Things Out”

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

5 Comentários

  • Claro que sim! E a verdade, mesmo que perturbadora, é sempre preferível à mentira confortante. Lamento não ter tido o privilégio de ter sido aluno do prof. R. Feyneman. O seu entusiasmo, honestidade e entrega à divulgação da ciência, é um exemplo de vida plenamente gratificante e realizada!

  • Tudo muito bonito, se o conceito de verdade não fosse cientificamente (e não tecnicamente) incerto. O controverso Nietzsche já o rechaça em suas criticas anti-platônicas, Heidegger e Wittgenstein desmontam a “verdade” em seus jogos de linguagem. Lyotard demonstra como ela não pode ser entendida fora de seu contexto temporal e local. Para encerrar, as incertezas do universo quântico e as 16 verossímeis teorias das cordas que descrevem uma unica realidade. Enfim, o incognoscível ainda faz parte da realidade humana e a ciência nada mais tem se mostrado que mais uma crença, tão benéfica e danosa quanto as demais.

    • Em termos absolutos, sim Zapa. Mas acho que a gente não precisa considerar aqui, neste caso, uma “verdade última”, que a ciência fatalmente iria falhar. Mas podemos considerar um contexto onde a relação verdade-fantasia, hoje, em nossos tempos, em nossos modos de viver e se relacionar, seja um balisador do quanto estamos enxergando e do quanto estamos cegos. Isso traz mais sentido a essa frase do Feynman.

  • Vi nos comentários que vocês postaram, o desfilar de nomes de pensadores, de escritores famosos e altamente respeitáveis.
    A citação de que ciência não é verdade absoluta,para mim, é válida, porque tudo está em transformação e dessa forma, a própria verdade científica fica subjugada à essa lei inexorável, que move tudo e todos.
    Do que o Professor Richard Feynman disse, concordo que :”O universo não só é mais estranho do que imaginamos – ele é mais estranho do que nós podemos imaginar”. Mas…Ele (Universo) é muito mais surpreendente e mágico, e por mais que a ciência evolua, sempre será surpreendida por ele. Assim a verdade científica a meu ver não mata a imaginação. Ao contrário – a aguça. Torna a pesquisa instigante e compensatória.

  • “A certeza me aborrece” – Carl Sagan

    http://veja.abril.com.br/especiais/35_anos/ent_sagan.html

    VEJA – O senhor adota um tom quase religioso quando fala dos mistérios do Universo. Como encara esses mistérios que a ciência não explica?
    SAGAN – O Universo é algo que gera reverência, respeito. Em termos de tempo e espaço, sua escala torna a existência humana microscópica. É fascinante que as leis da natureza sejam as mesmas em todo o cosmos. A lei da gravidade, por exemplo, funciona aqui como a 1 bilhão de anos-luz de distância. Olhemos para cada detalhe, mínimo que seja, como para uma folha, e veremos que sua perfeição e harmonia são deslumbrantes. Creio que a folha resulta do processo de seleção natural, indicado por Darwin, ao longo de quase bilhões de anos de evolução da vida na Terra. Se olhamos essa mesma folha através de um microscópio, ficamos ainda mais maravilhados. Se alguém quer chamar esse sentimento de religioso, isso não me incomoda.
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    Grata e Boa Sorte, Norma

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