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	<title>_ dharmalog &#187; literatura</title>
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	<description>sobre auto-conhecimento.</description>
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		<title>&#8220;30 Lições Para Viver&#8221;: livro do médico reúne conselhos de vida dos mais velhos [VÍDEO]</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 13:05:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/30licoesdevida.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>Cerca 1.500 pessoas de 70 a 100 anos foram entrevistadas pelo gerontologista Karl Pillemer, professor de desenvolvimento humano na Cornell University (EUA), para a criação do livro &#8220;30 Lessons for Living &#8211; Tried And True Advice From The Wisest Americans&#8221; (30 Lições para Viver &#8211; Conselhos Verdadeiros e Testados dos Americanos Mais Sábios), lançado em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/30licoesdevida.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><p><strong>Cerca 1.500 pessoas de 70 a 100 anos</strong> foram entrevistadas pelo gerontologista <strong>Karl Pillemer</strong>, professor de desenvolvimento humano na Cornell University (EUA), para a criação do livro &#8220;<strong>30 Lessons for Living &#8211; Tried And True Advice From The Wisest Americans</strong>&#8221; (<em>30 Lições para Viver &#8211; Conselhos Verdadeiros e Testados dos Americanos Mais Sábios</em>), lançado em novembro passado nos Estados Unidos e com uma coletânea de sabedorias dos &#8220;americanos mais sábios&#8221;, aqueles com mais idade, mais experiências de vida e com boas visões sobre seus próprios caminhos. &#8220;Todas essas experiências lhes tornaram especialistas incríveis em como renegociar os problemas da vida&#8221;, diz Karl, que sintetizou as lições em grandes temas como família, trabalho, casamento, envelhecimento, arrependimentos, entre outros. Um <strong>vídeo</strong> (3min43seg) com alguns trechos e palavras do autor segue abaixo, legendado em português.</p>
<p>O jornal <strong>The New York Times</strong> publicou uma matéria sobre o lançamento do livro semana passada (&#8220;<a href="http://www.nytimes.com/2012/01/10/health/elderly-experts-share-life-advice-in-cornell-project.html" target="_blank">Advice From Life’s Graying Edge on Finishing With No Regrets</a>&#8220;) e resumiu em poucos parágrafos algumas da lições, três deles traduzidos abaixo: </p>
<blockquote><p>&#8220;<strong>SOBRE O CASAMENTO</strong> Um casamento satisfatório que dure a vida inteira é mais provável de acontecer quando parceiros são <strong>fundamentalmente parecidos e compartilham os mesmos valores e objetivos básicos</strong>. Apesar do amor romântico inicialmente reunir a maioria dos casais, o que os mantém juntos é uma amizade crescente, a habilidade de se comunicar, a vontade de dar e receber, e o compromisso com a instituição do casamento assim como um ao outro. Uma mulher de 89 anos que se mostrou feliz de ter mantido seu casamento mesmo quando o comportamento do seu marido era prejudicado por seu serviço militar disse: &#8220;Cada vez mais jovens hoje estão desistindo cedo demais, rápido demais&#8221;.<br />
<br />
<strong>SOBRE CARREIRA</strong> Nenhuma pessoa em mais de mil disse que a felicidade veio de trabalhar tão duro quanto você pode pra fazer dinheiro para comprar o que você quisesse. Ao invés disso, a versão quase universal foi resumida por um ex-atleta de 83 anos que trabalhou décadas como um recrutador e técnico de esportes: “<strong>A coisa mais importante é estar envolvido com uma profissão que você ame absolutamente, uma que você queira ir pro trabalho todo dia</strong>.” Apesar de poder levar um tempo pra você chegar a esse trabalho ideal, você não deveria desistir de procurar pelo que lhe faz feilz. Enquanto isso, se você está preso a um trabalho ruim, tente fazer o máximo para mudar e evoluir. E tenha em mente que uma promoção pode ser honrosa e lucrativa mas não vale a pena se te leva pra longe do que você mais gosta.<br />
<br />
<strong>SOBRE OS PAIS</strong> As exigências da vida moderna geralmente tem um efeito negativo na vida familiar, especialmente quando os objetivos econômicos limitam o tempo que os pais passam com os filhos. <strong>O mais importante, dizem os mais velhos, é passar mais tempo com seus filhos</strong>, mesmo que você deva se sacrificar para isso. Esteja com eles nas atividades deles, e faça as coisas que lhes interessam. Tempo gasto juntos permite aos pais detectar problemas e ensinar valores importantes&#8221;. (&#8230;)</p></blockquote>
<p>Segue o vídeo, com legendas em português. Para ativar as legendas, clique em &#8220;Select Language&#8221; abaixo do vídeo (caso o vídeo não apareça, recarregue esta página ou use <a href="http://www.universalsubtitles.org/en/videos/F2qfJC4pOxED/info/30%20Lessons%20For%20Living/" target="_blank">este link alternativo</a>).</p>
<p><script type="text/javascript" src="http://s3.www.universalsubtitles.org/embed.js">
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)
