A antropóloga e primatóloga Jane Goodall responde às 22 perguntas do Questionário Proust

Mensageira mundial da paz das Nações Unidas e considerada a maior especialista viva em chimpanzés, a britânica Jane Goodall foi uma das pessoas que respondeu ao Questionário de Proust (descoberto em 1924) que foram reunidas em um livro (“Vanity Fair’s Proust Questionnaire: 101 Luminaries Ponder Love, Death, Happiness, and the Meaning of Life“, 2009) e suas respostas foram reproduzidas recentemente no blog Brain Pickings, em inglês, e agora estão aqui, traduzidas abaixo. Entre outros respondentes publicados no livro estão Allen Ginsberg, Thimoty Leary, Deepak Chopra, Gore Vidal, Brian Wilson e outros. O Questionário, respondido pelo próprio Marcel Proust (1871-1922) para um amigo no final dos Anos 80 do século 19, contém perguntas sobre felicidade perfeita, o maior medo, o maior talento, escritores favoritos, heróis, maior conquista, e outras questões que são naturalmente reflexivas e interessantes, sintetizando às vezes muito do pensamento e da experiência dessas grandes pessoas.

São 22 perguntas e duas delas me chamam atenção em especial. Primeiro, a resposta dele sobre o estado mental de preocupação com a situação do planeta, “ambiental e social”. A segunda é o que ela considera o nível mais baixo de miséria. Leia abaixo:

QUESTIONÁRIO PROUST
Por Jane Goodall

Qual sua idéia de felicidade perfeita?
Sentar sozinha na floresta no Parque Nacional Gombe assistindo uma das mães chimpanzés com sua família.

Qual seu maior medo?
Que eu possa ser torturada e ser uma covarde.

Qual é a característica que você mais lamenta nos outros?
Hipocrisia.

Qual sua maior extravagância?
Ligações de longa distância pros amigos.

Qual sua jornada preferida?
Minha jornada preferida de todas foi minha primeira viagem da Cidade de Nairobi para o Serengeti para o Olduvai Gorge antes de ser famoso, quando não havia estradas e todos os animais estavam lá. Estávamos numa Land Rover lotada, quatro pessoas e dois dálmatas.

O que você mais desgosta na sua aparência?
A pele envelhecendo!

O que ou quem é o maior amor da sua vida?
Meu professor e companhia de infância — meu cachorro, Rusty (“Ferrugem”).

Quando e onde você foi mais feliz?
No início dos Anos 60, quando eu estava sozinha no Gombe com os chimpanzés.

Que talento você mais gostaria de ter?
Capacidade de aprender línguas.

Qual seu atual estado mental?
Muita preocupação pelo estado do planeta, ambiental e social.

Se você pudesse mudar uma coisa em você, o que seria?
Preciso ser 20 anos mais nova — há muita coisa a fazer.

Qual você considera ser sua grande conquista?
Ter começado nosso programa para juventude, Roots & Shoots, junto com a ajuda para diminuir  a linha entre os humanos e o resto do reino animal.

Qual você considera como o nível mais baixo de miséria?
Saber que você decepcionou alguém, traiu sua confiança.

Qual sua ocupação favorita?
Observar animais sozinha na natureza selvagem.

Qual sua característica mais marcante?
Determinação/Otimismo.

O que você mais valoriza nos seus amigos?
Ser capaz de compartilhar felicidade e tristezas e dar uma boa risada.

Quem são seus escritores favoritos?
Shakespeare, Tolkien e Mary Wesley.

Quem é o seu herói de ficção favorito?
Robin Hood.

Quem são seus heróis na vida real?
Minha mãe, até sua morte; professores dedicados; Kofi Annan; Nelson Mandela; Muhammad Yunus.

Do que você mais desgostas?
Recepções e jantares em lugares barulhentos com pessoas falando muito alto, andando em limosines enormes, e desperdício.

Como você gostaria de morrer?
Pacificamente e antes de perder minhas faculdades físicas e especialmente mentais.

Qual é o seu lema?
“Como teus dias, assim seja tua força.”

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo capital.

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