Do ódio aos prantos: a história do encontro do médico Larry Brilliant com o mestre Neem Karoli Baba...

Essa é a história do primeiro encontro entre o Dr. Larry Brilliant, um médico conhecido da Organização Mundial da Saúde e ex-diretor do Google, e o guru indiano Neem Karoli Baba (data de nascimento incerta – 1973), mestre de Ram Dass, Daniel Goleman (“Inteligência Emocional”), Krishna Das e outros nomes conhecidos da espiritualidade americana (dizem que Steve Jobs tentou encontrá-lo uma vez, na Índia). Quem conta a história é Ram Dass, o psiquiatra, líder espiritual e autor do livro onde está registrado o caso, que segue traduzido abaixo, junto do vídeo de uma das palestras onde ele conta pessoalmente e bem-humoradamente essa história para uma platéia. “Conto essa história para dar-lhes um gosto da diversão de estar com alguém que você não consegue decifrar“, diz Ram Dass. Primeiro gostaria de convidar para ler a história, traduzida mais abaixo, e depois faço mais um blá-blá-blá sobre ela. Se preferir, o caso está contido no vídeo abaixo, apenas em inglês, a partir do momento 4:23 (o vídeo tem 58 minutos no total, mas a história toma apenas quatro minutos). ////////// VOCÊ ESTAVA FALANDO COM DEUS? Por Dr Larry Brilliant (via Ram Dass) Minha esposa tinha encontrado Maharaji (Neem Karoli Baba) e tinha vindo me pegar nos Estados Unidos para me levar e conhecê-lo. Quando fomos ver Maharaji pela primeira vez eu fiquei desconcertado com o que vi. Todos aqueles ocidentais loucos vestindo roupas brancas e se prostrando em torno daquele homem velho e gordo num cobertor! Mais do que tudo, eu odiava ver ocidentais tocando os pés dele. No meu primeiro dia lá ele me ignorou totalmente. Mas depois do segundo, terceiro, quarto, quinta, sexto e sétimo dias, em que ele também me ignorou, comecei a ficar mais irritado. Eu não sentia amor nenhum por ele, na verdade, eu não sentia nada. Concluí que minha esposa tinha sido...

Thich Nhat Hanh responde: É possível ter atenção consciente usando smartphones e redes sociais? [VÍDEO]...

A tecnologia recente de comunicação — principalmente smartphones e as redes sociais — tem sido pivô de uma série de reflexões (e condenações e acusações) sobre como vem mudando o comportamento atual das pessoas, levantando questões como a presença, a atenção ao outro, a vida virtual versus a vida real, a fuga, o imediatismo, a imagem, o vício, entre outras coisas. Numa de suas sessões de Perguntas & Respostas em sua vila de prática espiritual, a Plum Village, na França, em 2014 (antes da internação), o mestre zen Thich Nhat Hanh respondeu a uma pergunta que trata diretamente desse cenário: “é possível ter atenção consciente, ou ser consciente (be mindful) enquanto se usa smartphones e redes sociais?“. O vídeo abaixo, traduzido e legendado na íntegra por este blog, mostra a pergunta e a resposta de Thay, no total de 13 minutos (se você não tiver disponibilidade, vale a pena ao menos os primeiros 4 ou 5 minutos). A resposta é simples e traz uma visão incrível sobre o tipo de consciência e atitude que precisamos despertar para lidar com a tecnologia de comunicação. “A tecnologia e os smartphones podem ajudar a nos conectar uns aos outros, mas a comunicação real tem estado mais difícil“, diz Thay. A comunicação real: aquela onde há abertura e entendimento real entre duas (ou mais) pessoas. Aquela em que se ouve, se entende, se troca, se toca, em que há profundidade. Thay cita várias vezes na resposta a escuta profunda e a escuta compassiva, aquilo que acontece quando realmente há presença, interesse no outro e vontade de compreensão. E também a “fala do amor” (loving speech), que é o que mantém o ambiente de comunicação e compreensão mais saudável. Para que queremos a tecnologia, os smartphones e as redes sociais, afinal? É uma evolução científica e uma corrida capitalista ou vamos apontar para...

Paz imutável, amor imutável: uma coisa dessas existe? Sim, Robert Adams explica como começar...