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		<title>&#8220;O Zen de Steve Jobs&#8221;: novo livro mostra relação de Jobs com Budismo e com monge Kobun Chino Otogawa</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 19:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[steve jobs]]></category>
		<category><![CDATA[zen]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/zenstevejobs.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>Nem todos sabem, mas a influência que o ex-CEO da Apple, Steve Jobs, recebeu do Zen-Budismo, da sua prática no centro budista Tassajara, nos Estados Unidos, e da sua amizade de 20 anos com o monge japonês Kobun Chino Otogawa (1938-2002), foram enormes e causaram grande impacto na vida e na obra de Jobs &#8212; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/zenstevejobs.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><p>Nem todos sabem, mas a influência que o ex-CEO da Apple, <strong>Steve Jobs</strong>, recebeu do <strong>Zen-Budismo</strong>, da sua prática no centro budista <strong>Tassajara</strong>, nos Estados Unidos, e da sua amizade de 20 anos com o monge japonês <strong>Kobun Chino Otogawa </strong>(1938-2002)<strong>,</strong> foram enormes e causaram grande impacto na vida e na obra de Jobs &#8212; e também nos lançamentos da Apple. Um livro lançado semana passada tenta descrever em forma de <strong>quadrinhos</strong>, misturando discursos reais com diálogos inventados (inspirados na vida real), essa relação entre Jobs e o Zen: &#8220;<strong><a href="http://www.amazon.com/Zen-Steve-Jobs-Caleb-Melby/dp/1118295269/?tag=dharmalog-20" target="_blank">The Zen of Steve Jobs</a></strong>&#8220;, de Caleb Melby (escritor) e JESS3 (ilustrador).</p>
<p>É difícil saber o quanto o Zen foi importante ou mesmo definitivo para que Steve Jobs desenvolvesse vários produtos, seus designs e suas campanhas da Apple. Uma delas, &#8220;<strong>the journey is the reward</strong>&#8221; (<em>a jornada é a recompensa</em>), slogan do time original do Mac, parece bastante inspirado, por exemplo, no livro &#8220;<strong>Zen Mind, Beginner&#8217;s Mind</strong>&#8220;, de <strong>Shunryu Suzuki-roshi</strong>, mestre de Kobun. Mas além das campanhas, o minimalismo e o foco atencioso que alguns (ou muitos) produtos que a Apple produziu, como o <strong>iPod</strong> e o <strong>iPhone</strong>, parecem ter ligação direta com alguns valores-chaves do Zen.</p>
<p>O livro &#8220;<strong>The Zen of Steve Jobs</strong>&#8221; é centrado na remontagem da amizade entre Steve Jobs e Kobun Chino Otogawa, e cobre histórias que vão de 1970 a 2011, mas está focado no período em torno do ano de <strong>1985</strong>, quando Steve estudou intensivamente com Kobun após sua saída da Apple (antes de voltar, nos Anos 90). Jobs fez vários retiros e sentou diversas vezes em Zazen no San Francisco Zen Center de Tassajara (CA), e não era apenas um estudioso ou apreciador amador da escola budista. A mais recente biografia de Steve Jobs, de <strong>Walter Isaacson</strong>, também contém passagens importantes contando a influência e a vida de Steve Jobs com o Zen-Budismo, e é útil para quem tem mais interesse nessa ligação.</p>
<p>Abaixo, um <strong>vídeo</strong> onde o autor e outros colaboradores da obra falam sobre o livro. Para ativar as <strong>legendas em português</strong>, clique em &#8220;Select Language&#8221; (caso o vídeo não apareça, recarregue esta página ou use este <a href="http://www.universalsubtitles.org/en/videos/PEkigGSEdpO1/info/" target="_blank">link alternativo</a>).</p>
<p><script type="text/javascript" src="http://s3.www.universalsubtitles.org/embed.js">
(
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)
</script></p>
<p>//////////</p>
<p>O vídeo original em inglês, sem legenda, está <a href="http://www.youtube.com/watch?v=lxfDI70ODu8" target="_blank">no YouTube</a>.</p>
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		<title>30 dicas de escrita (e de vida) por Jack Kerouac: &#8220;Crença &amp; Técnica para Prosa Moderna&#8221;</title>
		<link>http://dharmalog.com/2011/12/27/30-dicas-de-escrita-e-de-vida-por-jack-kerouac-crenca-tecnica-para-prosa-moderna/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 16:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[frases & reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[JackKerouac]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/kerouac.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>“Eu não conheço outro escritor que abriu o coração como escritor para contar o máximo dos segredos da sua própria mente”, disse certa vez Allen Ginsberg sobre o escritor americano Jack Kerouac (1922-1969). O célebre autor de &#8220;On The Road&#8221; e &#8220;The Dharma Bums&#8220;, Kerouac não só explorou seu coração e mente nos livros que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/kerouac.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><p>“Eu não conheço outro escritor que abriu o coração como escritor para contar o máximo dos segredos da sua própria mente”, disse certa vez <strong>Allen Ginsberg</strong> sobre o escritor americano <strong>Jack Kerouac</strong> (1922-1969). O célebre autor de &#8220;<strong>On The Road</strong>&#8221; e &#8220;<strong>The Dharma Bums</strong>&#8220;, Kerouac não só explorou seu coração e mente nos livros que escreveu, mas também explorou o ato de escrever como meio vivo de transmitir o que sentia e pensava. Nesse compêndio de 30 máximas, Kerouac reúne o que chamou de &#8220;<strong>Crença &#038; Técnica para Prosa Moderna</strong>&#8221; (1959), frases que misturam posturas mentais, métodos de escrita e de preparo para transmitir idéias.  </p>
