“Iniciantes no Budismo me perguntam como é a iluminação”: Dalai Lama responde

Não sei como cada pessoa chega a fazer contato com essa idéia — e realidade — da “iluminação“, ou  “despertar“, comum na sabedoria oriental, como no Ioga e Budismo. A palavra “buda“, do pali (bujjhati) e do sânscrito (budhyate), significam aproximadamente “aquele que despertou” (ou se iluminou). No Ocidente temos termos semelhantes como Iluminismo, mas que se refere a um movimento geral e não tem nada a ver com a iluminação espiritual do Oriente (apesar de muitos considerarem esse Iluminismo uma espécie de ápice para a civilização, baseado na razão, na ciência e nas liberdades). Há também algumas menções ao “despertar” em obras religiosas, como na Bíblia, onde se assemelha em alguma dimensão à iluminação espiritual dos orientais, definindo um estado de compreensão sobre o divino, ou “do” divino, como algo gnóstico, que a própria pessoa experimenta — e não somente compreende racional ou intelectualmente.

A Wikipedia diferencia iluminação em quatro verbetes: iluminação búdica, ióguica, teológica e espiritual.  Apesar de conter descrições superficiais, não apresenta nenhuma diferenciação profunda entre elas. A iluminação ióguica, por exemplo, seria praticamente a mesma coisa da iluminação búdica, diferindo apenas no método.

Mas mesmo quem nunca ouviu a expressão pode imaginar o que seja “iluminação”: o aparecimento da luz em um lugar que era escuro, a chegada da visão em algo que não se enxergava, a sabedoria onde havia ignorância. Se o problema original do mundo é a ignorância (avidya), como postula o Budismo, então a solução só pode ser ausência de ignorância, ou sabedoria. Nesse sentido, o Budismo seria uma espécie de método para a iluminação, e por isso isso seria tão vital para entendê-lo e praticá-lo.

No recente livro “Approaching the Buddhist Path” (tradução livre: “Aproximando-se do Caminho Budista”), de 2017, o Dalai Lama fala sobre a iluminação em termos introdutórios, tentando expressar o que seria ser desperto, ou iluminado. O trecho segue abaixo:

“Iniciantes no Budismo ocasionalmente me perguntam como é ser iluminado (ser desperto). Eu não sei, mas acho que deve ser uma sensação de profunda satisfação e plenitude por conhecer a realidade. Faço uma analogia: quando somos ignorantes sobre algo, nos sentimos desconfortáveis e tentamos entendê-lo. Assim que o entendemos e o obstáculo é ultrapassado, sentimos um tremendo alívio. Sentimos satisfação porque temos plena confiança que nosso entendimento é correto. Quando nos tornarmos seres totalmente despertos, perceberemos diretamente que tudo existe, então imagine a satisfação profunda que teremos. Isso nos dá uma idéia da alegria mental que um Buda experimenta”.
Sua Santidade o XIV Dalai Lama, em “Approaching the Buddhist Path”.

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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