As palestras de Robert Adams (1928-1997), um santo americano do século passado que infelizmente não é muito conhecido no Brasil, tem essa qualidade de mesclar o ensinamento com uma espécie de energia de entusiasmo, um ritmo, como é perceptível nesse trecho abaixo onde ele fala sobre a pessoa sábia. Parece que Adams está falando pela primeira e última vez, que tudo se concentra ali, que há todo o entendimento ali. Neste texto, primeiro Adams exibe a experiência da vida pura, iluminada, com “amor imutável, paz imutável” (“isso existe? sim“, ele diz), onde a pessoa sábia não tenta mudar nada, apenas se aquieta, se observa. Depois, ele dá o norte pra essa experiência de viver, que não é  um caminho, senão aceitar e/ou confiar que “o lugar onde você está neste momento é o lugar certo“. Não só você está no lugar certo, mas o começo também contém aceitar-se como se é, totalmente. “Esse é o começo. Pare de querer ser alguém diferente. Pare de querer mudar sua vida”, diz ele. Parar. Talvez a palavra mais poderosa. Talvez o começo de verdade. Talvez a forma de começar a ver o que está acontecendo conosco. Que fique registrado que esse post está sendo publicado numa segunda-feira: um dia em que parar parece ser virtualmente impossível, hipnotizados que estamos por afazeres, sensações de incompletudes, metas a cumprir e a ilusão de estarmos com alguma coisa faltando na vida. Afinal, “a semana” está só começando. Como acreditar que estamos no lugar certo e que o começo de tudo que busco é parar de querer mudar alguma coisa (ou tudo) em nossas vidas, e também parar de tentar ser alguém diferente — mais saudável, mais culto, mais magro, mais tranquilo, mais eficiente, mais rico, mais estável, mais isso, mais aquilo? Robert...

Sobre estar onde você está, onde quer que esteja: Ram Dass e a história do hotel longe de casa...

Quando trouxe essa pequena história do mestre americano Ram Dass pra publicar aqui, coloquei um título provisório e ao voltar no dia seguinte para finalizá-lo senti falta de palavra “casa” na primeira frase: em vez do título dizer “sobre estar em casa onde você está”, estava escrito apenas “sobre estar onde você está”. Imediatamente quis mudar, pois eu lembrava que no corpo da história Ram Dass falava de “estar em casa“, mas curiosamente sem a “casa” ficava bom, também fazia sentido. Talvez até mais sentido. Estar, simplesmente, pode ser ainda mais poderoso do que “estar em casa em qualquer lugar”. Estar em casa precisa invocar o conceito de casa, ou seja, precisa qualificar a presença com alguma coisa conhecida, que é a sensação de estar em “casa”. Mas “estar“, simplesmente, é estar. Não há conceitos, é presença pura. Se realmente estou aqui, inteiro, estou aqui. Presente. E não preciso qualificar essa presença com qualquer conceito (nem mesmo o de casa). “Viva o momento real. Apenas esse momento é vida“, diz o mestre zen Thich Nhat Hanh. O próprio Ram Dass reclassifica seu conceito de casa ao final da sua história, dizendo que “casa é a qualidade da presença“. “Sua casa não é Nova Iorque ou Londres ou Hong Kong. Sua casa é cada passo.” — Thich Nhat Hanh [ Imagem: “Eu cheguei, eu estou em casa”: caligrafia de Thich Nhat Hanh. ]   Segue então a pequena história compartilhada pelo mestre americano Ram Dass: “Um dia eu estava sentado em um hotel no meio dos Estados Unidos e era um daqueles tipos de lugar realmente plásticos, tipo Holiday Inn, e eu cheguei, fui pro meu quarto e sentei, coloquei minha mesa de rituais e você sabe, aquela coisa toda. Eu estava tirando o cardápio e as coisas do lugar e era meio deprimente, e pensei, “bem, mais algumas semanas e estarei...

Dalai Lama 80 anos: “O melhor presente é que você preste mais atenção à sua mente e emoções”...