<p>O jeito impulsivo e compulsivo de escrever de Kerouac era conhecido principalmente do livro &#8220;On The Road&#8221;, redigido em apenas 3 semanas. &#8220;<strong>Sempre considerei que escrever fosse o meu dever na terra</strong>&#8220;, disse Kerouac em &#8220;Viajante Solitário&#8221;.</p>
<p>A tradução é de <strong>Padma Dorje</strong>, originalmente publicada no site <a href="http://tzal.org/crenca-amp-tecnica-para-prosa-moderna/" target="_blank">tzal.org</a>.</p>
<p>O original em inglês, &#8220;<strong>Essentials of Spontaneous Prose</strong>&#8220;, pode ser lido <strong><a href="http://us.history.wisc.edu/hist102/pdocs/kerouac_essentials.pdf" target="_blank">aqui</a></strong> (<strong>pdf</strong>).</p>
<p>//////////</p>
<p>&#8220;<strong>Crença &#038; Técnica para Prosa Moderna</strong>&#8221;<br />
Por <em>Jack Kerouac</em></p>
<p>1. Cadernos secretos rabiscados, páginas datilografadas selvagens, por pura diversão<br />
2. Submisso a tudo, aberto, ouvindo<br />
3. Tenta nunca embebedar-te fora de tua casa<br />
4. Ama tua vida<br />
5. Algo que sintas encontrará o próprio formato<br />
6. Sê louco santoidiota da mente<br />
7. Explode tanto quanto quiseres<br />
8. Escreve o que quiseres sem limites dos limites da mente<br />
9. As indizíveis visões do indivíduo<br />
10. Sem tempo para poesia mas exatamente o que é<br />
11. Tiques visionários sacudindo no peito<br />
12. Sonhando fixado em transe o objeto a tua frente<br />
13. Remove as inibições literárias, gramaticais e sintáticas<br />
14. Como Proust sê um velho perante o tempo<br />
15. Contando a verdadeira história do mundo em monólogo interior<br />
16. O centro gemado do interesse é o olho dentro do olho<br />
17. Escreve rememorando e surpreendendo-te contigo mesmo<br />
18. Trabalha na intensidade concisa do olho médio saltado, nadando no mar<br />
da linguagem<br />
19. Aceita a perda eterna<br />
20. Crê no sagrado desígnio da vida<br />
21. Luta para expressar o fluxo que já existe intacto na mente<br />
22. Não pensa palavras quando parar, tenta ver melhor a imagem<br />
23. Registra cada dia que tenha celebrado na manhã seguinte<br />
24. Nenhum medo ou vergonha da dignidade das tuas experiência, linguagem &#038; conhecimento<br />
25. Escreve para que o mundo leia e veja tua exata imagem dele<br />
26. Livrofilme é o filme em palavras, a forma visual Americana<br />
27. Em louvor ao Personagem na Desolada Solidão inumana<br />
28. Escreve selvagem, indisciplinado, puro, vindo das profundezas, quanto mais louco melhor<br />
29. És um gênio o tempo todo<br />
30. Escritor-Diretor de filmes Terráqueos Patrocinado &#038; feito Anjo no Céu</p>
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		<title>&#8220;Enquanto eu inventar Deus, ele não existe&#8221;: Clarice Lispector e o sentimento de que nunca tinha ouvido falar [CONTO]</title>
		<link>http://dharmalog.com/2011/12/13/enquanto-eu-inventar-deus-ele-nao-existe-clarice-lispector-e-o-sentimento-de-que-nunca-tinha-ouvido-falar-conto/</link>
		<comments>http://dharmalog.com/2011/12/13/enquanto-eu-inventar-deus-ele-nao-existe-clarice-lispector-e-o-sentimento-de-que-nunca-tinha-ouvido-falar-conto/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 13:58:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Lispector]]></category>
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		<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/claricedeus.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>&#8220;Eu ia andando pela Avenida Copacabana&#8221;, começa a escritora Clarice Lispector (1920-1977), nesse inspirado e surpreendente conto de 1971, parte do livro &#8220;Felicidade Clandestina&#8220;. Com sua conhecida inclinação para explorar as questões da alma no dia-a-dia, Clarice continua a descrição de sua experiência de transcendência num dia previsível do cotidiano carioca, revelando que, no meio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/claricedeus.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><p>&#8220;Eu ia andando pela Avenida Copacabana&#8221;, começa a escritora <strong>Clarice Lispector</strong> (1920-1977), nesse inspirado e surpreendente conto de <strong>1971</strong>, parte do livro &#8220;<strong>Felicidade Clandestina</strong>&#8220;. Com sua conhecida inclinação para explorar as questões da alma no dia-a-dia, Clarice continua a descrição de sua experiência de transcendência num dia previsível do cotidiano carioca, revelando que, no meio daquilo tudo, &#8220;<strong>estava sendo uma coisa muito rara: livre</strong>&#8220;, e que sua liberdade se intensificou até o ponto onde teve então &#8220;<strong>um sentimento de que nunca ouvira falar</strong>&#8220;. </p>
