Mente aberta vs mente reativa: o poder da abertura para a cura de nossa confusão, por Elizabeth Mattis-Namgyel

A BIFURCAÇÃO NA ESTRADA

“O propósito da prática é nos habituarmos com a abertura. Isso significa que precisamos entender a mente reativa. Como experimentamos a diferença entre reagir e estar aberto?

Em que ponto decidimos manter as tendências habituais de exageramento e negação ou tentar algo novo? Onde está a bifurcação da estrada? Temos que explorar essas duas experiências: reagir… estar aberto… reagir… estar aberto… reagir… estar aberto de novo. Começamos a ver a diferença. É um processo de refinamento. Nossa investigação cultiva uma sagaz inteligência que nos guia em uma direção positiva.

Precisamos nos perguntar: “Se nossa confusão encontra sua raiz em nosso hábito de virar as costas para o estado de abertura, o que aconteceria se nos habituássemos a nos manter abertos?””

~ Elizabeth Mattis-Namgyel, em “The Power of an Open Question: The Buddha’s Path to Freedom”

Essa abertura que fala a autora Elizabeth Mattis-Namgyel (esposa do mestre budista Dzigar Kongtrul Rinpoche) no livro “The Power of an Open Question: The Buddha’s Path to Freedom” (Shambhala, 2011) pode ser vista para além de um conceito espiritual ou uma virtude búdica para grandes questões da vida, pode ser vista como uma maneira de viver a cada momento. Como uma atitude consciente em cada experiência. Se a mente está acordada, então podemos fazer com que essa mente receba as coisas de forma aberta ou reativa.

Estar aberto, assim, é estar aberto para como cada experiência vem: cada encontro, diálogo, gesto, cada coisa que se faz, pensa, sente, cada coisa que chama nossa atenção. Não impomos tantas condições, rótulos, julgamentos, visões fixas. Posso receber cada experiência dessas sem um catálogo de definições e adjetivos, e sim “vazio”, com espaço para o que é do momento entrar na minha percepção e ser percebido como é — como pela primeira vez. “Não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio” (Heráclito). É uma espécie de desapego: viver sem carregar as visões fixas das experiências que já foram.

Porque se não estamos abertos, estamos fechados.

Nesses tempos recentes há uma imensa valorização do momento presente, mas é importante refletir se há possibilidade de viver o momento presente sem abertura.

“Quanto mais abertura e curiosidade temos sobre as coisas, mais clareza e maleabilidade aparece na mente”.
Elizabeth Mattis-Namgyel

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Jornalista autor do Dharmalog e terapeuta na Hridaya Terapia, em São Paulo.

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