“Primeiramente, bom dia. Eu quero expressar minha gratidão para muitas pessoas que estão mostrando algum tipo de sentimento amigável na minha direção, por isso [faz o gesto de namastê com as mãos] quero agradecer. Então, hoje agora, como nos últimos dias, muitas pessoas em diferentes lugares estão cantando ‘feliz aniversário’ ao redor do mundo, e eu muito frequentemente falo a elas que o melhor presente pra mim, no aniversário, é que você preste mais atenção à sua mente, sobre suas próprias emoções. Porque… essa pessoa velha de 80 anos aqui tem passado por uma vida difícil: aos 16 anos perdi minha liberdade, aos 24 perdi meu próprio país, aconteceram vários problemas, e durante esse período, o melhor amigo, o amigo mais confiável, foi minha inteligência, meu coração. Isso realmente me deu força interior. Paz interior. Então eu quero compartilhar isso com meus irmãos e irmãs, e particularmente aos jovens  irmãos e irmãs. Agora, por favor, preste alguma atenção ao seu valor interior. Para que sua vida possa ser mais pacífica, mais feliz. Acho que no mundo de hoje estamos orientados demais ao valor material, acho que não estamos prestando atenção suficiente ao nosso valor interior. De uma maneira que se algo der um pouco errado, já há grito, raiva, frustração… Se prestarmos mais atenção, e mais ao nosso valor interior, então não importa a situação ao redor, você pode manter paz mental. Então essa paz mental, até do ponto de vista da saúde do corpo, saúde física, é muito importante. Agora alguns médicos cientistas dizem que medo constante e raiva constante estão comendo nosso sistema imunológico, então para que possamos manter a saúde do nosso corpo, a paz na mente é essencial. Alguns dizem, às vezes, para você alcançar um corpo saudável, você também precisa de uma mente saudável....

“Lhe desejo o suficiente”: a história de uma frase de despedida de pai e filha num aeroporto...

A história a seguir é contada pelo escritor e coach americano Bob Perks e ficou tão famosa que já é uma seção do site oficial dele, no endereço ok2be.me, intitulada “Lhe desejo o suficiente – A História” (I Wish You Enough – The Story). É o diálogo de despedida entre um pai e sua filha num aeroporto (ou uma mãe e sua filha, em alguns relatos alternativos) que traz uma perspectiva de vida realista, agradecida e inspiradora, que está contida na tradição de dizer ao outro simplesmente “lhe desejo o suficiente“.  Dentro desses dizeres está uma leve compreensão da impermanência das coisas (também presente na própria despedida), da interdependência e dos dualismos da vida — de sol e chuva, de ganhos e perdas, de olás e adeuses. O post foi traduzido do inglês por este blog e segue abaixo: Em um aeroporto ouvi um pai e uma filha nos seus últimos momentos juntas. Anunciaram a partida do avião da filha e, perto da entrada, o pai disse, “Te amo, desejo a você o suficiente”. A filha disse, “Pai, nossa vida junto tem sido mais do que suficiente. Seu amor é tudo que eu sempre precisei. Te desejo o suficiente também, mãe”. Elas deram um beijo de adeus e ela se foi.   A mãe andou em direção à janela onde eu estava sentado. Eu podia ver que ela queria e precisava chorar. Tentei não me invadir a privacidade, mas ela me cumprimentou perguntando, “Você já disse adeus a alguém sabendo que seria pra sempre?”.   Sim, já disse, respondi. E ao dizer isso me vieram lembranças de quando expressei meu amor e admiração por tudo que minha mãe tinha feito por mim. Reconhecer que os dias dela estavam no final, reservei um tempo para dizer-lhe pessoalmente o quanto ela significava pra mim.   Então eu sabia o que...

Quando “todos os neurônios do cérebro estão unidos, aí somos o que somos”: a alma, por Alejandro Jodorowsky...