<p>O conto segue abaixo na íntegra e é muito mais que uma narração, é uma declaração da descoberta do amor, de estar &#8220;<strong>amando de puro amor inocente</strong>&#8220;. E, pela visão de Clarice, como isso se relaciona com a experiência de Deus e com seu principal obstáculo, a existência de um Deus pré-concebido: &#8220;<strong>Enquanto eu inventar Deus, ele não existe</strong>&#8220;.</p>
<p>O conto é narrado no vídeo abaixo por Aracy Balabanian e é uma homenagem à escritora na semana em que completaria 91 anos (10 de dezembro).</p>
<p><iframe width="560" height="410" src="http://www.youtube.com/embed/E5CX_PX0gVs" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>//////////</p>
<p><strong>&#8220;PERDOANDO DEUS&#8221;</strong><br />
Por <em>Clarice Lispector</em></p>
<p>&#8220;Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. </p>
<p>Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.</p>
<p>Não era tour propriétaire, nada daquilo era meu, nem eu queria. Mas parece-me que me sentia satisfeita com o que via.</p>
<p>Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso “fosse mesmo” o que eu sentia – e não possivelmente um equívoco de sentimento – que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. </p>
<p>O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.</p>
<p>E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.</p>
<p>Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva.</p>
<p>Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.</p>
<p>Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar – não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele – mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.</p>
<p>&#8230; mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. </p>
<p>Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo.</p>
<p>Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que “Deus” é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.&#8221;</p>
<p>~ <strong>Clarice Lispector</strong>, conto &#8220;Perdoando Deus&#8221;, livro &#8220;Felicidade Clandestina&#8221; (1998)</p>
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		<title>Rubem Alves por uma nova educação: &#8220;pra que é que serve encontro consonantal e dígrafo? Pra nada&#8221; (VÍDEO)</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 22:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[educacao]]></category>
		<category><![CDATA[Escola da Ponte]]></category>
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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/rubemalves.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>Educador, psicanalista, filósofo e escritor, o mineiro Rubem Alves é um ativista da educação das crianças (e não só das crianças) como um ato de alegria e &#8220;ligada com a vida, porque é pra isso que a gente aprende&#8220;. Nesse vídeo abaixo, &#8220;A Escola Ideal&#8221; (2min47seg), feito pelo CanalPortalBrasil do governo federal, Rubem Alves fala [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/rubemalves.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><p>Educador, psicanalista, filósofo e escritor, o mineiro <strong>Rubem Alves</strong> é um ativista da educação das crianças (e não só das crianças) como um <strong>ato de alegria</strong> e &#8220;ligada com a vida, <strong>porque é pra isso que a gente aprende</strong>&#8220;. Nesse vídeo abaixo, &#8220;<strong>A Escola Ideal</strong>&#8221; (2min47seg), feito pelo CanalPortalBrasil do governo federal, Rubem Alves fala exatamente disso, e praticamente clama por uma renovação como faz o da portuguesa <strong>Escola da Ponte</strong>, de José Pacheco. &#8220;Eu diria que os professores tem sempre que se perguntar: <strong>isso que eu vou ensinar serve pra que?</strong>&#8220;, sugere Rubem. </p>
<blockquote><p>&#8220;Recebi uma carta de um menino: &#8216;Querido Rubem Alves, li o seu livro &#8216;O Patinho Que Não Aprendeu a Voar&#8217;, aprendi que liberdade é fazer aquilo que a gente deseja muito e eu quero ser livre. Ponto, parágrafo. Tenho uma professora que é demais. Ela manda a gente ler os seus livros e grafar os encontros consonantais e os dígrafos&#8217;. O que é que o menino vai fazer com encontro consonantal? Pra que é que serve isso? Pra nada. E dígrafo? Pra que é que serve? Pra nada&#8221;.<br />
~ <strong>Rubem Alves</strong></p></blockquote>
<p>Segue o vídeo:</p>
<p><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/IEX9bOeTMZg" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>//////////</p>
<p>Compartilhado por Karla Mattos Vaidyaratna</p>
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		<title>&#8220;Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é Natal&#8221;: o tempo de Mário Quintana</title>
