Como lidar com as emoções, parte II, com Scott Kiloby

Depois do post anterior (“Como lidar com as emoções, por Scott Kiloby“), surgiram algumas dúvidas sobre a abrangência das instruções que o autor Scott Kiloby sugere para lidar com as emoções. Gentilmente, Scott respondeu a elas por email e as respostas seguem abaixo. As dúvidas são basicamente duas: 1) se a vivência e liberação das emoções serve a todas as condições humanas, inclusive a quem traz um história de trauma ou tendências emocionais fortes, e 2) se a adjetivação ou conceituação das emoções não seria útil para entender a origem e porque algumas das emoções “negativas” continuam a se manifestar repetidamente.

P: Será que, no caso de pessoas com traumas ou com tendências de medo gravadas há muito tempo no inconsciente, apenas observar as emoções surgirem e irem é um método de liberação definitiva? Não seria útil entender porque o medo ou as emoções “negativas” re-aparecem e não se resolvem?

Scott: “Terapia pode ajudar. E outras técnicas que permitam as emoções aparecerem num lugar seguro, como na companhia de um mestre espiritual. Enquanto elas permanecerem inconscientes, a pessoa sofrerá com elas. Assim que elas começam a aparecer na superfície, então, sim, deixe-as aparecer totalmente, sem mais histórias mentais, essa parece ser a maneira mais curadora de lidar com elas”.

P: Podemos considerar útil, em algumas ocasiões, a conceitualização ou categorização de emoções para lidar com as emoções enquanto estamos no meio delas, ou vivendo o rastro dos seus problemas, como desequilíbrio e falta de clareza?

Scott: “Como eu disse, terapia, conversa com pessoas de confiança, pode ser útil. Mas, eventualmente, para curar, devemos deixar as emoções serem finalmente experimentadas. Conversar sobre elas só pode ir até aí. É como ir para o Texas e ficar só debaixo da placa que diz “Texas”. Se nós só ficarmos com os signos (os conceitos), nós nunca vamos de fato dirigir pra lá e experimentar o Texas“.

P: E o que dizer para uma criança, que está começando a construir suas tendências e não aprendeu a lidar com suas emoções? Não seria útil também conversar sobre os porquês daquelas emoções estarem aparecendo e se repetindo? Se uma criança briga com sua colega e fica cheia de raiva, não seria melhor explorar e ver que dificuldade houve para ela estar assim, se aconteceu algo contra a vontade, ou se aconteceu alguma comparação, etc?

Scott: “Sim. Mas, então, deixe a criança sentir a emoção. Nós prejudicamos as crianças quando não mostramos a elas como sentir. Tudo é conversa na nossa cultura porque nós valorizamos demais o intelecto.”

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[ Foto: “sadness” por LIN CHIA HUI @ Flickr ]
Este post foi escrito por

Sobre o autor Psicoterapeuta Gestalt e jornalista, Nando Pereira é autor do livro "Para Abraçar a Prática" (240pp, 2019) e coordenador da Mentoria de Meditação, "30 dias para transformar sua prática".

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