O que é a alma? É possível descrever em termos científicos? O escritor, terapeuta, psicomago e artista chileno Alejandro Jodorowsky respondeu provocativamente a essa pergunta numa entrevista realizada em Santiago (Chile), em agosto de 2011, que foi gravada em vídeo e o trecho onde ele responde segue abaixo, do original em espanhol. Um pouco mais abaixo, está a transcrição da pergunta sobre a alma e outra sobre a consciência, que ele considera serem a mesma coisa, ambas contidas no mesmo trecho em vídeo. Antes de dizer qualquer coisa a mais, segue o vídeo (7min). Obviamente Jodorowsky responde provocativamente pois, apesar de dizer estar “estudando muito o cérebro“, ele é essencialmente um artista do inconsciente, um tipo de psicólogo fantástico que fala ricamente através de símbolos e imagens. A “união de todos os neurônios” no cérebro que ele menciona é assim, claramente (pra mim, pelo menos), uma evocação à integração psíquica e à integração total do ser humano, integração esta que é considerada por algumas escolas de psicologia e psicoterapias como um dos ápices da sanidade humana. Embora, neurologicamente, possa de fato haver algum tipo de efeito equalizador. Igualmente, quando fala em ego como sendo uma rede de apenas cem neurônios, ele está definindo imageticamente o ego como algo muito limitado dentro de um campo astronomicamente enorme como o céu. A quem ele assemelha à alma. E não em termos neurocientíficos. Essa parte está na segunda metade do vídeo, sendo a primeira mais polêmica, pois Jodoroswky tece uma crítica a um trecho do “Livro Vermelho” de Carl Jung. Segundo Jodorowsky, Jung teria escrito do ponto de vista de um “ego delirante” ao se mostrar superior à alma, ao dizer que “a alma ascende a ele de um poço”. Defensores de Jung apareceram nos comentários do YouTube com diversas críticas, possivelmente procedentes (os argumentos variam). Apesar disso, e de um possível problema de contextualização usada do ego, Jodorowsky tem um ponto além...

A antropóloga e primatóloga Jane Goodall responde às 22 perguntas do Questionário Proust...

Mensageira mundial da paz das Nações Unidas e considerada a maior especialista viva em chimpanzés, a britânica Jane Goodall foi uma das pessoas que respondeu ao Questionário de Proust (descoberto em 1924) que foram reunidas em um livro (“Vanity Fair’s Proust Questionnaire: 101 Luminaries Ponder Love, Death, Happiness, and the Meaning of Life“, 2009) e suas respostas foram reproduzidas recentemente no blog Brain Pickings, em inglês, e agora estão aqui, traduzidas abaixo. Entre outros respondentes publicados no livro estão Allen Ginsberg, Thimoty Leary, Deepak Chopra, Gore Vidal, Brian Wilson e outros. O Questionário, respondido pelo próprio Marcel Proust (1871-1922) para um amigo no final dos Anos 80 do século 19, contém perguntas sobre felicidade perfeita, o maior medo, o maior talento, escritores favoritos, heróis, maior conquista, e outras questões que são naturalmente reflexivas e interessantes, sintetizando às vezes muito do pensamento e da experiência dessas grandes pessoas. São 22 perguntas e duas delas me chamam atenção em especial. Primeiro, a resposta dele sobre o estado mental de preocupação com a situação do planeta, “ambiental e social”. A segunda é o que ela considera o nível mais baixo de miséria. Leia abaixo: QUESTIONÁRIO PROUST Por Jane Goodall Qual sua idéia de felicidade perfeita? Sentar sozinha na floresta no Parque Nacional Gombe assistindo uma das mães chimpanzés com sua família. Qual seu maior medo? Que eu possa ser torturada e ser uma covarde. Qual é a característica que você mais lamenta nos outros? Hipocrisia. Qual sua maior extravagância? Ligações de longa distância pros amigos. Qual sua jornada preferida? Minha jornada preferida de todas foi minha primeira viagem da Cidade de Nairobi para o Serengeti para o Olduvai Gorge antes de ser famoso, quando não havia estradas e todos os animais estavam lá. Estávamos numa Land Rover lotada, quatro pessoas e dois dálmatas. O...

Osho e a crise mundial de consciência: “Estes são os problemas que estamos apoiando. Retire seu apoio”...