		<link>http://dharmalog.com/2011/11/11/quando-se-ve-ja-sao-seis-horas-quando-se-ve-ja-e-sexta-feira-quando-se-ve-ja-e-natal-o-tempo-de-mario-quintana/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2011 11:35:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Quintana]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/marioquintana.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>&#8206;&#8221;A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é Natal&#8230; Quando se vê, já terminou o ano&#8230; &#8230; Quando se vê não sabemos mais por onde andam nossos amigos&#8230; Quando se vê perdemos o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/marioquintana.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><blockquote><p>&#8206;&#8221;A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.<br />
Quando se vê, já são seis horas!<br />
Quando se vê, já é sexta-feira!<br />
Quando se vê, já é Natal&#8230;<br />
Quando se vê, já terminou o ano&#8230;<br />
<br />
&#8230; Quando se vê não sabemos mais por onde andam nossos amigos&#8230;<br />
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.<br />
Quando se vê passaram 50 anos!<br />
Agora é tarde demais para ser reprovado&#8230;<br />
<br />
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.<br />
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casaca dourada e inútil das horas&#8230;<br />
Eu seguraria todos os meus amigos, que Já não sei como e onde eles estão e diria: vocês são extremamente importantes para mim.<br />
<br />
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo&#8230;<br />
Dessa forma eu digo, não deixe de fazer algo que gosta devido a falta de tempo.<br />
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.<br />
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.&#8221;</p>
<p><strong>~ Mário Quintana</strong>, “O tempo”</p></blockquote>
<p>//////////</p>
<p>Compartilhado por Amanda Arias Assumpção, via Antonio Abujamra.</p>
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		<title>A doutrina do Frei Zossima: &#8220;eu vos pergunto, um homem desses é livre?&#8221; (TRECHO)</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 21:45:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Dostoievski]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/dostoievski.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>Abaixo um trecho do discurso e do pensamento do Frei Zossima, mentor espiritual de Alioscha e um dos principais personagens do célebre romance &#8220;Os Irmãos Karamazov&#8221; (1879), do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) &#8212; onde ele fala dos conceitos equivocados de liberdade entre os homens na época vigente (qualquer semelhança com os tempos atuais é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/dostoievski.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><p>Abaixo um trecho do discurso e do pensamento do <strong>Frei Zossima</strong>, mentor espiritual de Alioscha e um dos principais personagens do célebre romance &#8220;<strong>Os Irmãos Karamazov</strong>&#8221; (1879), do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) &#8212; onde ele fala dos conceitos equivocados de <strong>liberdade</strong> entre os homens na época vigente (qualquer semelhança com os tempos atuais é mera coincidência). Criticando ferozmente a reles satisfação das necessidades comuns, Zossima explica como descobriu sua vocação de monge ao perceber a decadência da busca pela liberdade verdadeira, e retrata uma época que fazia crescer a ilusão que a liberdade é a livre  perseguição repetida dos desejos.</p>
<p>No tempo do livro, esse discurso aparece como registrado por um dos irmãos, <strong>Aliéksiei Fiódorovitch Karamozov</strong>, considerado o herói da obra pelo próprio <strong>Dostoiévski</strong>, e aparece no dia da morte do <strong>Frei Zossima</strong>, quase como homenagem à doutrina do monge (o &#8220;<em>stáriets</em>&#8220;). Faz parte do Livro <strong>VI</strong>, intitulado &#8220;<strong>O Monge Russo</strong>&#8220;, capítulo III, &#8220;<strong>Extrato das Conversações e da Doutrina do Stáriets Zósima</strong>&#8221; (Editora Abril Cultural, 1970).</p>
<p>//////////</p>
<p><strong>Extrato das Conversações e da Doutrina do Stáriets Zósima</strong><br />
Por Fiódor Dostoiévski</p>
<p>&#8220;Olhai os leigos e esse mundo que se ergueacima do povo cristão: não alterou ele a imagem de Deus e sua verdade? Têm a ciência, mas somente a ciência sujeita aos sentidos. Quanto ao mundo espiritual, a metade superior do serhumano, rejeitam-no, banem-no alegremente, mesmo com ódio. O mundo proclamou a liberdade, sobretudo nestes derradeiros anos, e que representa ela? Nada mais senão a escravidão e o suicídio! Porque o mundo diz: &#8220;Tu tens necessidades, satisfá-las, porque possuis os mesmos direitos que os grandes e os ricos.Não temas satisfazê-las, aumenta-as mesmo&#8221;. Eis o que se ensina atualmente. Tal é a concepção deles de liberdade. </p>
