3 pontos para uma vida espiritual autêntica, segundo o zen de James Ford

“Quando você segue uma autoridade, sua mente se torna infantil, estreita, mecânica, sem nenhuma substância por trás”, diz o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti, conhecido por seus ensinamentos pela emancipação e libertação do ser humano de sua própria escravidão e imaturidade mental. Se acreditarmos nessa frase dele, poderíamos dizer que estaríamos seguindo uma autoridade, mas, também, quem sabe, em direção a nos emancipar dela. O que seria um grande ponto para termos uma vida espiritual ou uma prática espiritual autêntica: seguir no caminho por nós mesmos. Pensando, percebendo e buscando por nós mesmos.

O reverendo zen James Ford tem 3 dicas nessa direção, conforme foram publicadas num recente artigo na revista online Pantheos. As três seguem traduzidas mais abaixo, como guias gerais que podem ajudar a voltarmos a nós mesmos (ainda que uma dica precise de outra pessoa).

E aqui estamos nós, mais particularmente eu, usando a “autoridade” de outro alguém para papagaiar, agora sobre vida espiritual autêntica. Faço com o mesmo espírito que trouxe a citação de Krishnamurti, ambiguamente “papagaiando o não papagaiar”. No fundo, pode ser apenas um sinal de atenção para não nos perdermos no pensamento dos outros e no caminho dos outros.

Ford considera esses 3 pontos abaixo fundamentais para uma vida espiritual autêntica. O ponto de Krishnamurti poderia facilmente ser um quarto nesta lista. E, logo depois, eu mesmo adiciono um quinto, para sair um pouco da pura papagaiação. Ei-los:

1) Você precisa passar tempo calado. Se você permanece todo o tempo no barulho, é difícil prestar atenção, dificil perceber as lições e a lição.

2) Você precisa de regularidade. Fazer uma vez pode abrir seu coração e seus olhos. Acontece. Mas a maioria de nós precisa voltar e praticar e praticar e praticar.

3) Você precisa de alguém para lhe supervisionar. O cérebro é um grande mentiroso. Todos nós nos contamos todo tipo de histórias sobre o que precisamos e merecemos, e apenas algumas delas são verdadeiras. E também, ao longo do caminho espiritual, temos várias experiências. A maioria com limitado valor, ou mesmo sem valor nenhum. Alguém que trilhou o caminho antes de você, alguém em que vocêconfie, e que esteja sempre disposto a dizer a verdadeira nua e crua, tem peso de ouro. 

Ford diz que se fizermos isso, nossa “prática espiritual não será somente sobre reduzir a pressão sanguínea, será sobre chegar às portas do paraíso, e entrar”.

O que me leva a querer adicionar, como falei, este quinto ponto: precisamos de uma motivação real de vida ou morte. Sem isso, não chegaremos a lugar nenhum. Será tudo superficial, egóico e sem profundidade, o que pode não ter verdade nenhuma, e portanto não ter nada de espiritualidade genuína.

Sobre isso, leia mais tentando responder à pergunta de Adyashanti: “O que a busca é realmente pra você?”

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Foto: “The Holy Buddha Feet – Nepal, Kathmandu, Swoyabhunath”, por Anastasiia Kononenko, licenciada junto a Deposit Photos (2018).

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Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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