Nós somos aqueles que nós mesmos estávamos esperando, diz uma famosa oração dos índios americanos Hopi, e essa mensagem ecoa em palavras mais recentes como as do filósofo indiano Bhagwan Shree Rajneesh, o Osho (1931-1990), cuja visão sobre a crise mundial está numa coleção recente de seus discursos no livro “It’s All About Change” (2014). Já faz 25 anos que Osho não está mais entre nós, mas a crise que ele fala está, e talvez mais forte: e se está, de certa maneira deixamos estar ou mesmo apoiamos estar, demos algum tipo de suporte a ela — como tolerância passiva, por exemplo. “Retire seu apoio“, ele sugere. E como estamos às vésperas de uma celebração religiosa e cultural importante, talvez seja importante fazer uma conexão com visões como a de Eckhart Tolle sobre o que é essa “nova Terra” ou nova consciência. “A ‘segunda vinda’ de Cristo é uma transformação da consciência“, ele diz. “Uma mudança do tempo para a presença, do pensamento para a consciência pura, e não a chegada de algum homem ou de alguma mulher”, completa Eckhart, em “O Poder do Agora”. Sob essa perspective, é mais fácil compreender o que seria a ressurreição deste mesmo Cristo. Segue o texto do Osho: “O futuro não deveria ser só uma esperança e uma oportunidade: essa são apenas palavras vis. O futuro deveria ser absolutamente nosso — deveria ser um futuro dourado. Vivemos com a idéia de um passado dourado — que nunca foi dourado! Mas podemos criar um futuro que é um futuro dourado. Agora é um grande momento. Podemos conseguir um mundo. Essa crise é uma crise dourada, porque as pessoas mudam apenas sobre nessas condições de estresse profundo. Enquanto a situação é tolerável, as pessoas vão tolerá-la — mas agora estamos em um ponto onde...

33 pensamentos e reflexões de Kahlil Gibran sobre o coração da vida, o tempo, a natureza e o Nirvana, de “Areia e Espuma”...

Em 1927, a poetisa norte-americana Bárbara Young, que assessorava o poeta e filósofo libanês Gibran Kahlil Gibran (1883-1931), propôs a ele reunir num volume os pensamentos que não haviam sido incluídos em outros livros seus, ao que ele respondeu, desfavoravelmente: “Haveria aí somente areia e espuma“. E daí mesmo se fizeram areia e espuma: “Falando assim, viu nesta própria expressão um título feliz. E começou a interessar-se pela obra”, explica a introdução biográfica da versão em português de “Areia e Espuma“, lançado naquele mesmo ano e traduzido algumas décadas depois por Mansour Challita (edição Associação Cultural Internacional Gibran, 1976). Desta obra, com 322 pensamentos e reflexões a respeito da vida, da morte, do ser humano e do universo, 33 foram selecionados e estão abaixo, desta mesma edição e tradução. Que afirma que este “é um livro de profunda ternura humana“. Escrito quatro anos depois da sua obra-prima, “O Profeta” (1923), “Areia e Espuma” marca a transição de Gibran do ‘vírus Nietzschiano’ para a bondade evangélica. “O escritor que proclamava em As Tempestades que todos os homens são cadáveres pútridos, que é urgente enterrar, afirma agora: ‘Quando alcançares o coração da vida, não te achareis superior ao criminoso nem inferior ao profeta.'”. Essa coleção me chegou através de um dos aforismos, pequeno mas bem grande, que dizia: “As tartarugas conhecem as estradas melhor do que os coelhos“. Compartilhado ontem na página do Dharmalog no Facebook e Google Plus. As 33 frases selecionadas estão abaixo: “AREIA E ESPUMA”, Aforismos Selecionados Por Gibran Kahlil Gibran (tradução mansour Challita) — Vi, uma vez, o rosto de uma mulher, e contemplei todos os seus filhos ainda não nascidos. E uma mulher olhou para minha face, e conheceu todos os meus antepassados, mortos antes que ela nascesse. — Tive um segundo nascimento quando minha alma e meu corpo se...

“Se”, um poema de amor, vida e reflexão do Professor Hermógenes (1921-2015), mestre do Ioga no Brasil...