<p>E que resulta desse direito de aumentar as necessidades? Entre os ricos, a solidão e o suicídio espiritual; entre os pobres, a inveja eo crime, porque se conferiram direitos, mas ainda não se indicaram os meios de satisfazer as necessidades. Assegura-seque o mundo, abreviando as distâncias, transmitindo o pensamento pelos ares, unir-se-á sempre cada vez mais, que a fraternidade reinará. Ai! não acrediteis nessa união dos homens. Concebendo a liberdade como o aumento das necessidades e sua pronta satisfação, alteram-lhes a natureza, porque fazem nascer neles uma multidão de desejos insensatos, de hábitos e imaginações absurdos. Não vivem senão para invejar-se mutuamente, para a sensualidade e a ostentação. Dar jantares, viajar, possuir carruagens, cargos, lacaios, passa tudo como uma necessidade à qual se sacrifica até sua vida, sua honra e o amor à humanidade, matar-se-ão mesmo, na impossibilidade de satisfazê-la. O mesmo ocorre entre aqueles que são ricos; quanto aos pobres, a insatisfação das necessidades e a inveja são no momento afogadas na embriaguez. Mas em breve, em lugar de vinho, embriagar-se-ão de sangue, é o fim para que os conduzem. </p>
<p>Dizei-me se tal homem é livre. Um &#8220;campeão da idéia&#8221; contava-me que, estando na prisão, privaram-no de fumo e que essa privação lhe foi tão penosa que quase traiu sua idéia para obtê-lo. Ora, esse indivíduo pretendia lutar pela humanidade. De que pode ser ele capaz? Quando muito dum esforço momentâneo, que não sustentará por muito tempo. Nada de admirar que os homens tenham encontrado sua servitude em lugar da liberdade, e que em lugar de servir à fraternidade e à união, tenham caído na desunião e na solidão, como mo dizia outrora meu visitante misterioso e mestre. Demodo que a idéia do devotamento à humanidade, da fraternidade e da solidariedade desaparece gradualmente do mundo; na realidade, acolhem-na mesmo com derrisão, porque como desfazer-se de seus hábitos, aonde irá aquele prisioneiro das necessidades inumeráveis que ele próprio inventou? Na solidão, preocupa-se muito pouco com a coletividade. Afinal de contas, os bens materiais aumentaram e a alegria diminuiu.&#8221;</p>
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		<title>A mentira, o respeito e o amor por si mesmo e pelos outros nos &#8220;Irmãos Karamazov&#8221; (TRECHO)</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 21:08:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/karamazov.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>&#8220;Os Irmãos Karamazov&#8221; (1881), uma das principais obras do escritor russo Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (1821-1881), se não a principal, e considerada por Sigmund Freud o maior romance já escrito, tem uma história rica em questões psicológicas da vida e das relações em família. No trecho abaixo, o personagem ancião Frei Zossima fala eloquentemente para o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/karamazov.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><p>&#8220;<strong>Os Irmãos Karamazov</strong>&#8221; (1881), uma das principais obras do escritor russo <strong>Fiódor Mikhailovich Dostoiévski</strong> (1821-1881), se não a principal, e considerada por <strong>Sigmund Freud</strong> o maior romance já escrito, tem uma história rica em questões psicológicas da vida e das relações em família. No trecho abaixo, o personagem ancião <strong>Frei Zossima</strong> fala eloquentemente para o personagem Fyodor Pavlovitch (o pai dos três irmãos) sobre a <strong>necessidade da verdade e de ser verdadeiro</strong>, e das consequências trágicas de não dizer a verdade &#8212; tipo de discurso espiritual que o tornou o célebre &#8220;staret&#8221; (espécie de mestre da igreja ortodoxa russa) na história do livro.</p>
<p>O trecho abaixo faz parte do Livro 2, &#8220;Uma Reunião Intempestiva&#8221;, capítulo &#8220;Um Velho Palhaço&#8221; (<a href="http://gutenberg.net.au/ebooks07/0700061h.html#bii">livro em inglês na íntegra no Projeto Gutemberg</a>).</p>
<blockquote><p>&#8220;Sobretudo não minta si mesmo. Aquele que mente a si mesmo e escuta sua própria mentira vai ao ponto de não mais distinguir a verdade, nem em si, nem em torno de si; perde pois o respeito de si e dos outros. Não respeitando ninguém, deixa de amar; e para se ocupar, e para se distrair, na ausência de amor, entrega-se às paixões e aos gozos grosseiros; chega até a bestialidade em seus vícios, e tudo isso provém da mentira contínua a si mesmo e aos outros. Aquele que mente a si mesmo pode ser o primeiro a ofender-se. É por vezes bastante agradável ofender a si mesmo, não é verdade? Um indivíduo sabe que ninguém o ofendeu, mas que ele mesmo forjou uma ofensa e mente para embelezar, enegrecendo de propósito o quadro, que se ligou a uma palavra e fez dum montículo uma montanha — ele próprio o sabe, portanto é o primeiro a ofender-se, até o prazer, até experimentar uma grande satisfação, e por isso mesmo chega ao verdadeiro ódio&#8230;<br />
Mas levante-se, sente-se, rogo-lhe; isto também é um gesto falso&#8230;<br />
— Bem-aventurado! Deixai-me beijar-vos a mão.<br />
— Fiódor Pávlovitch levantou-se e pousou os lábios sobre a mão descarnada do stáriets.<br />
