Não desperdice seus 75 anos: um mensagem do Homem Santo a todos os “telespectadores”

Contemplar a realidade da morte é uma prática preciosa em muitas escolas de sabedoria, e às vezes a contemplação da finitude também funciona como uma ótima alternativa, como nesse pequeno trecho de 45 segundos do filme “Homem Santo” (que é antigo, de 1998), e que segue mais abaixo. Não se compara aos grandes ensinamentos, mas é interessante, e embora não exista nada de extraordinário nele, há um salutar chamado às coisas que importam na vida — um chamado de urgência. O filme não fez sucesso nenhum, foi desqualificado pelo próprio Eddie Murphy, ator principal, mas circula pela Internet como uma mensagem válida de apreço pela vida.

PS: Apenas provendo um contexto mínimo sobre o filme, “Homem Santo” é sobre uma emissora que descobre por acaso um sujeito aparentemente santo e que o usa para vender seus produtos, embora esse homem santo muitas vezes contrarie o espírito capitalista dos programas e fale coisas mais importantes sobre a vida aos telespectadores. Na continuação da cena, o homem santo (que é chamado de “G”) vai sendo filmado e vai fazendo seu discurso espiritualista até um terreno gramado no pátio externo da emissora, e pede a todos telespectadores que pisem nas gramas das suas casas, ao que todos respondem de prontidão. O momento é cortado pela emissora, que “aproveita” a deixa para vender um tipo de tapete de porta que simula a grama. Rs. Seria cômico se não fosse trágico, e realista.

O vídeo de 45 segundos segue abaixo, com legendas em português que precisam ser ativadas nos comandos do vídeo. Logo depois, mais abaixo, a transcrição em português. O título dado pela pessoa que publicou o trecho foi “75 anos, não os desperdice“.

Setenta e cinco anos. Esse é o tempo que você tem se tiver sorte. Setenta e cinco anos. Setenta e cinco invernos. Setenta e cinco primaveras. Setenta e cinco verões. Setenta e cinco outonos. Quando você olha dessa maneira, não parece muito tempo, né? Não desperdice. Caia fora da corrida de hamsters e esqueça as coisas superficiais que preocupam sua existência e volte-se para o que é importante agora. Exatamente agora. Neste segundo aqui. Não estou dizendo para abandonar tudo e esperar que o mundo pare. Estou dizendo que você poderia se tornar um buscador. Você poderia amar mais. Poderia se arriscar mais. Poderia viver mais. Poderia passar mais tempo com a família. Poderia estar tendo mais contato com a parte de você que vive ao invés da que teme, com a parte de você que ama ao invés da que odeia, com a parte de você que reconhece que a humanidade está em todos nós. E te digo uma coisa, é aí que você é um abençoado.
G (Eddie Murphy), em “Homem Santo” (Holy Man)

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Escrito por

Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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