A penúltima publicação do blog do Instituto Hermógenes antes do falecimento do seu fundador Professor Hermógenes, ocorrido no dia 13 de março, foi um poema de amor à vida tranquila, livre e realizada que foi intitulado “Se“, e segue reproduzido abaixo, como figurou também no livro “Canção Universal“. É uma grande reflexão de gratidão e declaração de devoção a uma vida que foi entregue e termina, ou essa é a intenção de terminá-la, sem ansiedade, sem conflito, sem discórdia, sem mentiras, sem abatimentos, mágoas ou revoltas, em confiança, paz, força, em entrega para ouvir, entender e servir, em auto-realização. “Se, ao final desta existência”, começa Hermógenes, quase como uma despedida, mas também como uma reflexão profunda sobre o viver, sobre os caminhos do Ioga e do trabalho sobre si mesmo que realiza a liberdade mais verdadeira, o auto-conhecimento, ao amor e serviço ao outro, e uma vida de gratidão ao tempo e espaço divinos. Além do poema completo, mais abaixo, segue a leitura dele como feita pelo ator Carlos Vereza, no documentário “Deus Me Livre De Ser Normal”: Gratidão a esse grande mestre e precursor do Ioga no Brasil, discípulo de Sri Sathya Sai Baba e defensor e divulgador do Dharma e da verdade da vida, José Hermógenes de Andrade Filho, o Professor Hermógenes (1921-2015). Um dos primeiros contatos que tive com o Ioga foi através do seu método de Hatha Ioga e do seu modo amoroso e fiel de transmissão, que me fez ver a grande tradição, a sabedoria e a prática do Ioga muito além dos ásanas físicos. Para ler mais do Professor Hermógenes aqui no blog, veja o post “Ter uma visão mais verdadeira das coisas é Yoga”, por Hermógenes, em ‘Eu Maior’ (09/05/2011). ////////// Poema Se Hermógenes Se, ao final desta existência, Alguma ansiedade me restar E conseguir...

“O medo, em grande parte, é nascido de uma história que contamos a nós mesmos”, Cheryl Strayed...

“O medo, em grande parte, é nascido de uma história que contamos a nós mesmos…” — CHERYL STRAYED, autor de “Livre, a Jornada de Uma Mulher em Busca de Recomeço” (Objetiva, 2013) e “Pequenas Delicadezas” (idem,...

O Ano Novo, por Thich Nhat Hanh: pode o ano novo ser realmente um novo ano? [VÍDEO]...

Todo mundo sabe que “ano” é uma convenção de tempo humana, assim como em que número estamos, “2015“, mas no dia-a-dia isso parece não ser apenas uma convenção, mas a própria realidade. Junto com isso, há algumas suposições que fazemos e que são endereçadas nesse discurso de um ano atrás, do dia 29 de dezembro de 2013, às vésperas de entrar em 2014, do monge zen Thich Nhat Hanh, que hoje (no momento de publicação deste post) ainda encontra-se em coma em recuperação em um hospital da cidade de Bordeaux, na França. Esse post é uma lembrança e uma homenagem ao mestre através de um discurso onde ele mesmo explica que o ano que se foi não pode ter morrido, assim como o ano que chega já tinha nascido muito antes de ter nascido. “Podemos mesmo dizer que o ano morreu e que o outro nasceu?“, nos pergunta Thay, buscando uma resposta mais profunda. Com os votos de plena recuperação, seguem alguns trechos traduzidos do discurso, que está na íntegra no vídeo mais abaixo (“Winter Retreat Dharma Talk 29 Dec 2013“, 1h25min), em inglês. Apenas os primeiros 15 ou 20 minutos e se referem mais diretamente ao tema da “virada do ano”, os trechos depois disso incluem outros assuntos, como instruções de Mindfulness. atitudes e práticas de saúde, renovação e felicidade para si mesmo e para os outros. TRECHOS DO DISCURSO DE THICH NHAT HANH 29 de DEZEMBRO de 2013 “WINTER RETREAT DHARMA TALK” – Quando focamos nossa atenção em nossa inspiração e expiração, trazemos nossa mente para casa, para o corpo. E estamos realmente lá, aqui e agora. A respiração com atenção produz consciência, respirando conscientemente sabemos que estamos vivos. E estar vivo é uma coisa maravilhosa. Temos um corpo, temos pés para...

“Aqui é tudo, não há nenhum lugar a ir, toda existência culmina neste momento”: Osho aqui e agora...