— Justamente, justamente, ofender-se a si mesmo causa prazer. O senhor disse-o tão bem, como jamais o ouvi dizer. Justamente, justamente, senti prazer em toda a minha vida com as ofensas, por um sentimento de estética, porque ser ofendido não somente causa prazer, mas por vezes é belo. Eis o que o senhor esqueceu, eminentestáriets: a beleza! Notá-lo-ei no meu caderninho! Quanto a mentir, não faço senão isso em toda a minha vida, a cada dia e a cada hora. Na verdade, sou mentira e o pai da mentira! Aliás, creio que não é o pai da mentira, embaraço-me nos textos, pois bem, o filho da mentira, e isto basta. Somente&#8230; meu anjo&#8230; pode-se por vezes florear a respeito de Diderot! Isto não faz mal, ao passo que certas palavras podem fazer mal. Eminente stáriets, a propósito, recordo- me de que, há três anos, tinha prometido a mim mesmo vir aqui informar- me e descobrir com insistência a verdade; peça somente a Piotr Alieksán- drovitch que não me interrompa. Eis de que se trata. É verdade, reverendo padre, o que se conta em alguma parte das Vidas dos Santos, a respeito dum santo taumaturgo, que sofreu o martírio pela fé e, depois de ter sido decapitado, ergueu do chão sua cabeça e, &#8220;beijando-a delicadamente&#8221;, a carregou muito tempo em seus braços? É verdade ou não, meus padres?<br />
 — Não, não é verdade — disse ostáriets.&#8221;
</p></blockquote>
<p>~ &#8220;<strong>Os Irmãos Karamazov</strong>&#8220;, Fiodor Dostoievsky</p>
<p>(*) Tradução: Natália Nunes e Oscar Mendes (Abril Cultural, 1970)</p>
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		<title>Então o lavrador disse &#8220;fala-nos sobre o trabalho&#8221;, e Khalil Gilbran respondeu</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 19:26:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[inspiração]]></category>
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		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/profeta.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>&#8220;Trabalho&#8221; é um dos capítulos do clássico &#8220;O Profeta&#8220;, principal obra do poeta e escritor libanês-americano Khalil Gilbran (1883-1931), onde ele discorre sobre a importância de trabalhar com amor. &#8220;E o que seria trabalhar com amor?&#8220;, ele se pergunta no poema, e ele mesmo responde, no trecho abaixo. Como no início de todos os outros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/profeta.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><p>&#8220;<strong>Trabalho</strong>&#8221; é um dos capítulos do clássico &#8220;<strong>O Profeta</strong>&#8220;, principal obra do poeta e escritor libanês-americano <strong>Khalil Gilbran</strong> (1883-1931), onde ele discorre sobre a importância de trabalhar com amor. &#8220;<strong>E o que seria trabalhar com amor?</strong>&#8220;, ele se pergunta no poema, e ele mesmo responde, no trecho abaixo. Como no início de todos os outros capítulos, alguém sempre pergunta e ele responde &#8212; e assim como no capítulo sobre &#8220;<strong>dar</strong>&#8221; é um rico que pergunta, no capítulo &#8220;<strong>trabalho</strong>&#8221; é um lavrador que diz: &#8220;Fala-nos Sobre o Trabalho&#8221;. E Khalil Gilbran fala.</p>
<p>Abaixo, o trecho final deste capítulo (&#8220;Trabalho&#8221;), que pode ser conferido na íntegra em inglês <a href="http://leb.net/~mira/works/prophet/prophet.html">aqui</a>.</p>
<blockquote><p>O trabalho é o amor tornado visível.</p>
<p>E se não sabeis trabalhar com amor mas com desagrado, é melhor deixardes o trabalho e sentar-vos à porta do templo a pedir esmola àqueles que trabalham com alegria.</p>
<p>Pois se fizerdes o pão com indiferença, estareis a fazer um pão tão amargo que só saciará metade da fome.</p>
<p>E se esmagardes as uvas de má vontade, essa má vontade contaminará o vinho com veneno.</p>
<p>E se cantardes como anjos mas não apreciardes os cânticos, estareis a ensurdecedor os ouvidos do homem às vozes do dia e às vozes da noite.</p>
<p><strong>~ Khalil Gibran</strong></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Antônio Maria e a semana da felicidade: &#8220;Seja feliz e faça os outros felizes&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Sep 2011 21:10:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nando Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Maria]]></category>
		<category><![CDATA[cronica]]></category>
