Chogyam Trungpa: “Se pudermos aceitar nossas imperfeições como são, podemos usá-las como parte do caminho”

chogyam-trungpa-ordinarioHá duas semanas, o Dharmalog compartilhou uma frase do célebre mestre budista Chögyam Trungpa Rinpoche (1939-1987), que dizia: “Se você tem um pneu furado, isso também é parte da jornada“. A frase faz parte de uma entrevista de Trungpa que está contida no livro “The Myth of Freedom“, e é parte da coletânea definitiva do mestre, “The Collected Works of Chögyam Trungpa” — que reúne também os livros “Cutting Through Spiritual Materialism”, “The Heart of the Buddha” e “Selected Writings” (Shambhala Publications, 2003). A resposta inteira de Trungpa onde ele usa a frase do pneu furado segue abaixo, junto de um outro trecho que também serve a um propósito semelhante: o de aceitar as coisas e os acontecimentos como eles são, como parte do caminho, sem querer apressar nem manipular.

A frase foi originalmente publicada com a intenção de lembrar a data de falecimento de Chögyam Trungpa, em 4 de abril de 1987.

Os dois trechos estão abaixo:

[1]

Pergunta: Às vezes sinto que tenho bloqueios espirituais… O que você sugere que eu faça? Há algumas períodos em que sinto que não estou fazendo nenhum progresso espiritual. (…)
CHOGYAM TRUNGPA: “Parece que há um problema em pensar que supostamente você deveria estar avançando no caminho o tempo todo. Você não tem que estar constantemente na estrada, necessariamente. Em outras palavras, se você tem um pneu furado, isso também é parte da jornada. Você está chegando perto do seu objetivo. Então eu suponho que é uma certa ambição que faz com que você sinta que não está fazendo nada. Parece existir uma qualidade hipnótica na ambição e na velocidade, de modo que você se sente parado só porque você quer ir muito rápido.”
Chögyam Trungpa Rinpoche, em “The Myth of Freedom” (pg.543)

[2]

“Temos que querer ser pessoas completamente ordinárias, o que significa nos aceitar como somos sem tentar nos tornar maiores, mais puros, mais espirituais, mais visionários. Se pudermos aceitar nossas imperfeições como elas são, bem ordinárias, então podemos usá-las como parte do caminho. Mas se tentarmos nos livrar de nossas imperfeições, então elas serão inimigas, obstáculos no caminho para nosso “auto-aperfeiçoamento”. E a mesma coisa é verdade para a respiração. Se pudermos vê-la como é, sem tentar usá-la para nos melhorarmos, então ela se torna uma parte do caminho porque não estamos mais usando-a como ferramenta para nossa ambição pessoal”.
Chögyam Trungpa Rinpoche, em “The Myth of Freedom” (pg.216)

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo capital.

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