O tempo, esse mistério, esse transe, essa obviedade, esse domínio, essa ignorância (?). É um grandiosíssimo tema, que praticamente todos os grandes autores e mestres e filósofos trataram, superficial ou profundamente, de Alan Watts a Eckhart Tolle, de Heidegger a Dogen Zengi. E também tratou o célebre mestre indiano Osho (Bhagwan Shree Rajneesh, 1931-1990), com seu provocativo e singelo estilo, como no trecho abaixo, que está publicado em vários livros, um deles sendo “Tantra: The Supreme Understanding: Discourses on the Tantric Way of Tilopa’s Song of Mahamudra” (Rebel Publishing House, 1997). Talvez a profundidade de “não há nenhum lugar a ir, aqui é tudo” escape à compreensão humana cotidiana (talvez não, né, escapa, estou sendo bonzinho). Vivemos suspensos na grande era do tempo, onde representações como dia, noite, amanhã, segunda-feira, terça-feira, sábado, ano que vem, são 7 e quinze, dois minutos, uma hora, 10 anos, tenho 19, 25, 31, 50… regem a vivência humana como se fossem algo além do que são. Alan Watts usa ótimas palavras, poderosas palavras, para transmitir a encrenca em que nos metemos com essa busca pelo domínio do real através do tempo: “Nós vivemos em uma cultura totalmente hipnotizada pela ilusão de tempo, na qual o chamado presente é sentido como uma pequena linha entre o ‘todo poderoso’ passado causativo e o ‘absurdamente importante futuro’. Não temos presente. Nossa consciência está quase completamente preocupada com memórias e expectativas”. O todo poderoso passado causativo e o absurdamente importante futuro. O todo poderoso passado causativo e o absurdamente importante futuro. O todo poderoso passado causativo e o absurdamente importante futuro. Onde estamos neste momento? Querendo ler rápido esse post? Há algum outro site que vou logo na sequência? Há outra tarefa que deve ser feita já já? Estou prestes a desistir? Ou estou em paz aqui e agora, com minha respiração tranquila e...

“Tenho questionado dessa forma, mas sem resultado”: Yalamanchili e Sri Ramana Maharshi e “quem sou eu?”...

“Quem sou eu?“, uma das questões essenciais do trabalho de auto-investigação proposta pelo sábio indiano Sri Ramana Maharshi (1879-1950), é um caminho aparentemente simples e direto mas difícil, que gera inúmeras dúvidas como as do devoto Sri Yalamanchili, neste diálogo abaixo transcrito do blog de David Godman, um dos mais conhecidos especialistas sobre a vida de Ramana Maharshi, e traduzido para o português.  A frustração é uma das indagações de Yalamanchili, que diz entre suas perguntas que tem praticado sadhana (disciplina espiritual), “mas em vão“, e depois que afirma que segue as indicações de Maharshi, “mas não obtendo resposta“. Maharshi sorri: “parece que você veio aqui para me testar”. E, então, descreve mais detalhes da sua proposta sobre a descoberta do “Eu” verdadeiro dentro da miríade de enganos de identificação do ser humano, e responde também a perguntas sobre alma, Deus, pensamentos, gurus e a interiorização necessária para a auto-descoberta. Segue o texto. ////////// DIÁLOGO SOBRE A AUTO-INVESTIGAÇÃO, Sri Ramana Maharshi & Sri Yalamanchili Por David Godman [tradução Cristiano Richers] “A seguinte conversa vem do diário de um devoto chamado Sri Yalamanchili que conheceu Bhagavan em 1928 e teve uma discussão com ele sobre auto-investigação. Foi publicado no Arunachala Ramana em fevereiro de 1982: Pergunta: Como realizar o Atman? Bhagavan: O Atman de quem? Pergunta: Meu. Bhagavan: Então você mesmo tem que fazê-lo. Pergunta: Não estou conseguindo fazê-lo e sabê-lo. Bhagavan: Para quem isto não é conhecido? Pergunta: Para mim mesmo. Bhagavan: Tente saber quem é esse “eu mesmo”. Pergunta: Isso é o que você tem que dizer. Bhagavan: [Sorrindo] Parece que você veio aqui para me testar. Realmente iria beneficiar você se eu lhe disser o que você é? Você ficará satisfeito se eu apenas lhe disser? Pergunte a si mesmo: “Quem sou eu?” Depois de...