		<category><![CDATA[felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/antoniomaria2.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p>&#8220;O homem sente estranho prazer inconsciente em dar as notícias tristes&#8221;, escreveu certa vez o poeta e cronista Antônio Maria (1921-1964), iniciando uma crônica inspirada na possibilidade do contrário e intitulada &#8220;Seja feliz e faça os outros felizes&#8221; (Civilização Brasileira, 2008). A possibilidade do contrário seria, nesse caso, o que ele chamou de uma &#8220;semana [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dharmalog.com/aloha/wp-content/themes/TheStyle/timthumb.php?src=http://dharmalog.com/aloha/wp-content/uploads/antoniomaria2.jpg&amp;h=200&amp;w=300&amp;zc=1"/></p><p>&#8220;O homem sente estranho prazer inconsciente em dar as notícias tristes&#8221;, escreveu certa vez o poeta e cronista <strong>Antônio Maria</strong>  (1921-1964), iniciando uma crônica inspirada na possibilidade do contrário e intitulada &#8220;<strong>Seja feliz e faça os outros felizes</strong>&#8221; (Civilização Brasileira, 2008). A possibilidade do contrário seria, nesse caso, o que ele chamou de uma &#8220;<strong>semana da felicidade</strong>&#8220;, onde não mentiríamos e só diríamos coisas agradáveis, onde encontraríamos 10 valores elogiáveis em cada pessoa e lhes diríamos &#8212; &#8220;e, quando não houver um só, conte-se uma história qualquer, que faça bem. Conte-se, por exemplo, como foi o amanhecer&#8221;. </p>
<p>Pernambucano-carioca, exímio cronista da vida no Rio de Janeiro, Antonio Maria inspira e diverte com seus percepções do cotidiano e da vida que vai nele, como faz nesse crônica que segue abaixo (página 77, &#8220;Seja feliz e faça os outros felizes&#8221;). Joaquim Ferreira dos Santos, organizador dessa reunião de poemas, fala que &#8220;<strong>Antonio Maria dizia escrever sobre o &#8216;Nada&#8217;, e nisso parecia com o moderno Seinfeld</strong>&#8220;.</p>
<p>//////////</p>
<p><strong>&#8220;Seja Feliz e Faça os Outros Felizes&#8221;</strong><br />
Por <em>Antônio Maria</em></p>
<p>&#8220;O homem sente estranho prazer inconsciente em dar as notícias tristes. E, inconscientemente, só gosta de dar as notícias realmente tristes que, quanto mais tristes, mais lhe satisfazem.</p>
<p>No Brasil e, especialmente, no Rio de Janeiro (onde tudo acontece além da conta), o Homem ultrapassou o prazer inconsciente de dar as notícias desagradáveis, para atingir o gozo em cada vez que consegue fazer alguém muito infeliz.</p>
<p>A simples explicação do fenômeno talvez não convença o leitor de que estamos falando a sério. Desçamos, portanto, a alguns exemplos. Primeiro: É com certa dificuldade, vencendo vários limites e impedimentos seus, que você consegue fazer qualquer confissão mais agradável a alguém. Pense em quantas vezes você teve que discutir com você mesmo, para dizer que a gravata do seu amigo era bonita. Conseguiu dizer, sim, mas depois de se considerar mesquinho por não ter dito antes, na frase descuidada que lhe veio do coração à boca. Segundo: Pense em quantas vezes você disse a alguém que a gravata não lhe ia bem. A gravata aqui vale todas as coisas que você considera e elogia. Pense ainda na hipocrisia dos vários preâmbulos e rodeios que já fez para censurar – uma gravata: “Você me desculpe, mas”&#8230;”Você não me leve a mal, mas”&#8230; E sempre esta detestável e mais hipócrita das preparações: “Eu vou lhe falar com toda minha franqueza.” Tenho horror a quem me diz franquezas de bar. Na realidade, só existe uma franqueza, que é a do amor.</p>
<p>Não é possível curar a humanidade de sua eterna má vontade. Mas, ao menos aqui no Rio de Janeiro, assim como se fazem as semanas “da Asa”e “do Trânsito”, podia-se organizar a “Semana da Felicidade”. O comércio varejista não entraria (como nos dias do Papai e da Mamãe) com a sua propaganda ostensiva de rádios e televisores. Não haveria presente na “Semana da Felicidade” para não corromper a constante felicidade, que se estaria oferecendo. Apenas as pessoas, durante sete dias, só iriam dizer coisas agradáveis umas às outras.</p>
<p>Nesta altura é preciso dar uma explicação necessária. Dizer coisas agradáveis não seria dizer a Maria que ela é bonita, quando ela é feia; nem a Pedro que ele está mais magro, quando Pedro está visivelmente mais gordo. Não. Sem grande esforço, encontrar-se-á, em cada pessoa, dez valores elogiáveis. E, quando não houver um só, conte-se uma história qualquer, que faça bem. Conte-se, por exemplo, como foi o amanhecer. Como ficou o céu, com os laivos vermelhos do amanhecer. Como estava o mar, na primeira luz sobre seu brilho baço do amanhecer. Ou se fale de um trecho de canção, da ária ou de um tema tocado pro Milles Davies. Do piano de Garner, seu ritmo comparável ao improviso da Fitzgerald e da Vaughan. Ou, com patriotismo, do sax-tenor de Cipó ou do trombones, do irmão Maciel mais novo. Conte-se bem uma cidade inesperada de sua viagem. Como eram as montanhas ou a cor da planície. As pessoas, seus olhos e suas blusas.</p>
<p>Na criação da “Semana da Felicidade”, não sei para quem deva apelar. Não sei a que governo transmitir a idéia. Federal ou Municipal. Ou a que Departamento de Turismo. Não. O apelo tem que ser feito a cada um dos meus possíveis leitores e por cada um transmitido às pessoas de sua sociedade. Quanto a mim, devo dizer que vivo, permanentemente, em semana de felicidade. Quando não posso fazer alguém feliz, com uma confissão ou uma história, não digo nada. Em troca, peço que não me tirem a alegria. Que não dêem notícias, sobre mim e sobre os outros, que, de leve, possam arranhar minha naturalidade feliz. E, de um modo especial, não me digam franquezas.&#8221;</p>
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